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A FRAGILIDADE DO DÓLAR COMO PADRÃO MONETÁRIO

A FRAGILIDADE DO DÓLAR COMO PADRÃO MONETÁRIO

INVESTIMENTOS: RISCO BRASIL X RISCO USA - NOS PAÍSES RICOS O RISCO É MAIOR

São Paulo, 30/01/2010 (revisado em 11/10/2010)

Referências: Crise Econômica e Financeira Mundial, Risco Sistêmico - Falências Encadeadas, Fragilidade do Dólar e do FMI - Fundo Monetário Internacional, Balanço de Pagamentos - As Contas Nacionais e os Déficits Externos, Orçamento Público (Déficit Interno), Dívida Pública e Privada, Interna e Externa. Feudalismo: Os Estados Unidos como emissor e controlador do Padrão Monetário (Seigniorage = Senhoriagem) Bancarrota do Senhorio Monetário (Senhor Feudal). Falência ou Insolvência = A Falta de Liquidez dos Países Desenvolvidos. Os Gastos Públicos e o Aumento do Tributos Corporativos (dos Empresários). Internacionalização do Capital nos Paraísos Fiscais - As Ilhas do Inconfessável. A vida com o Dólar Fraco.

Texto sem data, provavelmente escrito no ano de 2005 quando o Governo BUSH passou a ter como Secretária de Estado Condoleezza Rice. Publicado pelo site SNC - Soliday News Center - Notícias da Suíça, tendo como autor Miguel Otero, traduzido para o português de Portugal por Arlete F. Kaufmann, comentado e adaptado ao português falado no Brasil por Americo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19.750.

Veja o texto intitulado "A Vida com o Dólar Fraco" publicado em 2007
 e veja o vídeo a seguir, publicado pelo GLOBO RURAL em 07/03/2010,
que estava disponível no site GLOBO.COM, intitulado

PRODUTORES TROCAM DÓLAR POR REAL, EM GOIÁS.

OS CRÔNICOS DÉFICITS DOS ESTADOS UNIDOS E A CHEGADA DO EURO

Muito se falou nos últimos tempos nos meios de comunicação [mídia] sobre a notória desvalorização do dólar, mas não foram explicadas as razões desta queda. A moeda americana está tão baixa porque assim interessa à Reserva Federal dos Estados Unidos (FED - Banco Central Norte-Americano) para paliar os déficits que tem seu país, mas a principal causa do declive do dólar se encontra na chegada do euro, no que o economista Robert Mundell qualificou como o maior ataque a hegemonia monetária dos Estados Unidos nos últimos trinta anos [até 2005]. Não é a primeira vez que o dólar sofre depreciação. Desvalorizações similares aconteceram aproximadamente uma vez em cada década: 1971-1973, 1978-1979, 1985-1987 e 1994-1995. Mas naquelas ocasiões, o bilhete verde [ a nota verde - o dólar como título de crédito] não tinha rival. Aos inversores [investidores] não restava outro remédio que o de esperar tempos melhores, algo que mudou radicalmente com a chegada da união monetária europeia.

Para entender como é possível que os Estados Unidos seja o país mais poderoso do mundo e ao mesmo tempo o maior devedor, com uma dívida externa superior aos 7 mil bilhões (trilhões) de dólares [segundo o site Index Mundi , aumentada para 12 trilhões de 2008, aproximadamente igual ao PIB norte-americano] e um déficit comercial e público rondando os 500 bilhões de dólares por ano, faz-se necessário explicar o conceito de senhorio monetário (seigniorage) internacional do dólar [os Estados Unidos como emissor e controlador do padrão monetário internacional].

OS ESTADOS UNIDOS COMO SENHOR FEUDAL DO MUNDO INTEIRO

"Seigniorage" (senhoriagem) é o lucro resultante da diferença entre o custo físico do dinheiro (produção gráfica, impressão, distribuição e substituição do dinheiro velho ou danificado) e o seu valor de face (valor nominal). Segundo o Dicionário Aurélio, durante o regime feudal a senhoriagem era o tributo pago ao senhorio (senhor feudal) e no regime monárquico a senhoriagem era o direito pago ao rei pela cunhagem de moedas.

