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OS ETERNOS SERVIÇAIS DOS NOSSOS COLONIZADORES

OS ETERNOS SERVIÇAIS DOS NOSSOS COLONIZADORES

ENTENDA POR QUE OS OPOSICIONISTAS NÃO QUEREM O DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO

São Paulo 11/03/2015 (Revisado em 12-08-2017)

Referências: Golpe de Estado, Morosidade da Justiça, Capitalismo Bandido dos Barões Ladrões - Impatriótico Lema dos Grandes Empresários Privados - Corruptores de Servidores Públicos e de Políticos.

ENTENDA POR QUE OS OPOSICIONISTAS NÃO QUEREM O DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Primeiramente é preciso dizer que a nossa elite oligarca sempre esteve a serviço dos nossos colonizadores, razão pela qual desde o nosso Grito de Independência vem impedido o progresso do Brasil para que, juntamente com os demais membros do grupo BRICS (Brasil, Rússia, China e África do Sul), não tome as rédeas do mercado mundial de matérias-primas essenciais aos chamados de países desenvolvidos.

Lembre-se do que aconteceu na década de 1970, quando os árabes já controlavam o mercado mundial de petróleo e com seus petrodólares acumulados queriam comprar as principais empresas europeias e norte-americanas. Impedidos de comprar aquelas empresas, os países participantes da OPEP - Organização dos Países Produtores de Petróleo manifestaram-se pela troca dos seus dólares por ouro. Assim, o preço do ouro subiu de US$ 32 a onça para mais de US$ 800. Mesmo vendendo o ouro a US$ 800 os norte-americanos não tinham a quantidade suficiente de ouro para entregar aos árabes.

Em razão desses fatos, os Estados Unidos acabaram com o Padrão Ouro para o Dólar porque não havia ouro suficiente para resgate dos dólares que circulavam pelo mundo afora. Isto significa que naquela ocasião o dólar já era uma moeda sem lastro.

Então, em contraposição àquela verdadeira rebelião antiamericana promovida pelos árabes, começaram os ataques bélicos estadunidenses àqueles países, principalmente contra aqueles que haviam estatizado a sua produção de petróleo (Irã, Iraque e Kwait).

Hoje em dia, como os States estão falidos, não têm dinheiro para gastar em novas guerras imperialistas. Novas emissões de dólares ou de títulos públicos seriam desastrosas para os norte-americanos. O dólar iria para o buraco, viraria pó, em razão da imensa dívida interna e externa dos ianques.

No Brasil, defendendo os interesses dos nossos eternos colonizadores, principalmente a Inglaterra e os Estados Unidos, a nossa elite oligárquica na década de 1950 apresentou-se como contrária à constituição da Petrobras na qualidade de empresa estatal monopolizadora da produção de petróleo.

Para que o povo combatesse as más intenções dos ferrenhos adversários do Brasil, surgiu a campanha intitulada "O Petróleo É Nosso", encabeçada pelo Presidente da República Getúlio Vargas. Como principal opositor à estatização da produção de petróleo estava Carlos Lacerda (com seu jornal Tribuna da Imprensa) que defendia os interesses mesquinhos dos membros na nossa elite oligárquica, os quais agiam como serviçais classistas de verdadeiros Senhores Feudais (Inglaterra e Estados Unidos).

Entretanto, os opositores de sempre ainda nos dias de hoje não desistiram dos seus impatrióticos intentos. A partir de 1990, durante o Governo Collor, começaram a privatizar as empresas controladas pelo BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, as quais foram quase todas adquiridas por estrangeiros. Depois de realmente privatizadas (não eram concedidas) muitas delas tiveram suas atividades encerradas para não concorrerem com as multinacionais, assim aumentando as nossas importações de produtos acabados, transformando novamente o Brasil em dependente dos países hegemônicos.

Os milicos tinham incentivado a industrialização justamente para substituição das importações de supérfluos tão danosas ao nosso Balanço de Pagamentos. A partir do Governo Collor passou a ser feito o inverso.

Desse jeito a nossa elite impatriótica vem eternizando o Brasil como mero exportador de matérias-primas e como importante importador de produtos acabados, criando empregos no exterior e deixando os desempregados brasileiros numa irreversível miséria, situação essa que começou a ser revertida a partir de 2003. Por esse motivo, os contrários a um Brasil melhor para o nosso Povo têm tanta raiva do PT.

Em razão de tal estratégia dos nossos escravocratas, impedindo a criação de empregos no Brasil, as favelas cresceram assustadoramente, assim como a criminalidade. Durante o Governo FHC o índice recorde de desemprego chegou a 20%, tal como está acontecendo em alguns países da Europa depois de 2011.

Diante do exposto, parece lógico que os oposicionistas de sempre, agora a serviço da Nova Ordem Mundial comandada pelos magnatas escondidos em paraísos fiscais, pretendem entregar para eles o controle das grandes empresas estatais que ainda nos restam, tal como prometeu fazer Armínio Fraga durante a campanha para eleição de Aécio Neves como Presidente da República em 2014.

Vejamos no texto a seguir, o que um dos presidentes da Petrobras (de 2005 a 2012) escreveu no Le Monde Diplomatique que é publicado na França desde 1954 e tem 71 edições internacionais em 25 idiomas com tiragem mensal superior a 2 milhões de exemplares.

