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A DERROTA DO CAPITALISMO MEGALOMANÍACO DE DUBAI

A DERROTA DO CAPITALISMO MEGALOMANÍACO DE DUBAI

DEPOIS DOS STATES, DUBAI TAMBÉM QUEBROU

São Paulo, 26/11/2009 (Revisado em 28-03-2015)

Referências: Moratória, Calote da Dívida, Capitalismo Selvagem, Bolsas de Valores, Mercado de Capitais, A Megalomania dos Novos Faraós (executivos e acionistas controladores das empresas), As Multinacionais e suas Fraudes contra Investidores. Devemos Aumentar da Taxa de Juros para Combater a Inflação, Déficits Públicos, Os Gastos Públicos com os Juros da Dívida Causam a Bancarrota (Falência, Insolvência). Fardo da Dívida. Déficit Orçamentário e Balanço de Pagamentos. Mercenários da Mídia (Meios de Comunicação) aliados aos Profissionais do Mercado que promovem a manipulação de preços ou a criação de condições artificiais de procura, oferta ou preço de valores mobiliários e imobiliários. Especulação Imobiliária.

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

A QUESTÃO: CONTADORES OU ECONOMISTAS - QUEM ESTÁ COM A RAZÃO?

O site da Rede Bandeirantes de Televisão publicou em 26/11/2009:

O governo de Dubai tentou tranquilizar os mercados nesta quinta-feira [26/11/2009] afirmando que seu pedido de moratória do pagamento da dívida da estatal Dubai World é necessário para "encarar o fardo da dívida".

NOTA DO COSIFE:

O "fardo da dívida" são juros pagos aos investidores, que o governo brasileiro precisou diminuir para não falir. Podemos notar que, depois da redução dos juros, tudo ficou mais fácil e o Brasil passou a se desenvolver, embora os comentaristas econômicos a serviço dos capitalistas tenham dito que a diminuição dos juros causaria inflação. Isto é: Eles não entendem nada de economia, digo, de contabilidade de custos. Os comentaristas econômicos, como quaisquer outros mercenários, só estão defendendo os interesses mesquinhos de seus patrões.

"Entendemos as preocupações do mercado e dos credores", declarou em comunicado o presidente do Comitê fiscal supremo, xeque Ahmed ben Said al-Maktum.

"Entretanto, tivemos que intervir devido à necessidade de empreender uma ação decisiva para encarar o fardo da dívida", explicou.

Vários mercados internacionais fecharam em baixa nesta quinta-feira, no dia seguinte ao anúncio da intenção de Dubai de pedir aos credores de seu conglomerado Dubai World, o maior e mais endividado, que controla o gigante do setor imobiliário Nakheel, uma moratória de seis meses do pagamento da dívida, até maio de 2010.

MERCADO IMOBILIÁRIO EM SÃO PAULO

Diante desses fatos podemos afirmar: Todos os conglomerados que estão fazendo obras faraônicas vão quebrar.

Não há como obter lucro em obras tão caras e com custo de manutenção extremamente elevado.

É o que também pode acontecer com as empresas imobiliárias em São Paulo, que estão fazendo obras de alto luxo para venda por preços exorbitantes, gastando rios de dinheiro em propaganda.

Que esse fato agora ocorrido com Dubai sirva de exemplo para aqueles investidores que estão comprando ou que estejam interessados em comprar unidades nos também faraônicos lançamentos imobiliários na cidade de São Paulo.

É importante investir, mas com o pé no chão, deixando de lado a especulação imobiliária que quebrou os Estados Unidos da América e agora pode paralisar o exuberante crescimento de Dubai.

A MEGALOMANIA DOS CAPITALISTAS CAUSA PREJUÍZOS AOS INVESTIDORES

A grande verdade é que os capitalistas espertos nunca investem o seu próprio dinheiro em negócios que eles mesmos não acreditam que sejam viáveis. Como não têm verdadeira capacidade para planejar e administrar, tornam-se meros aventureiros, copiando experiências alheias enquanto aquelas forem aparentemente bem sucedidas. Então, para não correrem o risco de ficarem pobres, procuram os investidores incautos para vilmente enganá-los.

Isto aconteceu também com as empresas MULTINACIONAIS norte-americanas que fraudaram suas Demonstrações Contábeis para enganar investidores, o que resultou na quebra (bancarrota) do país símbolo do Capitalismo Selvagem (os Estados Unidos da América). Neste caso, as empresas são consideradas MULTINACIONAIS porque buscam investimentos de incautos em todos os continentes e principalmente o dinheiro dos novos ricos (os emergentes).

Pois, é. Aliados aos mercenários da mídia e aos profissionais do mercado fica fácil iludir os crédulos. Para isso, associados ou mafiosos, eles promovem a manipulação de preços ou a criação de condições artificiais de procura, oferta ou preço de valores mobiliários ou de bens imobiliários.

Tudo muito engraçado, disse meu filho, embora não seja nada engraçado ver pessoas enganadas perdendo seu rico dinheirinho em investimentos faraônicos de difícil recuperação, porque são extremamente caros e com custo de manutenção exorbitante. Logo, em razão desse alto custo, não é possível obter lucro porque são poucas as pessoas ou conglomerados de empresas que poderão pagar o preço por eles cobrado pela venda ou pela utilização do fruto de seus delírios megalomaníacos.

É interessante relembrar que a mídia (direitista) mostrava Dubai como um exemplo de organização, administração, progresso, engenharia e tecnologia, que deveria servir como padrão para o novo mundo em desenvolvimento, o que incluiria o Brasil, que, segundo essa mídia direitista, está sendo pessimamente governado.