De modo semelhante ao que acontecia nas antigas monarquias e nos feudos, desde a instituição do FMI - Fundo Monetário Internacional os Estados Unidos são os distribuidores da moeda internacional por excelência, tanto como meio de troca, de reserva e de contrato, e esta faculdade lhes oferece um "privilégio exorbitante", como disse um dia Charles de Gaulle. Imprimir um bilhete [uma nota] de um dólar custa aos Estados Unidos 3 centavos de dólar, mas com esta nota, com valor nominal de um dólar, aquele país pode comprar produtos por valor real de outro dólar. Isto significa que, ao importar, os Estados Unidos conseguem bens em valor 33 vezes maior que o custo inicial do dólar, porque desde o início da década de 1970 o dólar deixou de ter lastro em ouro ou reservas internacionais. Diante desse fato, podemos dizer que o dólar tornou-se o único papel moeda sem lastro. Como explica Guglielmo Carchedi, do ponto de vista estritamente econômico, aos Estados Unidos não interessa exportar. Sem as exportações, muitas empresas norte-americanas iriam a bancarrota [falência], mas a apropriação do valor [em bens importados] para o país seria imensa. Com esse papel moeda sem lastro, além de bens de consumo, os Estados Unidos conseguem comprar empresas e muitos outros bens patrimoniais no exterior.

Diante do exposto torna-se importante salientar que o papel-moeda denominado dólar pode ser considerado um título de crédito que não paga juros e não tem data de vencimento para seu resgate ou liquidação. O resultado do investidor (lucro ou prejuízo) dependerá exclusivamente de cotação do dólar no mercado cambial. Isto é, a moeda norte-americana tornou-se um título da dívida externa daquele país emissor, cujos credores são as pessoas e empresas que a detenham e os países que a tenham como reserva monetária.

Para obter outras informações, veja o texto intitulado Os Estados Unidos e a Conversão da sua Dívida.

De todas as formas, as vantagens do senhorio monetário internacional não se limita ao campo comercial. O maior benefício dos Estados Unidos está na forma de pagamento de sua dívida externa. Ao ser o dólar a moeda internacional, o mercado dos bônus do tesouro com maior volume de emissão e com maior liquidez no mundo está em Wall Street [em Nova Iorque, que é o principal centro financeiro ianque]. Isto quer dizer, por um lado, que o país denominado Estados Unidos é o único no mundo que tem o direito de pagar sua dívida em sua própria moeda (por isso ao FED interessa que o dólar esteja baixo).

Na verdade a dívida externa norte-americana nunca é paga e nunca será porque é automaticamente renovada. Os títulos e a moeda representativos da dívida são sempre substituídos por outros, numa espécie de eterna moratória. Assim, as autoridades monetárias norte-americanas podem decidir por sua própria conta qual será o percentual dos juros da dívida que desejam pagar, o qual tem sido historicamente baixo, rondando os 2% ao ano.

Resumindo então, o senhorio internacional [senhor feudal emissor e controlador] do dólar faz com que o povo estadunidense seja o maior consumidor no mundo [razão do seu elevado padrão de vida], como demonstra a balança comercial de seu país, enquanto o país é o mais endividado, com uma dívida privada que atualmente [em 2005] representa 110% da renda familiar norte-americana, ou seja, cada americano deve em média 20.000 dólares aos credores. No final de 2008 a dívida subiu para 40 mil dólares por indivíduo, proporcionalmente, muitas vezes superior à dívida brasileira que muitos consideravam como catastrófica.

Assim, comparando-se o Risco Brasil com o Risco USA, o investimento no Brasil é menos arriscado porque o Brasil tem o que exportar enquanto que os "States" não têm preços competitivos para exportar.

UM PAÍS RICO QUE NÃO TEM COMO PAGAR SUA DÍVIDA

Então, o leitor se perguntaria: Como isto é possível? Como pode estar os Estados Unidos tão endividados? Ou melhor: Quem oferece tanto dinheiro aos estadunidenses? Por quê?

As respostas para essas questões são encontradas nos dois claros exemplos citados pelo autor mais adiante.