PRÉ-SAL, PETROBRAS E DESENVOLVIMENTO NACIONAL: ENTENDA POR QUE ALGUNS (SEMPRE OS MESMOS) NÃO QUEREM

Por José Sergio Gabrielli de Azevedo - professor aposentado da UFBA e ex-presidente da Petrobras (2005-2012). Publicado em 05/03/2015 no site do Le Monde Diplomatique (Brasil). Com anotações e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

O interesse por trás do ataque à Petrobras

Os opositores são os mesmos que foram contrários à existência da Petrobras na década de 1950. O viés político que se vê em alta no ataque à companhia [Petrobras] é infinitamente mais perverso para o futuro do país se comparado aos atos ilícitos até aqui descobertos. É dever cívico de todo brasileiro alertar e deixar claro a quem interessa que há [exista, haja] uma Petrobras frágil [aos interesses de nossos eternos colonizadores econômicos].

A Petrobras foi posta em uma encruzilhada histórica, e os desdobramentos da investigação da Justiça e de futuras decisões administrativas podem colocar em xeque não só o legado dos últimos anos, mas também a sobrevivência da companhia como big player [grande agente] do mercado [mundial] e a política de Estado que projeta um futuro promissor garantido pelo pré-sal.

Não se trata de uma previsão catastrofista [de catástrofe à vista], e sim de um alerta da real necessidade de depurar toda a onda de ataques à imagem e à reputação da [nossa mais importante empresa] estatal e defender seu papel estratégico para o desenvolvimento econômico do país, o legado construído nos últimos doze anos e a sobrevivência de toda sua cadeia produtiva.

NOTA DO COSIFE:

Sobre o legado construído nos últimos doze anos o autor do texto quis lembrar que durante o Governo FHC a Petrobras foi propositalmente desarticulada para justificar a sua privatização. Do mesmo modo foi feito com todas as empresas que foram privatizadas. Porém, a privatização da Petrobras só seria possível com a alteração da Constituição Federal de 1988, o que não foi conseguido plenamente.

Então, a partir de 2003 a Petrobras foi de fato reativada e passou a colocar em prática os projetos de pesquisa tecnológica elaborados no passado. Como resultado positivo, já em 2006 foi descoberto o Pré-Sal.

Na década de 1950, os russos diziam que no Brasil o petróleo estaria numa profundidade muito grande. Naquela época não havia tecnologia para tal exploração. Pensando no futuro, a Petrobras durante todos esses anos sempre buscou essa necessária tecnologia, sendo nos dias de hoje a líder mundial.

Pouco tempo antes, os técnicos norte-americanos disseram que não havia petróleo no Brasil.

Desde 2003, a gestão da Petrobras levou em consideração que o Estado brasileiro tinha uma política de longo prazo de fortalecer os interesses da União na exploração e produção de petróleo, fomentar o crescimento de vários setores da indústria brasileira e promover o desenvolvimento social. Com a potencialidade de desenvolvimento da produção de petróleo, o Estado brasileiro queria diminuir o risco da doença holandesa de ficar somente dependente dele.

NOTA DO COSIFE:

Em suma, no que se refere à "doença holandesa", na década de 1960 a Holanda teve sua moeda supervalorizada naturalmente em razão de suas maciças  exportações de gás natural para os demais países da Europa. Ou seja, as jazidas geravam grande lastro para a moeda holandesa (o Florim), baseado em reservas minerais, enquanto as demais moedas europeias praticamente não tinham lastro. Logo, a moeda holandesa valorizou em relação a dos demais países daquele continente.

Durante o Governo FHC, no Brasil também aconteceu a supervalorização da nossa moeda (o Real), porém, foi feita de forma artificial porque os economistas de plantão acreditavam que a desvalorização da nossa moeda geraria inflação.

Em razão dessa supervalorização da moeda local, tanto no Brasil como na Holanda, aconteceu a redução das exportações e o aumento das importações de bens supérfluos pela alta classe social. Disto resultou a desativação de grande número de empresas exportadoras e de outras que só produziam para o mercado interno. O mesmo que já havia acontecido na Holanda.

Depois da sua reeleição, FHC e seus assessores reconheceram o erro cometido e desvalorizaram a nossa moeda em 100% em janeiro de 1999. Foi quando aconteceu um Desfalque no Banco Central (por extensão no Tesouro Nacional) pelo qual foi condenado a prisão, somente em 2005, o seu presidente do BACEN (àquela época).

Então, tanto na Holanda (na década de 1960) como no Brasil (na década de 1990), em razão da diminuição das exportações e do aumento das importações de supérfluos, aconteceu um grande déficit no Balanço de Pagamentos.

O mesmo vem acontecendo com os países desenvolvidos. Eles vêm enfrentado elevados déficits nos respectivos Balanços de Pagamentos, que resultaram nas suas respectivas falências econômicas, vividas a partir de 2008.

Os verdadeiros culpados de tais falências nacionais foram as empresas privadas pertencentes a inescrupulosos controladores e seus executivos.

Veja o texto O Brasil é Um dos Maiores Paraísos Fiscais do Mundo (Revista Por Sinal de outubro de 2001). Isto aconteceu em razão da política econômica neoliberal adotada pelo Brasil principalmente na década perdida de 1990.

