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A CONTABILIDADE DE CUSTOS NO JAPÃO E SEUS REFLEXOS NA ECONOMIA

A CONTABILIDADE DE CUSTOS NO JAPÃO E SEUS REFLEXOS NA ECONOMIA

AS "APOSTAS" DOS CONSULTORES ECONÔMICOS DIANTE DAS INCERTEZAS

São Paulo, 13/03/2011 (Revisado em 16/03/2011)

Referências: Balanço de Pagamentos, Divida Interna e Externa, Déficits Públicos, Inflação - Política Monetária - Títulos  Públicos Emitidos para Enxugar o Meio Circulante, Economia Japonesa, Iene - Moeda Desvalorizada Artificialmente. Orçamento Nacional, taxas de juros de longo prazo.

A CONTABILIDADE DE CUSTOS NO JAPÃO E SEUS REFLEXOS NA ECONOMIA

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750 - Coordenador do site COSIFe

EXPLICAÇÕES PRELIMINARES

Em 05/01/2010, foi escrito o texto denominado A Islândia à Beira da Bancarrota, país que era considerado rico por muitos brasileiros, inclusive pela reportagem da TV Record que lá esteve. Através do texto tentou-se mostrar que o simples fato de sua população ter o muito elevado IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, como realmente tinha o povo islandês antes da eclosão da Crise Mundial de 2008, não significava ser um país rico.

Na realidade, explica o texto, a Islândia é um país que quase nada produz e tem 80% de suas exportações extraídas do mar, o que também foi constatado pela reportagem da TV Record. Não se trata de extração de petróleo na plataforma continental, porque ainda não foi descoberto; a Islândia importa todos os derivados do petróleo que consome. A população islandesa vive quase que exclusivamente da pesca e o que resta para comer é somente aquilo que não foi possível exportar para tentar equilibrar o Balanço Pagamentos deficitário (o país tinha uma enorme dívida externa porque quase tudo que consome é importado, tal como acontece com os Estados Unidos, com o Japão e com os países desenvolvidos da Europa).

Diante desses fatos foi possível dizer naquele texto que a Islândia é um país pobre, mas que tem uma população de pouco mais 300 mil habitantes vivendo relativamente bem, se comparada com a miséria reinante em muitos países pelo mundo afora, embora muitos desses tenham melhores condições de produzir e de exportar, como acontece com muitos dos países africanos.

Para melhor esclarecer podemos dizer que o IDH não mede a riqueza de um país. O IDH mede apenas o padrão de vida de sua população, considerando especialmente os níveis de educação, saúde, saneamento básico, alimentação, conforto, serviços públicos e tudo mais que seja feito pelos governantes em prol de seu povo. O problema vivido pelo mundo afora é que significativa parte dos países tem governantes que não se importam com as dificuldades enfrentadas pelo seu povo; mais uma vez, é o que acontece com os países africanos, muitos deles riquíssimos em minérios, ouro e diamantes, principalmente os da região sul-africana.

Para sabermos se um país é pobre basta pesquisar se o seu elevado ou muito elevado IDH está associado a elevadas dívidas interna e externa (que na Islândia atingia 5 vezes o seu PIB). Para sabermos se um país é realmente rico é preciso apurar qual seria a sua produção mineral, agropecuária e industrial, que na Islândia era praticamente nula.

Conclusão. Mesmo com o seu muito elevado IDH, a Islândia era um país pobre como Cuba, cujo povo goza de elevado IDH. Isto significa que os dois mencionados países em 2009 tinham populações com alto padrão de vida. A diferença entre os dois era que Cuba tinha uma dívida  insignificante. A dívida de Cuba era um quinto de seu PIB e a da Islândia era 5 vezes o seu PIB. Assim, em tese, Cuba era um país bem mais rico que a Islândia, embora estivesse um degrau abaixo no IDH.

COMPLETANDO AS EXPLICAÇÕES PRELIMINARES

No texto sobre A Crise de Insolvência dos Países Europeus (de 07/05/2010) procurou-se mostrar a relação direta entre o "muito elevado" IDH das populações dos países chamados de ricos e as suas também muito elevadas dívidas interna e externa.

Diante desses fatos, concluiu-se que as populações de tais países são altamente consumistas para que seja mantido esse alto padrão de vida. Observou-se também que, embora grande parte desses países tenham tecnologia avançada, com condições de industrializar sua produção, grande parte dos produtos consumidos pela população são produzidos no exterior, porque suas principais indústrias foram transferidas para os países em que a mão-de-obra é mais barata (China, Índia e outros países asiáticos).