Os maiores credores dos Estados Unidos no momento são os bancos centrais [os países ou os governos] do leste asiático, principalmente Japão e China, como também a Coréia do Sul. Os investidores europeus não ficam atrás e diversos países em desenvolvimento, como o Brasil, toraram-se credores a partir de 2005 mediante o acúmulo de elevadas reservas monetárias em dólares oriundas das exportações. A estes países, que são os principais exportadores do mundo, interessa que o dólar esteja alto e que suas respectivas moedas estejam desvalorizadas para que possam exportar mais. Por isto, os bancos centrais asiáticos contavam com cerca de 1,6 trilhões de dólares em reservas em 2005, dando liquidez à nota verde [Nota de Crédito Comercial denominada Dólar], que sem essa manipulação de seu preço no mercado financeiro internacional desabaria totalmente [perderia o seu poder liberatório]. Se essa desastrosa desvalorização do dólar acontecer, os países credores perderão suas reservas monetárias, porque o dólar se tornaria um TÍTULO PODRE que ninguém mais compraria.

Veja o texto intitulado Risco Brasil X Risco USA.

Da mesma forma como têm feito outros países para evitar a desvalorização do dólar e a consequente perda de suas respectivas reservas monetárias, algum tempo antes de deflagrada a Crise Mundial provocada pelos Estados Unidos, o governo brasileiro alterou o RMCCI - Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, permitindo que os nossos exportadores deixem seus dólares depositados ou investidos no exterior. Assim fazendo, o governo brasileiro diminuiu a pressão de venda dos dólares que acarretaria a redução de seu valor no mercado cambial brasileiro. Se a cotação do dólar diminuir, automaticamente incentivará as importações de supérfluos pelas classes sociais mais ricas e desestimulará as exportações brasileiras, gerando desemprego, tal como aconteceu durante o Governo FHC.

Neste ponto trona-se obrigatório salientar que os gestores da política econômica e monetária do Governo FHC tinham como política anti-inflacionária a manutenção do preço baixo do dólar. Assim foi feito porque naquela época os citados gestores já sabiam que os empresários brasileiros fixavam os preços de venda de seus produtos no mercado interno com base na cotação do dólar. Portanto, quanto mais alta fosse a disparada do preço do dólar, maior seria a inflação.

Então, torna-se importante destacar que durante o Governo Lula as exportações foram incrementadas exatamente em razão da disparada do preço do dólar acontecida no final do Governo FHC.

Veja mais informações em Balanço de Pagamentos.

O alto preço do dólar, além de ter provocado o aumento das nossas exportações, possibilitou a redução do desemprego, possibilitando também o aumento do padrão de vida do novo povo, ainda que de forma pouco satisfatória. Foi quando os gestores de nossa política cambial perceberam que a maior oferta dos dólares pelos exportadores no mercado cambial brasileiro obrigaria o governo a comprar grandes quantidades daquele papel moeda sem lastro para evitar a sua brusca desvalorização. De outro lado, essa compra significaria colocar mais moeda brasileira em circulação. Segundo a teoria econômica, esse rápido aumento do meio circulante causaria o retorno da inflação interna que estaria sendo exportada dos Estados Unidos para cá.

Essa nova forma de pensar e agir do governo brasileiro surtiu efeito positivo, visto que o consumo interno aumentou, houve a diminuição do desemprego e houve o aumento da produção. Por sua vez, o grande aumento da produção evitou o retorno da inflação em razão da maior oferta de produtos para venda, aguçando, assim, a competitividade entre os empresários produtores. Mesmo com a maior competitividade, os controladores das empresas produtoras ficaram satisfeitos porque houve aumento de seus lucros com o consequente aumento da arrecadação tributária sem que houvesse uma verdadeira elevação da carga tributária mediante o aumento de impostos.

Pelo contrário, a CPMF (imposto sobre as movimentações financeiras) foi extinta e vários outros impostos foram reduzidos como o IPI e o ICMS. Também foi reduzida a taxa de juros paga pelo governo brasileiro, diminuindo o gasto público que beneficiava exclusivamente os detentores do poder econômico. Esse valor economizado pode, então, ser aplicado em outras atividades produtivas em benefício da população. Com essa grande entrada de reservas monetárias oriundas das exportações, o Brasil pagou sua dívida sem a necessidade de renovação dos empréstimos externos e, contrariando a teoria econômica arcaica e totalmente ultrapassada da Cartilha do FMI, não houve inflação significativa.

Agora, para que essas reservas monetárias não sejam perdidas pela sua iminente desvalorização, é preciso usá-las na importação de bens de produção que não possam ser imediatamente produzidos no Brasil. Grande parcela dessas reservas monetárias deve ser utilizada para comprar de bens de produção e equipamentos que permitam o rápido aumento da pesquisa científica e tecnológica no Brasil. É preciso também que as matérias primas exportadas "in natura" passem a ser industrializadas, manufaturadas ou beneficiadas no Brasil criando empregos em nosso território e deixando de criar postos de trabalho somente no exterior.