Para evitar os descontroles econômicos que vinham acontecendo no mundo todo, como resultado da anárquica Globalização implantada pelos neoliberais, no Brasil a partir de 2003 havia a necessidade de fortalecer a cadeia de fornecedores, gerar emprego e renda em outros setores e expandir a tecnologia nacional. Com a descoberta do pré-sal, em 2006, essas possibilidades se potencializaram muito mais.

As diretrizes que guiaram a Petrobras até aqui – levando a resultados expressivos tanto financeiros quanto de know-how [liderança, alta experiência e conhecimento prático] em tecnologia [petrolífera] – contrariam sensivelmente aqueles que defendem o modelo privatista [entreguista, antinacionalista] vigente até fins de 2002, o qual desejava a abertura da exploração de uma riqueza brasileira exclusivamente para mãos estrangeiras.

A Operação Lava Jato revelou que as regras de governança empresarial são insuficientes para detectar comportamentos criminosos. Por mais que, até aqui, se saiba que o esquema de corrupção, embora tenha começado confessadamente nos anos 1990, envolva pessoas em acordos ilícitos que ultrapassam as fronteiras de governança [corporativa] de uma empresa, somente a quebra de sigilo [bancário e fiscal, para apuração da origem dos recursos financeiros que possibilitaram os exorbitantes sinais exteriores de riqueza apresentados pelos envolvidos] e as benesses de acordos de delação premiada foram capazes de trazer à tona o modus operandi [modelo operacional] e os valores e percentuais desviados de cada contrato.

NOTA DOS COSIFE:

Tal como já foi publicado neste COSIFE em 20/12/2006, as regras de Governança Corporativa, criadas só para inglês ver, são insuficientes para detectar comportamentos criminosos.

Na realidade, a Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedade por Ações) e o Decreto-lei 2.627/1940 (em seus artigos 124 a 128) já atribuíam a dita governança corporativa ao Conselho Fiscal.

Porém, o Conselho Fiscal não vem desempenhado sua importante missão porque os controladores das empresas e os seus executivos não querem que os conselheiros, nem os auditores internos encontrem as suas falcatruas. Da mesma forma são impedidos de realizar um perfeito trabalho os auditores independentes.

Desse modo, o acionista minoritário é sempre o maior prejudicado.

O auditores independentes, por exemplo, não têm condições de investigar a existência de atos ilícitos porque geralmente não estão contabilizados nas empresas sujeitas a sua auditoria.

Assim sendo, empresas fantasmas constituídas no Brasil e no exterior, principalmente em paraísos fiscais, quase sempre são as artífices das pilantragens patrocinadas pelo grande empresariado. Fazendo desse modo, os atos ilícitos praticados dificilmente serão descobertos.

O dinheiro utilizado na corrupção de servidores públicos e políticos sempre é escondido num Caixa Dois. No texto endereçado estão as explicações complementares.

Aliás, o corrupto só existe porque sempre há um corruptor para suborná-lo, ambos megalomaníacos. Como a megalomania é uma doença psiquiátrica praticamente sem cura, o criminoso será internado num manicômio judiciário. Os consequentes Gastos Públicos serão pagos pelos menos favorecidos porque os mais ricos são os maiores sonegadores de tributos.

A identificação de comportamentos criminosos por parte de alguns dirigentes da companhia vai forçar um maior controle dos processos internos, para fortalecer o compliance com as regras da boa governança. A direção estratégica da companhia [Petrobrás] vai precisar, a curto prazo, se dedicar a reconquistar a confiança do mercado financiador de seus títulos, principalmente agora, depois do rebaixamento de seu rating no mercado.

Isso significa que [com a adoção de métodos de governança corporativa mais rígidos] os processos decisórios serão mais lentos e cuidadosos, e os objetivos mais gerais de seu plano de investimentos serão submetidos à lógica de curto prazo. A construção de uma cadeia de fornecedores e seus impactos macroeconômicos serão secundarizados em relação à geração de caixa para reduzir seu endividamento, publicar seu balanço e satisfazer seus credores.

NOTA DO COSIFE:

O Compliance Officer é um serviço de Gerenciamento de Controles Internos no sentido de "dar conformidade" às práticas operacionais. Obviamente, nas empresas serão escondidas desse órgão as práticas desabonadoras de seus executivos, contratados pelos controladores.

Esse gerenciamento para "dar conformidade" aos atos e fatos em relação à legislação e às normas regulamentares vigentes deve ser procedido por Auditores Internos com plenos poderes, o que somente surtirá efeito positivo se os encarregados desse trabalho forem nomeados pelos acionistas minoritários, assim como também deveriam ser nomeados os membros do Conselho Fiscal das sociedade de capital aberto (companhias abertas).

Tais profissionais devem ter ampla autonomia em sua área de atuação, tal como também devem ter os membros da Ouvidoria (Ombudsman = Representante do Povo). O Auditor Interno e Externo também devem agir como Representantes do Povo e não como asseclas ou cúmplices dos empresários inescrupulosos.

Para nada servirá a Auditoria e a Ouvidoria se tais profissionais forem indicados ou contratados pelos dirigentes da empresa ou por seus controladores, conforme já foi explicado na conclusão do texto sobre Governança Corporativa.