Isto significa que o alto padrão de vida das populações dos países desenvolvidos é sustentado por altos salários, que geram elevados custos de produção nas suas empresas. Então, os controladores das grandes corporações desses países, aconselhadas pelos neoliberais anarquistas, deixaram de lado o nacionalismo e o patriotismo e passaram a pensar apenas em seus mesquinhos lucros. Foi para obtenção de maiores lucros, mediante a redução de custos de produção, que as grandes empresas dos países desenvolvidos transferiram suas fábricas para países em que é possível a exploração da mão-de-obra em regime de semi-escravidão. Algumas empresas japonesas também fizeram o mesmo.

Depois de transferidas as fábricas para paraísos fiscais industriais (onde são instaladas indústrias com isenção de tributos e sem leis trabalhistas rígidas), os acionistas controladores das grandes corporações constituíram empresas virtuais em paraísos fiscais cartoriais (onde são registradas empresas conhecidas como offshore) para que nelas fossem escondidos os altos lucros conseguidos com essa forma de agir dos neoliberais. Assim, os países de origem dessas empresas apátridas, além de não receberem os impostos incidentes sobre os lucros escondidos no exterior, também deixaram de produzir bens exportáveis.

Desse círculo vicioso, provocado pela internacionalização do capital em paraísos fiscais diante da premissa de que "capital não tem pátria", restou o endividamento dos países chamados de desenvolvidos porque suas exportações passaram a ser bem inferiores às importações.

VEJAMOS O PROBLEMA DO JAPÃO

Primeiramente vamos aos pontos positivos. Para felicidade de seu povo, no Japão parece não existir aquela ausência de patriotismo e de nacionalismo tão visível nos grandes empresários norte-americanos e em parte dos europeus. Entre os mencionados países desenvolvidos, o Japão é o único que não tem dívida externa. Isto significa que as exportações japonesas ainda são superiores às importações em valores, mas não são em quantidades. As quantidades importadas pelo Japão são maiores que as exportadas, mas o preço das importações é bem menor que o das exportações. O Japão importa minério de ferro do Brasil por menos de US$ 10 a tonelada e exporta aço por volta de US$ 1.000 a tonelada.

Por quê?

Porque, ao contrário do Brasil, o Japão importa matérias-primas e exporta produtos acabados. Ou seja, os empresários japoneses geram empregos para seu povo, enquanto os empresários brasileiros preferem exportar matérias-primas para não gerar empregos no Brasil. Em suma, os empresários brasileiros não querem dar emprego ao nosso povo, assim como também está acontecendo nos Estados Unidos e nos demais países desenvolvidos. Por esse motivo tem aumentado o desemprego nos Estados Unidos e na Europa, ao ponto de os nativos agora procurarem vagas para execução de trabalhos que antes somente os imigrantes sem estirpe faziam.

Fica no ar uma nova pergunta: Como o Japão consegue exportar e ao mesmo tempo que mantém o alto padrão de vida de seu povo?

Eis a questão que parece ser de difícil explicação, mas não é. Esse problema da falta de exportações, atualmente é a principal preocupação dos governantes dos países desenvolvidos.

Agora, torna-se importante destacar o que foi dito pelos consultores econômico nos textos transcritos nesta página, mais adiante.

Embora não tenha dívida externa, o Japão tem uma elevadíssima dívida interna que corresponde a duas vezes o seu PIB. A dívida interna só não é maior porque, ao contrário do Brasil que paga altas taxas de juros, o Japão paga apenas 0,5% de taxa de juros ao ano para os investimentos de longo prazo (TJLP = taxa de juros de longo prazo).

Detalhe: significativa parte dos investimentos em títulos públicos japoneses é de trabalhadores. Ou seja, enquanto o Brasil paga altos juros para os capitalistas, o Japão paga juros baixos para os trabalhadores e também para os capitalistas.

A partir de 2003, no Brasil as taxas de juros foram paulatinamente reduzidas. Mas, a caderneta de poupança, que é a principal forma de investimento dos trabalhadores, continuou com taxa de juros de 6% a.a. adicionada do índice de inflação apurada. Esse rendimento pago aos trabalhadores agora é bem próximo, embora inferior, do pago aos grandes capitalistas por intermédio dos títulos públicos. No passado, antes de 2003, a taxa de juros real paga aos capitalistas era muitas vezes superior à da caderneta de poupança.

Outro detalhe: O trabalhador japonês em média recebe salários semelhantes aos dos norte-americanos e dos europeus, ao contrário do que acontece nos demais países asiáticos.