Vejamos, então, os exemplos sugeridos pelo articulista.

Uma empresa como a Sony vende seus produtos em dólares, a moeda internacional, mas estes dólares não vão parar no Japão... Logo, a maioria dos dólares recebidos pelas multinacionais asiáticas não fluem em seus países de origem, porque vai diretamente para o sistema bancário estadunidense para financiar a dívida externa daquele país.

O segundo exemplo da centralidade do dólar, como moeda internacional que outorga numerosos privilégios aos Estados Unidos, é a venda de petróleo. O petróleo é vendido no mundo inteiro em moeda americana, o que é outra grande vantagem, porque as autoridades estadunidenses não precisam comprar qualquer outra moeda ao câmbio do dia (valor de mercado) nem tem que acumular grande quantidade de reservas em moeda estrangeira, como é o caso dos outros bancos centrais. Mas, não é somente isto. O ciclo da venda de petróleo claramente beneficia os Estados Unidos: os países exportadores de produtos industrializados como o Japão, Alemanha ou França exportam para os Estados Unidos, o maior consumidor, que os paga em dólares que tem o custo de impressão e distribuição equivalente a 3 centavos de dólar. Esses dólares são usados depois pelos países exportadores para comprar petróleo dos países árabes da OPEP, que por sua vez investem os dólares na Wall Street para financiar a dívida externa dos Estados Unidos. Esse fluxo do dólar é conhecido como a reciclagem dos petrodólares.

Os dois exemplos aqui mencionados demonstram como foi construída a hegemonia financeira dos Estados Unidos, totalmente sem lastro em reservas monetárias ou ouro. O sistema econômico e financeiro mundial está inclinado de tal forma que os Estados Unidos podem consumir e gastar muito além de suas possibilidades de pagamento a custa do trabalho e da economia do restante do mundo. O sistema financeiro estabelecido em Wall Street funciona como um imenso imã que gera muitos investimentos, permitindo que os Estados Unidos se dêem ao luxo de desenvolver a sua agressiva política exterior de dominação militar, como é possível ler no projeto New American Century, embora amargue pesado e crônico déficit corrente anual correspondente a 5% de seu PIB. Parece que esse marco vai mudar com a consolidação da moeda européia. O euro, tal como predizem muitos economistas, entre eles o destacado Fred C. Bergste, se converterá em um sério rival do dólar no rol internacional e disto deu-se conta prontamente Sadam Husein quando no ano 2000 começou a vender seu petróleo aos europeus em euros.

Não resta dúvida de que a união monetária européia é o maior ataque à hegemonia financeira dos Estados Unidos nos últimos trinta anos [até 2005]. A União Européia já é um gigante econômico com praticamente o mesmo PIB dos Estados Unidos, sendo, em consequência, um claro competidor financeiro. Quando o euro começou a circular na Europa, era vendido a 80 centavos de dólar. Atualmente uma unidade monetária do Euro só é possível comprar com bem mais de um dólar. Isto significa que houve grande desvalorização da moeda norte-americana.

A progressão da moeda européia foi formidável para os analistas. Seu uso não somente se limita aos 300 milhões de habitantes que formam a eurozona [população equivalente a dos Estados Unidos]: com a estrepitosa desvalorização do dólar, o euro já está ganhando terreno ao bilhete verde [nota verde] como primeira moeda estrangeira nos países do leste da Europa, na Rússia e parte da Ásia, e sua entrada no Oriente Médio não se fez esperar. Iraque já vendia seu petróleo em euros (quiçá por isto foi atacado), Irã está fazendo o mesmo agora (por isto é o chefe do mal) e a OPEP já assinalou a possibilidade de vender o petróleo na moeda da União Européia, seu maior sócio comercial.

O FED evidentemente sabe que, com a chegada do euro, o senhorio internacional do dólar [lucro com a distribuição do dólar como padrão monetário internacional] está em perigo.

COMO MANTER O ALTO PADRÃO DE VIDA DE SEU POVO MEDIANTE EMPRÉSTIMOS EXTERNOS?