Veja as regras baixadas pelo CFC - Conselho Federal de Contabilidade sobre a Independência na Auditoria (NBC-PA-290), que vale tanto para auditores internos como externos, assim como para a Ouvidoria.

Numa segunda onda, não menos importante e ainda mais devastadora, há um risco sistêmico [de falências encadeadas] para a economia brasileira em razão da paralisia e inoperância dos principais fornecedores da cadeia produtiva da estatal [Petrobras] – em destaque o risco de default das maiores empreiteiras brasileiras – e da contaminação do sistema financeiro, uma vez que a maioria das construtoras opera alavancada por empréstimos. Se a roda parar de girar, o sistema cai. A crise aberta na Petrobras pode ser a versão brasileira dos subprimes norte-americanos de 2008.

NOTA DO COSIFE:

A palavra inglesa DEFAULT foi utilizada no sentido de um calote ou descumprimento de contratos, que seria originado pelos membros do Poder Judiciário.

Quando os processos judiciais são iniciados, os juizes geralmente decretam a paralisação das obras ou trabalhos em andamento. Dessa forma, as empresas acusadas de irregularidades deixam de pagar suas contas porque também deixam de receber de suas contratantes, neste caso a Petrobras. Então, com a paralisação das obras, acontece o consequente descumprimento dos contratos.

Assim, a Petrobras também ficaria inerte. Seria obrigada a esperar a finalização do processo judicial que nunca dura menos de 10 anos.

Por sua vez, os credores das empreiteiras também ficariam sem receber seus créditos, o que geraria as falências encadeadas, cujo processo é semelhante ao da queda de enfileiradas peças de um dominó. Esse acontecimento básico e lógico é chamado de RISCO SISTÊMICO pelos economistas.

Foi exatamente o que aconteceu nos Estados Unidos, gerando a Crime Mundial de 2008 porque os inescrupulosos empresários norte-americanas tinham investimentos vindos do mundo todo.

Veja explicações em O Capitalismo Bandido dos Barões Ladrões, texto publicado em julho de 2002 por ocasião da expedição do SOX - Sarbanes-Oxley Act nos Estados Unidos.

SUBPRIME é a perda de valor de mercado dos Ativos garantidores dos contratos, que seriam vendidos para pagamento dos Passivos (Contas a Pagar).

Neste caso da Petrobras, a perda do valor de mercado dos Ativos seria provocada pela inércia operacional, que deteriorariam os Ativos (Bens Patrimoniais ou Bens de Produção) no decorrer do Processo Judicial.

Por sua vez, os juízes, sempre apegados à extrema burocracia e ao extremo conservadorismo reinante no Poder Judiciário, pouco se importam com essa perda patrimonial, a qual pode causar enormes prejuízos não somente às partes envolvidas no processo judicial, como também a toda Nação, que sempre é imensamente prejudicada.

Fato semelhante aconteceu com a colocação dos cabos de Fibra Ótica no sistema de telecomunicações brasileiro, que ficou mais de 10 anos atrasado. O mesmo está acontecendo com a transposição do Rio São Francisco, gerando atraso na conclusão das obras.

A bem da verdade, é preciso dizer que a interrupção do processo produtivo da Petrobrás trará milhares de vezes mais prejuízos para o Brasil do que o dinheiro desviado por todos esses inescrupulosos empresários privados (empreiteiros)  envolvidos nessa grandiosa guerra travada contra o Povo brasileiro pelos partidos políticos oposicionistas ao Governo Federal. A maior parcela dos executivos envolvidos nos atos de corrupção estão na empresa desde a década de 1990.

E sabemos, de antemão, qual é o discurso da oposição: a culpa pela perda de valor da companhia e os impactos sobre a cadeia produtiva cairão na conta do “projeto de poder do PT”, que se valeu do esquema de extorsão e desvio de dinheiro público para, mais uma vez, financiar a compra de apoio político.

Estamos, portanto, diante de um jogo político que, no cenário internacional, mexe no status quo dos grandes players [magnatas] do mercado de petróleo.

Por que a Petrobras está sob ataque?

É preciso, portanto, entender por que a Petrobras e o pré-sal são peças-chave nesse xadrez político e econômico. Poucos países têm a situação do Brasil na produção, distribuição e consumo do petróleo.

Foi no Brasil a maior descoberta de novos recursos dos últimos anos, com a identificação das gigantescas reservas de petróleo do pré-sal. Os recursos ali identificados representam a principal fonte de novo petróleo convencional do mundo, com condições de produção muito favoráveis, apesar dos desafios tecnológicos – a maior parte deles já superada – de reservatórios especiais em águas profundas, distantes do litoral.

A Petrobras está na vanguarda da exploração em águas profundas, o que fez do pré-sal um novo paradigma mundial. De forma surpreendente para os padrões mundiais, sete anos depois da descoberta, a produção diária já supera os 700 mil barris, quando o mesmo nível de produção requereu muito mais tempo depois da descoberta no Mar do Norte, no Golfo do México ou na costa leste da África. A Petrobras, praticamente como operadora única, foi um sucesso de realização, introdução de sistemas produtivos e produtividade.