Então, o leitor perguntaria: Se o salário do trabalhador japonês é semelhante ao dos trabalhadores dos demais países desenvolvidos, como o Japão consegue exportar a preços competitivos?

A resposta está entre ser ou não ser neoliberal.

Explicando: Os neoliberais pregam o total anarquismo, digo, o total liberalismo. Ou seja, tanto o anarquismo como o liberalismo prega a autorregulação dos mercados, que geralmente é administrada por associação de grupos empresariais (máfia ou cartel). Em linguagem popular poderíamos dizer que a autorregulação é a teoria do "salve-se, quem puder"; tudo para os grandes empresários e nada para o povo. É o que está acontecendo naqueles países em que pode ser explorada a mão-de-obra em regime de semi-escravidão.

Mas, com palavras bonitinhas, o Dicionário Aurélio define o anarquismo como a teoria política fundada na convicção de que todas as formas de governo interferem injustamente na liberdade individual, e que preconiza a substituição do Estado pela cooperação de grupos associados [na forma de máfia, dumping ou cartel]. Liberalismo é o conjunto de idéias e doutrinas que visam a assegurar a liberdade individual no campo da política, da moral, da religião, etc., dentro da sociedade civil.

É o que acontece nos Estados Unidos e em alguns países europeus, mas, não acontece no Japão.

Na Terra do Sol Nascente, o exemplar controle da economia pelo Estado interfere diretamente na liberdade individual para que não haja injustiça social. Isto é, os governantes japoneses sempre estão preocupados com a manutenção do muito elevado IDH dos seus trabalhadores, embora estes trabalhem bem mais horas semanais que os dos demais países desenvolvidos.

Um dos  problemas dos europeus e norte-americanos é que não haveria emprego para todos se a carga horária semanal fosse aumentada. Então, para evitar o desemprego, a carga horária dos trabalhadores foi diminuída, chegando a ser de 30 horas semanais em alguns países. No Brasil a categoria profissional dos bancários desde a década de 1960 tem carga de 30 horas semanais.

Mais adiante será mostrado que o principal produto, digo serviço, exportado pelo Japão é a mão-de-obra de seu povo embora os salários sejam até 10 vezes maiores que os pagos na China, na Índia e também no Brasil. Em razão do alto salário japonês,  muitos brasileiros, descendentes, foram trabalhar naquelas bandas.

Agora, o leitor impaciente perguntaria: E a Contabilidade de Custos no Japão, onde entra?

De forma indireta já foi comentada a contabilidade de custos no Japão, porque foram mencionados os altos salários, que implicam no aumento dos custos de produção. Foram mencionadas as matérias-primas que no Japão são quase totalmente importadas.

É óbvio que o pagamento de altos salários implica no aumento dos custos de produção, razão pela qual os países desenvolvidos, por falta de competitividade no mercado internacional, não estão conseguindo exportar o suficiente para pagar suas importações. Mas, o problema japonês não é somente este. Resta-nos saber o porquê.

É fato que, entre os países desenvolvidos, o Japão é o que apresenta a maior quantidade de adversidades. Vejamos:

1) - Problemas geofísicos e geológicos:

Obviamente essas catástrofes naturais elevam substancialmente os custos de produção das exportações japonesas.

2) - Falta de matérias-primas:

No lugar de importar ferro e outros minérios necessários a produção do aço, que chegam do Brasil e da Austrália, haveria redução de custos da produção japonesa se o aço fosse produzido no Brasil onde a mão-de-obra é mais barata. Porém, o governo japonês prefere produzir o aço mais caro em seu território para que possa gerar emprego para seu povo. Puros exemplos de nacionalismo e patriotismo do empresariado japonês.

3) - Falta de produção agropecuária:

Em suma, podemos dizer que mesmo com seus custos de produção mais elevados em relação a outros países desenvolvidos, o Japão consegue exportar a preços competitivos.

Qual o segredo desse verdadeiro milagre japonês?

Patriotismo, nacionalismo e uma política econômica com justiça social. Vejamos com isto acontece.

A POLÍTICA ECONÔMICA JAPONESA PARA SUPORTAR OS ELEVADOS CUSTOS DE PRODUÇÃO

Política Cambial

Exemplo: O governo japonês deveria pagar por dólar conseguido com as exportações cerca de 30 ienes. Mas, o Banco Central japonês está pagando por volta de 160 ienes por dólar e já chegou a pagar 240 ienes.

Por quê?

Porque, com o dólar a 30 ienes, aumentariam as importações japonesas de produtos supérfluos, como também aumentou no Brasil durante o governo FHC quando a nossa moeda o Real estava artificialmente valorizada.