E agora? É fácil responder: "Morderam a Língua".

Medo de Calote em Dubai Despenca Bolsas pelo Mundo

Veja a seguir o vídeo do Jornal da Globo de 26/11/2009.


É interessante salientar o que foi dito no vídeo acima,
quando o comentarista Jorge Pontual chega a se referir de forma sarcástica ao
"Ali Babá e Seus Quarenta Ladrões"

No vídeo a seguir, também do Jornal da Globo , o comentarista Carlos Alberto Sardemberg afirmou que os "Bônus Islâmicos" emitidos por Dubai foram vendidos no mercado de capitais por preço superior ao de sua emissão e agora valem menos de 70%. Enganando os investidores, como sempre.

Ou seja, os Bônus de Dubai, apesar da riqueza invendável (não negociável) daquele país, valem menos que os títulos da dívida estatal brasileira. É o tal Risco Brasil x Risco Dubai. Isto é, para se pagar a dívida é preciso ter o pé no chão. Os governantes e os empresários não se devem subjugar aos seus delírios faraônicos e megalomaníacos. É preciso levar em consideração se o construído ou a construir será negociável no futuro ou se terá condição de produzir algo ao custo que a grande parte dos consumidores tenha condições financeiras para comprar e pagar.

Carlos Alberto Sardenberg fala sobre o calote de Dubai

Carlos Alberto Sardenberg naquela noite de 26/11/2009 afirmou:
"Dubai acumulou muitas dívidas por não ter petróleo como Abu Dhabi".

 Mas, podemos observar que Abu Dhabi também está mal.
É outro dos 7 Estados que formaram aquele país denominado Emirados Árabes Unidos.

AS ESTRATÉGIAS DO MARKETING IMOBILIÁRIO

Como foi explicado em outras palavras, o acontecido em Dubai assemelha-se ao que assolou os STATES devido a excessiva valorização dos imóveis (especulação imobiliária). Logo depois, os imóveis desvalorizaram abruptamente porque não havia quem quisesse ou pudesse pagar tão elevado preço.

A diferença básica em relação ao acontecido nos STATES é que em DUBAI o risco do investimento em imóveis é muito maior exatamente por falta de compradores nacionais. Somente estrangeiros teriam condições de investir num país em que pouquíssimas pessoas ou empresas têm dinheiro para tal. A concentração da renda em Dubai é muitas vezes superior à existente no Brasil.

Aqui em São Paulo, como também já foi mencionado, provavelmente vai acontecer o mesmo, porque as imobiliárias estão gastando elevadas somas em campanhas publicitárias (de marketing) somente com o intuito de alavancar o preço de venda de seus imóveis em construção. Mediante propaganda enganosa é fácil enaltecer os ganhos em qualidade de vida ou profissional e os lucros futuros que subjetivamente serão proporcionados aos compradores. Porém, quem de fato vai determinar o verdadeiro preço de mercado será o bolso do consumidor. Se houver dinheiro sobrando no bolso, o que efetivamente não há, o imóvel será vendido; se não houver dinheiro, o consumidor tenta conseguir um financiamento ou simplesmente não compra.

E, diante do acontecido nos Estados Unidos e agora em Dubai, nenhum banqueiro estará disposto a financiar imóveis de alto padrão. Ou seja, o empresário que de fato quiser vender, vai perder dinheiro, pois só conseguirá consumidores na classe social inferior (subprime) a daquele público-alvo a que se destinava o marketing imobiliário.

Assim, dentro desse raciocínio lógico, eleva-se substancialmente o risco para o empresário e para o investidor de não obter o retorno pretendido. Isto já se observa em várias cidades do litoral de São Paulo.

Na verdade os profissionais do marketing (propaganda e publicidade) sempre utilizam a propaganda enganosa como forma de aguçar os sonhos de consumo de todo ser humano. E o maior sonho da classe média é a compra de bom Carro e de ótima Moradia que na realidade o seu salário não poderia comprar. Por isso, muitos ficam endividados e se tornam inadimplentes, colocando em risco toda a conjuntura econômica, que se deteriora no chamado "risco sistêmico", quando ocorrem as inadimplências, as insolvências e falências encadeadas e as moratórias (os calotes da dívida).

Essa é uma estratégia de marketing tipicamente norte-americana. Baseia-se no famoso "American Dream" (o sonho norte-americano) de consumo.

Veja a seguir a versão de texto em inglês, obtido em site do exterior, sobre o American Dream, segundo interpretação dada ao termo escrito originalmente por James Truslow Adams em seu livro "A Epopéia da América", editado em 1931.

O sonho americano é o de ter um lugar em que a vida seja melhor, mais rica e mais plena com oportunidade para todos, de acordo com a sua capacidade de realização.

Não é um sonho de automóveis e de altos salários apenas, mas, um sonho de ordem social em que cada ser humano deve alcançar a plena satisfação da qual é inatamente capaz, independentemente das circunstâncias fortuitas de nascimento ou de posição.

Muitos americanos têm desconfiado dessa diretiva, porque não é o que se observa na prática.

Alguns dizem, que o verdadeiro sonho americano tornou-se a busca da prosperidade material. Por isso, as pessoas trabalham mais horas para obter carros maiores, casas extravagantes, os frutos da prosperidade para suas famílias. Mas, por excesso de trabalho, têm menos tempo para desfrutar da sua prosperidade.

Outros dizem que o sonho americano está além do alcance dos trabalhadores pobres que precisam trabalhar em dois empregos para garantir a sobrevivência da sua família.

No entanto, outros olham em direção a um novo sonho americano, com menos foco no lucro e mais ênfase em uma vida simples e gratificante.



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