O pré-sal é viável com preços de equilíbrio inferiores aos atuais preços do petróleo, que caíram para um terço de seu valor em junho de 2014. Portanto, cai por terra o argumento muitas vezes divulgado pela imprensa de que o pré-sal é uma promessa para o futuro. Sua exploração é uma realidade – e muito bem-sucedida.

Poucos países têm a situação brasileira no refino e no consumo de combustíveis. É um mercado de derivados que cresce a taxas extraordinariamente altas em comparação com os mercados europeus, norte-americano e japonês, com uma presença significativa de etanol e biodiesel no fornecimento final dos combustíveis e com uma malha logística, em um país continental, que pode alcançar todo o território nacional. Além de ter uma taxa de crescimento bastante alta, é, em termos absolutos, um dos maiores mercados do mundo, o que garante, em âmbito nacional, a combinação de oferta de fontes de petróleo cru economicamente viáveis, em volume considerável, com parque de refino instalado e mercado consumidor ávido para utilizar os derivados produzidos.

Esse cenário só foi possível porque o Conselho de Administração da Petrobras soube se guiar com precisão nos últimos doze anos [desde 2003], orientando os investimentos onde eram de fato necessários – e sem perder de vista a política de Estado de fortalecimento interno da economia e desenvolvimento social.

Poucos países têm a situação brasileira de um sistema de geração de eletricidade que combina a fonte hidrelétrica com um parque termelétrico fortemente lastreado na utilização de gás natural, ao mesmo tempo que cresce a taxas expressivas a geração eólica. Conta com uma rede de gasodutos que liga a costa brasileira de norte a sul do país e é capaz de, conectada com a Bolívia, ter um fornecimento de gás que consolida a contribuição da produção brasileira, a importação via gasoduto da Bolívia e a importação de GNL com três terminais de regaseificação instalados.

Poucos países têm a situação brasileira de ter uma empresa como a Petrobras, que conta com o melhor conhecimento e experiência do mundo na produção em águas profundas, fato reconhecido pela terceira vez, dando à empresa este ano o Distinguished Award,da prestigiada Offshore Technology Conference (OTC), que ocorre todos os anos no Texas, Estados Unidos.

A Petrobras tem um dos melhores corpos técnicos do mundo, tem instalada uma das maiores frotas mundiais de sistemas flutuantes de produção, com barcos de apoio e sondas de perfuração, além de operar os sistemas submersos e a logística de escoamento da produção de petróleo e gás de forma segura, eficiente e rentável.

Além de sua capacidade própria, a história da Petrobras a credencia a ser um parceiro desejado pelas grandes companhias de petróleo, com quem ela mantém relações produtivas de parceria. Ser a operadora única possibilita a melhor utilização da infraestrutura já instalada, a melhor eficiência na mobilização de recursos adequados para a solução dos desafios e a possibilidade de atrair os melhores agentes do mercado. Possibilita também obter vantagens da escala de compras e da definição de estratégias de longo prazo que necessitem de expansão da capacidade de produção do próprio setor de fornecimento de equipamentos especiais e dedicados, como sondas de perfuração de águas profundas, equipamentos submersos e sistemas de complementação dos sistemas de produção. Possibilita ainda a apropriação nacional dos desenvolvimentos tecnológicos que advêm da experiência concreta de fazer a produção funcionar.

A descoberta de grandes reservas de petróleo pode ser um bônus se permitir a criação de mais riqueza e tornar possível que o país supere suas limitações de crescimento, distribuição de renda e justiça social.

NOTA DO COSIFE:

Diante da colocação do termo "CRIAÇÃO DE MAIS RIQUEZA" torna-se importante deixar claro aos menos atentos que desde 1500 o Brasil passou a sustentar toda a Europa através de Portugal.

O mesmo aconteceu com os demais países do Terceiro Mundo, que sustentaram  a Espanha e, por tabela, Inglaterra, França, Holanda, Bélgica. O mesmo aconteceu com a Alemanha e a Itália que perderam seus domínios depois da Segunda Guerra Mundial.

A partir da proclamação de nossa independência em 1822, a Inglaterra passou a sugar as nossas matérias-primas essencialmente necessárias a sua Revolução Industrial e quase nada deixou em troca para o Povo brasileiro, tal como também nada deixou Portugal desde 1500.

É preciso deixar claro que, além das matérias-primas, os lucros obtidos no Brasil também foram exportados, foram investidos na Europa. Aqui ficaram somente os bens de produção obsoletos, desgastados pelo uso e pelo tempo. Por sua vez, o trabalhador brasileiro foi explorado em regime de semiescravidão, o que gerou miséria e criminalidade.

Com base nessa forma de colonialismo (chamado de neocolonialismo), a Inglaterra continua sendo um país desenvolvido, tal como os demais países europeus, sem que tenham as matérias-primas indispensáveis ao fabrico do que exportam para o Brasil a preços elevados porque a mão de obra lá é muito mais cara do que aqui.

Dessa lógica perversa podemos concluir que o capital estrangeiro de nada serviu para o Brasil se o nosso IDH - Índice de Desenvolvimento Humano continua baixo.

Considerando-se tudo aquilo que o Brasil já forneceu aos países desenvolvidos, no mínimo o Povo brasileiro deveria ter o IDH igual ao deles. O mesmo padrão de vida dos europeus deveriam ter os povos dos demais países do Terceiro Mundo.