No Japão está acontecendo o contrário do acontecido no Brasil durante o Governo FHC, o iene está artificialmente desvalorizado, por isso o Japão ainda consegue exportar com preços competitivos.

Isto significa que o Japão vem praticando o que no Brasil é chamado de Guerra Fiscal, como àquela praticada entre os estados federativos brasileiros.

Então, se o governo japonês resolvesse pagar apenas 30 ienes pelo dólar, esse valor não seria suficiente para cobrir os elevados custos de produção das indústrias japonesas.

Se fosse pago apenas 30 ienes por dólar, tal com aconteceu no Brasil durante o governo FHC quando era pago R$ 1,00 por dólar, as indústrias exportadoras fechariam suas portas, como de fato aconteceu no Brasil. Isto faria a dívida externa japonesa crescer, ou melhor, passar a existir porque as importações seriam maiores que as exportações. Foi o que aconteceu no Brasil até 2002 e está acontecendo nos Estados Unidos e nos países europeus hegemônicos (antigos colonialistas: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Holanda, Itália, Grécia, etc...).

Política Monetária

Diante do pagamento de 160 ienes por dólar, há um excesso de dinheiro em circulação. Então, segundo os economistas, para que seja evitada a inflação devem ser emitidos títulos públicos com a finalidade de "enxugar o meio circulante".

Ou seja, os títulos públicos japoneses são emitidos para fazer política monetária e, não, porque o país esteja precisando de empréstimos para cobrir déficits públicos. Esta observação não significa dizer que o Japão não tenha déficits públicos. Na verdade deve ter.

Essa captação do dinheiro inútil nas mãos dos capitalistas proporciona lucros para estes, que assim são beneficiados pela indireta devolução dos impostos que foram pagos por eles (capitalistas). No lugar de vender títulos aos capitalistas, com pagamento de juros, o governo deveria aumentar os tributos sobre esse dinheiro excedente para evitar a emissão dos títulos que efetivamente aumentam os gastos públicos mediante o pagamento dos citados juros, que saem do orçamento nacional.

Como a dívida interna japonesa é igual a duas vezes o seu PIB, o pagamento dos juros de 0,5% ao ano, importa em 1% do PIB e pode comprometer violentamente o orçamento nacional. No Brasil, por exemplo, os juros pagos aos capitalistas comprometem quase 50% do orçamento nacional e já foi bem pior antes de 2003. No Brasil o montante dos juros pagos também deve estar por volta de 1% do PIB, porque nossa divida interna é muitas vezes menor que a japonesa, embora nossa taxa de juros seja maior.

Outra desvantagem no pagamento de altas taxas de juros é que os capitalistas deixam de investir na produção para aplicar na ciranda financeira dos títulos públicos ou das apostas nas cotações especulativas praticadas nos pregões das bolsas de valores. A especulação ou a manipulação das cotações funcionam como os blefes num jogo de pôquer.

Aumento dos Impostos

Para anular o problema do endividamento interno, o governo japonês precisaria de fato aumentar as alíquotas dos impostos arrecadados, conforme sugerem os economistas nos textos ao final deste. Mas, ao serem aumentados os tributos, aumentariam também os custos de produção. Logo, as exportações japonesas diminuiriam. Com as exportações menores, provavelmente o Japão passaria a ter Dívida Externa, como têm os Estados Unidos e os demais países desenvolvidos da Europa porque suas respectivas importações são maiores que as exportações.

O aumento do tributos provavelmente obrigaria o Japão a voltar a pagar 240 ienes por dólar, aumentando o dinheiro em circulação. Daí, deveria emitir mais títulos públicos para enxugar o meio circulante, aumentando a dívida interna e a pressão dos juros sobre o orçamento nacional.

Assim sendo, estão num beco sem saída. O aumento de tributos provavelmente não resolverá o problema enfrentado pelo Japão.

Financiamento do Déficit Públicos

Para que não sejam aumentados os tributos, que fatalmente provocariam a ira dos detentores do poder econômico tal como acontece no Brasil, os gestores da política econômica japonesa também preferiram emitir os títulos públicos. A diferença é que o Brasil o governo paga aos capitalistas altas taxas de juros, agora não tão altas quanto as que eram pagas antes de 2003.

Então, mais uma vez o problema enfrentado pelo povo japonês fica sem solução viável.

PROBLEMAS DE LIQUIDEZ DO GOVERNO JAPONÊS

Diante dos fatos enumerados, parece claro que o maior problema japonês é o da emissão dos títulos públicos necessários para o enxugamento do meio circulante, que foi abarrotado de ienes em razão da artificial desvalorização da moeda nacional japonesa. Sem bem que parte dos títulos públicos pode ter sido emitido para o eventual financiamento do déficit público (interno).