A manutenção do alto padrão de vida de seu povo mediante a obtenção de empréstimos internacionais foi o caminho preferido pelos governantes de Dubai e da Islândia quando perceberam que dessa forma agiam os governantes norte-americanos. Pediram dinheiro emprestado no exterior para importar bens de consumo quando deveriam investir o dinheiro obtido dos credores externos para implantação de unidades industriais e agropecuárias que produzissem para exportação e para o consumo interno em substituição às importações. Diante dessa má gestão da política econômica interna e externa dos citados países, inclusive os Estados Unidos, aconteceu a bancarrota (insolvência) dos mesmos, exatamente porque seus governantes não pensaram em criar as condições necessárias à acumulação das reservas monetárias necessárias ao pagamento da dívida externa.

Diante das falências encadeadas (risco sistêmico) acontecidas nos Estados Unidos a partir de 2008 em razão da inconsequente especulação no mercado de capitais da Wall Street e no mercado imobiliário ianque que gerou a Crise Mundial, o povo estadunidense por fim se deu conta de que não pode seguir vivendo a custa dos demais países e que deve fazer como a maioria deles sempre fez sob a batuta do FMI. Os Estados Unidos precisam e devem inverter o seu elevado déficit (interno) no Orçamento Público, mediante a redução ou eliminação de gastos supérfluos e o aumento dos tributos corporativos, devendo também inverter o seu déficit (externo) no Balanço de Pagamentos importando menos e exportando mais. É óbvio que os principais países exportadores para os Estados Unidos, como a China principalmente, sofrerão com a redução das importações norte-americanas. Mas esses países exportadores felizmente, para eles, têm grande população que ainda não está acostumada a consumir por falta de salários dignos e justos. Ou seja, o que não mais for exportado para os Estados Unidos poderá ser consumido pelos habitantes dos países exportadores.

Historicamente, o país hegemônico, a partir de 2008 em franca decadência, sempre recorreu aos frutos do sistema econômico que impôs ao mundo por intermédio do FMI - Fundo Monetário Internacional. Até os dirigentes russos e chineses se subordinaram ao abano das verdinhas fabricadas pelos ianques, exibidas em grande quantidade pelos lobistas internacionais. Mas chegou o momento em que os “rivais” de devedores tornaram-se credores dos Estados Unidos (antes eram importadores e agora são exportadores de bens de consumo) . Portanto, aos ianques não resta outro remédio que o de reformular suas estruturas. O FED crê que com o dólar baixo as exportações estadunidenses serão aumentadas e, assim, se equilibrará a balança comercial, no Balanço de Pagamentos. E a Administração Bush indicou que seu plano de governo se concentraria em combater déficit público em cinco anos. Grandes palavras de Bush quando a economia americana começava a estancar-se (porque os impostos corporativos - cobrados das empresas - estavam muito baixos, a mínimos históricos), a inflação espreitava, os juros das dívidas tendiam a subir, a geração baby-boom dos [geração nascida nos] anos 60 chegava à sua idade de jubilação [de aposentadoria = de sair do mercado de trabalho], o conflito do Iraque não estava resolvido e a Condoleezza Rice afirmava que iam atacar ao Irã, entretanto atacaram o Afeganistão.

CONCLUSÃO

Os Estados Unidos e os demais países desenvolvidos estão com um problema econômico teoricamente sem solução a persistir o sistema capitalista neoliberal (sem controle governamental) que é totalmente contrário àquele preconizado por Keynes, que defendia a tese do rígido controle governamental sobre a economia. Corroborando com essa ideologia de Keynes, em 2009 a Assembléia Geral da ONU concluiu ser a teoria ideal para aplicação principalmente sobre as entidades do sistema financeiro em todos os países. Mas, esse maior controle não será possível sem O Fim dos Paraísos Fiscais denominados como Ilhas do Inconfessável, onde é processada a internacionalização do capital com base na teoria anarquista de que "o capital não tem pátria". Isto significa que nenhum país será realmente viável sem a existência do patriotismo (amor à pátria), sendo verdadeiramente patriota aquele que se preocupa em servir à nação, deixando de lado os seus mesquinhos interesses particulares da simples acumulação de riqueza em detrimento de outrem, como por exemplo a exploração da direta ou indireta da escravidão dos menos favorecidos.

Um texto interessante foi publicado em 17/01/2010 pelo jornal Folha de São Paulo e pode ser lido no site da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Articulista mostra que Nos Países Ricos, o Risco Para os Investimentos Externos é Maior. Veja também o texto em que serviu de base para o acima escrito, intitulado Os Déficits dos Estados Unidos e a Chegada do Euro.