Em suma, o capital estrangeiro vindo para o Brasil não gerou um melhor IDH nem gerou a acumulação de capital porque os nossos colonizadores sempre levaram muitas vezes mais do que trouxeram. Como já foi dito, levaram também os lucros aqui obtidos e deixaram apenas bens obsoletos e corroídos, impróprios para manutenção de uma produção competitiva.

Veja o texto sobre a Acumulação Entravada ou Estagnação da Economia.

Em síntese, a privatização da Petrobrás, assim como aconteceu com as demais empresas estatais, só vai nos eternizar como país do Terceiro Mundo, o colonizado, conforme o autor do texto em questão explica a seguir.

Mas a mesma descoberta [das jazidas petrolíferas do Pré-Sal] também pode ser uma maldição se não permitir que outros setores da economia cresçam, levando ao que se conhece como doença holandesa: um setor passa a ser hipertrofiado como gerador de renda, inibindo os outros. Como a fonte da renda é um recurso esgotável, seu fim condena todos à miséria.

É contra esse risco que a política de conteúdo nacional, utilizando a escala das compras para os sistemas de produção de petróleo no país, de forma a promover a expansão da capacidade produtiva das empresas localizadas no Brasil, possibilita a formação de uma forte cadeia de suprimento para o setor, que irradia a criação de emprego e renda, além da atividade de produção de petróleo e gás.

Esse modelo [de crescimento integrado do Brasil] sempre teve opositores – o que vem desde os tempos de Getúlio Vargas. Inicialmente eles eram contra a própria existência da Petrobras e se opuseram à sua criação, defendendo que era melhor abrir o país para as operadoras internacionais [condenado o Brasil à sina de ser eternamente um mero quintal do neocolonialismo europeu e norte-americano].

Depois, com a quebra do monopólio nos anos 1990, adotaram o modelo dos leilões de concessão, que, dado o risco exploratório alto, gerava receitas para o Estado baseadas nas expectativas que as empresas tinham sobre os ganhos futuros das concessões e balizavam os bônus, que elas ofereciam ao Estado pelo direito de produzir durante mais de 25 anos. A repartição de ganhos futuros estava predeterminada [sempre em prejuízo do Povo brasileiro].

Com o pré-sal tudo se modificou. O risco exploratório de buscar e não encontrar petróleo era mínimo; portanto, basear o ganho futuro do Estado nessa avaliação riscada das empresas não era o modelo adequado. O governo brasileiro mudou o marco regulatório e instaurou o contrato de partilha de produção, em que o Estado partilha os ganhos futuros que surgirem da exploração, uma vez que os riscos subsistentes do pré-sal se relacionam com o desenvolvimento da produção, e não com a exploração.

Os opositores, claro, em defesa dos interesses estrangeiros não querem isso. Querem mais garantias para as empresas multinacionais e menos possibilidades de o Estado brasileiro capturar parte dos excedentes de renda, que poderão advir da continuidade da produção da imensa riqueza descoberta. Querem retornar aos leilões de concessão, nos quais os ganhos do Estado dependem das expectativas das empresas de qual será a receita futura do petróleo a ser produzido. Esse é um ponto-chave para entender por que a Petrobras passou a ser alvo de tamanha artilharia.

NOTA DO COSIFE:

Em síntese, os opositores ao Povo brasileiro querem entregar a Petrobras e o Pré-Sal ao neocolonialismo europeu e estadunidense, que agora se processa por intermédio dos magnatas controladores das multinacionais, que estão incógnitos, devidamente escondidos em paraísos fiscais.

Essa é a Nova Ordem Mundial.

Na prática, o marco regulatório e o modelo de partilha dão solidez à política de Estado como diretriz da gestão da Petrobras e dos recursos do pré-sal. O ataque dos oposicionistas à reputação da companhia – e seu consequente efeito para o rating da estatal junto às agências de classificação de risco – tem o objetivo de “quebrar a espinha da Petrobras” e, assim, inviabilizar o modelo de partilha imposto pelo marco regulatório.

NOTA DO COSIFE:

Tal como as empresas Empreiteiras de Obras Públicas, as empresas de Classificação de Riscos (Agências de Rating) também não são confiáveis, conforme foi demonstrado em textos publicados neste COSIFE:

Muitos investidores brasileiros e estrangeiros que acreditaram nas informações veiculadas pelas Agências de Rating, e também pelos demais tendenciosos profissionais do mercado de capitais, perderam grandes somas em dinheiro.

Outro grave desdobramento que se avizinha é comprometer os ganhos sociais [a partilha dos royalties com o Povo brasileiro] que estão diretamente ligados à política vigente.

Em 2010, o governo brasileiro foi sábio em criar um fundo para concentrar os ganhos advindos da exploração e produção do pré-sal, definindo que seus rendimentos deveriam se destinar a investimentos que transformassem o futuro do país: educação, ciência e tecnologia e meio ambiente.

Os opositores defensores dos capitalistas estrangeiros também não querem isso e defendem apenas a manutenção dos royalties e da participação especial, contribuição adicional que as empresas petroleiras pagam nos leilões de concessão, para campos extremamente produtivos.

São essas conquistas que estão sob ameaça com a atual sanha “denuncista” da mídia nacional, que já começa a contaminar a mídia internacional.