Assim, podemos concluir que o maior problema japonês está no montante de sua dívida interna, que foi assumida apenas para efeito de controle do dinheiro em circulação, oriundo da artificial desvalorização do iene.

Por que existe essa dívida interna?

Simplesmente porque no valor dos títulos públicos emitidos deviam ter sido arrecadados como impostos. Mas, assim não foi feito porque os tributos aumentariam os custos de produção. Por isso os economistas estão dizendo que a solução para o problema japonês seria a criação de imposto emergencial para a reconstrução das áreas devastadas pelo maremoto e pelo terremoto. Para que isto seja possível, seria preciso que os empresários japoneses abdicassem de seus lucros durante algum tempo. Por sua vez, sem lucros não há arrecadação do tributo sobre os lucros.

Por sua vez, a arrecadação emergencial apenas para reconstruir o destruído não será suficiente para o pagamento da dívida interna. Esta só será efetivamente paga mediante a arrecadação de tributos. Daí, para que não haja o aumento dos custos de produção, com o já foi dito, só resta aos empresários abdicarem de seus lucros, que obviamente já serão reduzidos pela contabilização dos prejuízos causados pelas catástrofes tão comuns no território japonês.

Do exposto poderíamos concluir mais uma vez que não há solução viável para os problemas do Japão. A solução de um dos problemas sempre acarreta um outro problema de difícil solução, verdadeiro círculo vicioso.

Segundo a Constituição Federal brasileira de 1988, os tributos devem ser pagos "preferencialmente" pelos detentores do poder econômico. O "preferencialmente" foi colocado na nossa Constituição para justificar a cobrança de tributos do povo, que deveria ser isento de tributação.

Assim sendo, resta com saída ao governo japonês, se a Constituição deles não tiver o "preferencialmente", confiscar os títulos possuídos pela porção mais rica da sociedade civil e do empresariado, na forma do tal imposto emergencial. E somente dessa parcela privilegiada da população deveriam ser cobrados os tributos necessários ao equilíbrio das finanças japonesas.

Depois desse feito, o governo deveria buscar empréstimos compulsórios para reconstrução do país.

CONCLUSÃO

A única forma do governo japonês liquidar a sua dívida mobiliária interna, conforme disseram os economistas nas reportagens a seguir, seria mediante a cobrança de tributos com a redução dos lucros das empresas, que já vem sendo reduzido pelos prejuízos causados pelas constantes catástrofes japonesas, que elevam substancialmente os custos de produção naquele país.

Tal como acontece no Brasil, provavelmente os títulos públicos japoneses tem como beneficiários pequeno grupo de grandes afortunados. No Brasil são umas 20 mil pessoas as detentoras de 80% do valor dos títulos emitidos pelo governo. No Japão não deve ser muito diferente dessa quantidade se considerarmos que a população japonesa é pouco mais da metade da nossa.

Entre os principais detentores dos títulos públicos japoneses devem estar as empresas exportadoras e outras que indiretamente lucraram com as exportações, os banqueiros e os demais capitalistas. A participação do trabalhador japonês nesse montante deve ser bem mais significativa que no Brasil, visto que o povo japonês tem o hábito de poupar. Esse instinto poupador é tão grandioso que o governo em certas ocasiões foi obrigado a induzir os trabalhadores ao consumismo, principalmente nas épocas em que houve o perigo de recessão, tal como foi feito no Brasil em 2009, quando o presidente da república sugeriu que o povo brasileiro comprasse para que não perdesse o emprego.

Portanto, estas são as mediadas que poderiam ser tomadas pelo governo japonês, muitas das quais os mais importantes economistas eximiram-se de revelar, principalmente no tange ao confisco dos títulos públicos, para que não sejam contrariados os interesses mesquinhos e apátridas do capital de seus patrões.

Aliás, é importante destacar que o comentarista econômico do Jornal da Globo, Carlos Alberto Sardenberg, em 29/06/2009 disse com a maior cara-de-pau que "o Brasil é um país inviável". Neste ponto, torna-se importante a comparação das potencialidades brasileiras com as japonesas, quando concluiríamos que o Japão, sim, é um país inviável.

Para que o Japão se torne totalmente inviável, basta que o Brasil, a Austrália e os países árabes deixem de fornecer matérias-primas para as indústrias japonesas, assim como para os demais países desenvolvidos. Sem as matérias-primas fornecidas pelos países chamados emergentes e pelos do Terceiro Mundo, todos os países desenvolvidos se tornarão inviáveis.

Justamente com essa finalidade de procurar as matérias-primas inexistentes ou esgotadas nos países desenvolvidos, começou a era dos descobrimentos e das conquistas colonialistas a partir da segunda metade do Século XV, quando se iniciou a Idade Moderna.

Veja o texto intitulado Os Países e suas Reservas Minerais Estratégicas, baseado em pesquisas efetuadas por um historiador português.

Veja também o texto denominado O Retorno do Colonialismo que contém, entre outros, o texto a seguir:

A ESCASSEZ DE RECURSOS [MINERAIS] NO PRIMEIRO MUNDO

Trecho de artigo denominado Amazônia Brasileira publicado pelo site MV-Brasil.org.br.

São vários os exemplos esclarecedores da escassez de recursos naturais nos países do Primeiro Mundo, que vão desde a água potável até os alimentos, passando pelos [recursos] energéticos, minerais, [florestais] madeiras , fibras e demais produtos de origem vegetal e animal.

Os EUA, por exemplo, dispõe de reservas de petróleo, armazenadas no próprio subsolo, que só dariam para sustentar o atual consumo por 6 anos e 5 meses. São 35 bilhões de barris, para um consumo de 15 milhões de barris por dia.

O quadro de dependência da importação de minérios dos EUA, CEE - Comunidade Econômica Europeia e Japão mostra a dimensão da crise.

DEPENDÊNCIA DE IMPORTAÇÕES DE MINÉRIOS (%)
  EUA CEE JAPÃO
Nióbio 100 100 100
Mica 100 83 100
Manganês 98 100 100
Cobalto 97 100 100
Alumínio 91 97 100
Cromo 91 97 99
Tântalo 91 100 100
Platina 91 100 98
Amianto 85 84 98
Estanho 82 80 85
Níquel 70 87 100
Zinco 57 57 48
Tungstênio 52 77 85
Antimônio 51 91 100
Vanádio 42 100 100
Cobre 13 80 80
Chumbo 13 44 47
Fosfato 1 99 100
Molibdênio 0 100 99

NOTA DO COSIFE: O Brasil, alguns países emergentes e outros do Terceiro Mundo são os principais exportadores das matérias-primas dessa tabela, que não inclui o ferro e o petróleo. Na tabela foram colocados somente os minerais com maior valor comercial. O nióbio é utilizado na siderurgia de altíssima qualidade e tem alto valor comercial, por isso é chamado de "ouro azul", sendo o Brasil o detentor de 80% das reservas mundiais, que estão na Amazônia.

No tocante à água potável, cujo consumo atual, em todo o mundo, anda pela casa de 5 x 1015 litros anuais, estima-se que os reservatórios existentes, descontando-se o tempo de renovação de cada tipo, seja suficiente para satisfazer uma população de 20 bilhões de seres humanos, pouco mais de 3 vezes o número atual . No entanto, há que se observar que a distribuição de água, tal como a dos minerais, é muito assimétrica.

Por esse motivo, neste exato momento, acham-se em operação mais de 1000 usinas de dessalinização de água do mar, produzindo algo em torno de 19 milhões m³ de água doce por dia, fato que por si só, já indica uma situação crítica.

Interessante frisar que o consumo de água potável varia de região para região, sendo igual a 230 L por família por dia nos EUA, 120 L na Europa e cerca de 5 L no mundo subdesenvolvido. No conjunto, 73% da água consumida no mundo destinam-se à irrigação.

A preocupação [dos "STATES"] principal fiador da Pax Borealis [Paz Mundial], com o suprimento de produtos naturais, é tão intensa que uma das 4 ameaças para o país, abrangendo o intervalo até o ano 2020, segundo depoimento do chefe da Defense Intelligence Agency (DIA), é exatamente a escassez de matérias-primas.

Aliás, na mesma ocasião em que revelou as 4 hipóteses de guerra do seu país, o chefe da DIA também deixou escapar que "o seu país interviria na Amazônia, no caso de que lá se configurasse a quarta hipótese: agressões ao meio ambiente, com conseqüências para os EUA".

Portanto, a nossa Amazônia vive hoje sob constante ameaça externa, nem tanto por causa das agressões aos seus ecossistemas, mas por ser a região o "paraíso dos recursos naturais" do planeta em que vivemos.

O pecado mortal de nós, brasileiros, é o de ter conservado, como seu patrimônio inalienável, a Amazônia.