Não importam os fatos, mas as versões e as ilações sobre os fatos. Os únicos testemunhos que valem são dos acusadores. O ônus da prova, que deveria ser de quem acusa, passou a ser exigido de quem é acusado. Ninguém seria em princípio inocente, como define a Constituição. Se for dirigente da Petrobras e, principalmente, se for do PT, você é imediatamente condenado pela mídia, sem direito a defesa nem julgamento. É um linchamento público gigantesco. A voz dos delatores é considerada a verdade absoluta, sem provas e seletivamente divulgada.

Não se faz aqui, evidentemente, a defesa dos atos ilícitos que foram confessados. Muito pelo contrário: devem ser investigados, e os culpados, punidos. Sempre respeitando, porém, as regras de um Estado democrático de direito e, sobretudo, sem o viés político que se tem dado ao caso. Colocar todos os contratos da Petrobras e o trabalho de mais de 80 mil funcionários em suspeição é um atentado político contra a companhia e, por tabela, a toda a sociedade brasileira, que é, de fato, dona das riquezas do pré-sal.

NOTA DO COSIFE:

Como foi escrito em Nota do COSIFE acima, de nada adiantará a interrupção do processo produtivo da Petrobrás pelo Poder Judiciário, porque isto trará milhares de vezes mais prejuízos para o Brasil do que o dinheiro desviado por todos esses inescrupulosos empresários privados envolvidos nessa grandiosa guerra travada pelos contrários ao bem-estar do nosso Povo.

Também de nada adiantará que as empresas privadas corruptoras sejam impedidas de participar em Licitações Públicas.

Por quê?

Porque não existem outras empresas que tenham a mesma experiência administrativa e operacional nessa área de atuação empresarial. Logo, no momento presente tais empresas corruptoras são tecnicamente insubstituíveis.

Isto significa que esses inescrupulosos empresários, indiscutivelmente aliados aos opositores ao bem-estar do Povo brasileiro, colocaram esse Povo "num beco sem saída". Largaram o Povo "no mato sem cachorro" e sem os felinos que os auxiliem a caçar (penalizar) as ratazanas predadores.

Logo, da mesma forma como acontecia antes de 2003, tudo acabará em Pizza.

Do exposto, conclui-se que de nada adiantará colocar tais corruptores na cadeia, porque da prisão, tal como fazem os narcotraficantes, eles continuarão no comando de empresas fantasmas que serão constituídas por "testas de ferro" ou "laranjas" para continuarem a participar de Licitações Públicas.

Assim sendo, como o Juiz designado por força da legislação em vigor pode aplicar multas, o pagamento destas multas poderia ser efetuado em ações. Assim, tais empresários corruptores deveriam entregar ao Tesouro Nacional pelo menos 51% das ações de suas respectivas empresas.

Mediante o controle acionário dessas Empreiteiras de Obras Públicas, o Governo Federal, com a ajuda do Exército Brasileiro, da Marinha e da Aeronáutica (que também realizam obras públicas), poderiam investigar pormenorizadamente o dia a dia operacional dessas indispensáveis Empreiteiras.

Deve-se ter frieza para analisar os fatos sem a influência política de quem tem interesses em enfraquecer a Petrobras ou ainda em apagar o legado que se construiu nos últimos doze anos.

O que se sabe até aqui é que os atos ilícitos confessados foram praticados fora da Petrobras, mas com a conivência de alguns poucos funcionários.

Atos que seriam praticamente impossíveis de serem detectados por meio das regras rígidas de governança corporativa sempre adotadas pela Petrobras.

Outras grandes empresas do mundo, tanto na área de petróleo quanto em outros setores da economia, viveram casos parecidos recentemente, e, em momento algum, colocaram-se em xeque suas operações.

A holandesa SBM, fornecedora da Petrobras, é um exemplo. A Siemens e a Alston, envolvidas no escândalo do trensalão tucano em São Paulo, também.

Os supostos pagamentos ilícitos em contratos da Petrobras não podem colocar em suspeição a necessidade e a correção estratégica da companhia em executar cada uma das obras em questão. Todas foram decididas, corretamente, pelo Conselho de Administração da companhia, espelhando seu planejamento estratégico.

A construção das refinarias de Abreu e Lima e do Comperj, ou ainda a reforma da refinaria do Paraná (Repar), hoje demonizadas pela imprensa [golpista], são de vital importância para que o Brasil não sofra a longo prazo com o “apagão do refino”. São obras estratégicas para atender ao crescente mercado doméstico de derivados de petróleo, como a gasolina e o diesel.

O Brasil não construía uma refinaria desde 1980, e a demanda crescente, sobretudo após 2005, impôs a urgência de ampliação do parque de refino – mesmo se tratando de um investimento caro e demorado e com baixos índices de rentabilidade para os acionistas.

A construção de plataformas e de sondas de perfuração passa pela mesma lógica: sem esses investimentos, a Petrobras não teria condições de, como já assinalado, retirar mais de 700 mil barris por dia das reservas do pré-sal.

Os números da Petrobras são superlativos e espelham sua grandiosidade e papel estratégico para o país.

Em fins de 2002, a companhia, que vinha sendo preparada para ser vendida, valia cerca de US$ 15 bilhões em valor de mercado. Durante o governo Fernando Henrique, a empresa registrou lucro líquido médio de R$ 4,2 bilhões por ano.