AS "APOSTAS" DOS CONSULTORES ECONÔMICOS DIANTE DAS INCERTEZAS

COMO O SISMO NO JAPÃO VAI AFETAR A ECONOMIA MUNDIAL

Da Redação do SAPO - Publicado em 13/03/11 por Economico.sapo.pt em português de Portugal, aqui adaptado ao falado no Brasil por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750 que também adicionou anotações e comentários [em vermelho]

O primeiro-ministro japonês [Naoto Kan] considerou o sismo [terremoto e maremoto que gerou ondas gigantes] a maior catástrofe no país desde a II Guerra Mundial. Mas o impacto vai para além do Japão.

Embora seja difícil de estimar as consequências humanas e econômicas do sismo de 8,9 [ou 9 graus na Escala Richter] e da onda gigante ["tsunami"] de 10 metros que se seguiu, os especialistas [em palpites sobre economia] alertam que as consequências vão  ser [ou podem ser] profundas e globais.

"O sismo do Japão vai ser uma das catástrofes mais caras da história. Esta não é apenas uma circunstância japonesa, vai afetar ambos os lados do Pacifico e o custo vai subir muito rapidamente", afirma Dennis Gartman, gestor de ‘hedge funds', à CNBC [empresa especializada que se diz a primeira em notícias sobre economia e negócios no mundo]

NOTA: os "Hedge Funds" ou fundos de cobertura ou, ainda, fundos de derivativos são alternativas de proteção que têm  a finalidade de evitar perdas acentuadas em razão de bruscas e elevadas variações monetárias de ativos ou passivos. Veja outras explicações em HEDGE FUNDS (Sul America Investimentos).

De acordo com as estimativas da empresa  AIR Worldwide de "modelo de risco" [especializada em índices de risco a serem enfrentados por seguradoras, instituições financeiras, entidades governamentais e grandes empresas], só em propriedades seguradas as perdas deverão ascender aos 24,62 biliões de euros, mais do que todos os custos causados por catástrofes [acontecidas no mundo] em 2010.

Retoma ganhará força

Mas, depois de o Japão lidar com as massivas perdas humanas e econômicas, o país terá de se concentrar na reconstrução, o que, ironicamente, poderá dar força à economia nipônica.

"Obviamente, o custo humano é o mais importante ", sublinhou Nicholas Colas, especialista da ConvergEx. "Mas a reconstrução vai criar muitos postos de trabalho e gerar riqueza".

Também David Resler, economista chefe da Nomura Securities [empresa seguradora], frisa que "muitos recursos vão ser direcionados para a reconstrução do Japão. Mas nem todos os fundos virão do Governo. Alguns recursos para reconstruir uma parte devastada da ilha virão das companhias de seguros e empresas privadas".

Iene mais forte

É esperado ainda que o iene, tido como fraco, historicamente, comece a valorizar contra as restantes divisas mundiais, puxado pelo aumento da circulação da moeda no país, por causa da reconstrução.

Esta tendência de subida foi observada na sexta-feira, quando o iene avançou quase 1,5% face ao dólar e apreciou perto de 1% em relação ao franco suíço.

"O dinheiro vai ser repatriado para o Japão, de forma a ajudar a pagar os danos", afirmou Dennis Gartman [comentarista sobre mercado de capitais].

Preços do petróleo podem descer

Outra consequência será a queda dos preços do petróleo. É que as dificuldades econômicas no Japão vão afetar negativamente a procura mundial da matéria-prima.

Foi neste cenário que os preços do 'ouro negro' caíram mais de 1% em Londres e nos Estados Unidos, na sexta-feira.

NOTA: Os consultores acham que o preço do petróleo vai diminuir porque acreditam que o consumo japonês será reduzido com a provável recessão que ocorrerá depois da catástrofe de 11/03/2011. Assim, haverá a diminuição da produção industrial, visto que o setor automobilístico foi paralisado, entre outros setores. Para quem não sabe, o Japão importa a totalidade do petróleo que consome. Se deixar de consumir significativa parcela, serão reduzidas as exportações dos países árabes. Os minérios, incluindo o carvão, e a quase totalidade das demais matérias-primas necessárias para funcionamento de suas indústrias veem exterior. Ou seja, o Japão é um país pobre em minérios e outras matérias-primas. Assim sendo, o Brasil e Austrália, que são os maiores exportadores de minérios para produção do aço no Japão, podem ter suas exportações reduzidas. De outro lado, devemos considerar que a reconstrução do Japão vai necessitar que excessivas quantidades de aço, o material mais utilizado especialmente em razão dos devastadores terremotos. No território japonês acontece um de cada 5 terremotos sentidos em todo o mundo.