Nos governos Lula e Dilma, a média anual passou para R$ 25,6 bilhões. O lucro anual da Petrobras seria suficiente, por exemplo, para custear o investimento de um ano do programa Bolsa Família. Nos últimos doze anos, o lucro líquido acumulado supera R$ 300 bilhões.

Os resultados financeiros refletem o trabalho do dia a dia.

A produção de petróleo da companhia cresceu 50% de 2002 a 2014, sempre acima da média mundial. Apenas no ano passado, cresceu cerca de 7,5%, graças aos campos do pré-sal.

A Petrobras é a única petrolífera que registrou crescimento de produção nos últimos anos em comparação com as gigantes do mercado, como Shell, Exxon, Chevron e BP, que estão sofrendo com a crise financeira internacional.

O número de plataformas da empresa mais que dobrou de 2002 até hoje: eram 36 e agora são 82, resultado do forte investimento feito na última década. A Petrobras, que no passado investia US$ 2 bilhões por ano, passou a investir mais de US$ 3,5 bilhões por mês.

Essa é a empresa real – com números reais – que querem esconder valendo-se das denúncias que surgiram com a Operação Lava Jato, o que gerou o clima de forte especulação que fez a companhia perder tanto valor de mercado em tão pouco tempo.

A Petrobras é uma empresa sólida, mas a campanha em curso – em discurso uníssono na imprensa – visa enfraquecê-la. Tentam reverter as mudanças do marco regulatório do pré-sal brasileiro, a que se adiciona o papel geopolítico de uma petroleira brasileira enfraquecida, com uma cadeia de fornecedores, em formação, destroçada e sem condições de continuar competindo para formar uma indústria com conteúdo nacional que gere emprego e renda no país.

O contexto internacional

Também não podemos perder de vista o contexto internacional do mercado de petróleo e o papel estratégico da Arábia Saudita. De 1973, com a crise da guerra árabes versus Israel, até 2013, o mercado vinha atuando com a Arábia Saudita sendo o país que regulava a produção adicional sobre a demanda, de forma a impedir quedas acentuadas de preços ou seu aumento demasiado, via ajuste de sua produção nacional. A Arábia Saudita tem um custo de extração do barril do petróleo relativamente baixo em relação aos preços de venda internacional e, portanto, poderia suportar ajustes de preços maiores do que produtores com custos mais elevados.

A Opep, que reunia os países exportadores de petróleo, combinava essa dinâmica e internamente ajustava a produção excedente. Nos últimos anos, em especial a partir de 2008, esse esquema começou a ser questionado.

A produção adicional proveniente dos Estados Unidos, com a expansão das técnicas de fracionamento dos reservatórios no shale gas and tight oil e a consequente disponibilidade, por meio da produção associada de condensados equivalentes a óleo leve, tornou esse país o maior mercado consumidor do mundo, praticamente autossuficiente de petróleo leve, ainda que continue a importar petróleo pesado.

Por outro lado, a oferta futura de petróleo não convencional – dos Estados Unidos e das areias betuminosas do Canadá – e do ultrapesado da Venezuela ameaçava o equilíbrio tradicional, em que a produção da Opep era chave. Junto com as perspectivas de crescimento do pré-sal brasileiro, a geopolítica do petróleo passou a considerar as mudanças de papéis de seus atores.

A Arábia Saudita se recusa a baixar sua produção para ajustar os preços, esperando que a queda nos valores tire do mercado – como já começa a acontecer – os produtores norte-americanos de óleo não convencional, colocando o preço do petróleo em níveis ameaçadores para a continuidade de alguns projetos de produção futura de não convencionais. Essa situação ainda não chegou a ameaçar o pré-sal brasileiro, mas já começa a afetar as economias do Irã, da Venezuela e da Rússia, tradicionais adversários dos Estados Unidos na política internacional.

A continuidade dos preços baixos, no entanto, associada aos impactos no mercado financeiro da campanha contra a Petrobras, tentando generalizar comportamentos individuais criminosos com o comportamento da corporação, podem tornar seu papel-chave no modelo de produção desenhado impossível de ser executado.

Essa situação fica ainda mais perigosa se as empresas que estão começando a se preparar para expandir a capacidade de produção da cadeia de suprimento do setor se inviabilizarem.

Isso é o que está em jogo com essa campanha. Os opositores são os mesmos que foram contrários à própria existência da Petrobras, desde seu início.

O viés político que se vê em alta no ataque à Petrobras é infinitamente mais perverso para o futuro do país se comparado aos atos ilícitos até aqui descobertos. É dever cívico alertar e deixar claro a quem interessa que há uma Petrobras fragilizada em meio a tantas denúncias.

Portanto, senhores juízes: É o futuro do Brasil que está em jogo.

NOTA DO COSIFE:

Não podemos penalizar o Povo brasileiro pelos crimes cometidos por empresários inescrupulosos.

É mais fácil, em defesa das finanças públicas (a semelhança do disposto no Decreto-lei 2.321/1987), intervir em tais em empresas privadas ou privatizadas de modo que o processo de desenvolvimento brasileiro não seja mais uma vez entravado ou estagnado pelos nossos colonizadores de sempre.