Menor procura por dívida dos EUA

Os encargos com a reconstrução devem ainda levar o Japão a reduzir a compra de obrigações dos Estados Unidos. O Japão é o terceiro maior detentor de dívida pública dos EUA, depois da Reserva Federal (Fed) e da China.

"Isto levanta a questão de saber se os japoneses serão capazes de continuar a ser grandes compradores dos títulos do Tesouro", disse Quincy Krosby, especialista da Prudential Financial. "Eles vão usar uma quantia substancial para a reconstrução de infraestruturas", acrescentou.

No final de 2010, o Japão detinha 882 mil milhões de dólares em obrigações do Tesouro, enquanto a China possuía 1,16 biliões de dólares em dívida norte-americana.

TREMOR PODE CAUSAR DANO ECONÔMICO GRAVE NO CURTO PRAZO

Por NATSUKO WAKI - REUTERS - Publicado em 13/03/2011 por Estadão.com.br/Interncional, com anotações e comentários [em vermelho] por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750.

O tsunami [onda gigante provocada por maremoto], o terremoto, e um dos piores acidentes nucleares do Japão deverão abalar a terceira maior economia do mundo, talvez mais profundamente e por mais tempo do que o inicialmente esperado.

Apagões e possíveis aumentos de impostos deverão prejudicar as empresas e a população e deverão superar a crise econômica amena causada pelo terremoto de Kobe de 1995, uma vez que o petróleo está mais caro, o iene está mais forte e a dívida do Japão está muito maior.

O racionamento de energia vai começar na segunda-feira [13/0/2011], afetando empresas e residências, no momento em que o país enfrenta sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. Mais de 1 milhão de pessoas estão sem água ou energia e cidades inteiras foram varridas do mapa.

Já mergulhado em dívidas [internas; o Japão não possui dívida externa], cujo valor chega ao dobro de sua economia [PIB - Produto Interno Bruto] de 5 trilhões de dólares, e ameaçado pelo corte da nota de crédito do país [Título Público], o governo está discutindo um aumento de imposto provisório [IPMF ou CPMF?] para financiar os trabalhos humanitários e de reconstrução.

O crescimento econômico do Japão está numa situação melhor do que na ocasião em que Kobe foi atingida por um terremoto. Mas muitos dizem uma queda considerável do PIB, que acabava de se recuperar de uma contração no final de 2010, deverá ser sentida ao longo dos próximos meses.

"Quando falamos de desastres naturais, tendemos a ver uma queda inicial acentuada da produção... e depois geralmente há uma recuperação em 'V". Mas inicialmente todos subestimam o prejuízo," disse Michala Marcussen, chefe de economia global do Société Generale.

"A energia é um fator crucial. Se a produção de energia for prejudicada de forma permanente, então poderá haver um impacto duradouro sobre a economia."

A Tokyo Electric Power Co anunciou no domingo que poderá realizar racionamento de energia com blecautes até o inverno.

"O terremoto vai paralisar muita coisa. Vamos ver muito um corte no PIB e os apagões causarão uma grande contração da produção," disse Janwillem Acket, economista-chefe do grupo Julius Baer.

Ele estima que a crise deverá ser sentida por dois trimestres, mas não deverá levar a economia de volta à recessão.

"Sabemos que as finanças públicas já estão com problemas, muito mais do na época de Kobe. A pressão para aumentos emergenciais de impostos de emergência já existe. Mas não acho que a economia vá voltar à recessão."

Após o terremoto de Kobe de 1995, a economia encolheu 2 por cento, seguida por uma recuperação em "V". No último trimestre de 2010, o PIB do Japão encolheu por em 1,3 por cento anual.

Bolsas vão ignorar o sismo

Os mercados acionistas reagiram em baixa ao sismo no Japão, com as bolsas asiáticas a tombarem cerca de 5%. Mas, depois de os investidores terem 'digerido' a situação, as bolsas recuperaram.

"Não acredito que este evento vá criar medo e incerteza no mercado. É um acontecimento natural. Eles vão recuperar", sublinhou Todd Horwitz, analista da Adam Mesh Trading Group.

CONCLUSÃO

Do exposto podemos concluir que os consultores mencionados preferem ser otimistas para que suas empresas não tenham perdas mais significativa que fatalmente ocorrerão se os especuladores das Bolsas de Valores pelo mundo afora provocarem uma substanciam queda nas cotações. Por esse motivo, a primeira coisa que devem ter feito os fundos de investimentos, as seguradoras e os bancos credores foi a de concentrar seus esforços para sustentar as (evitar a queda das) cotações nos pregões das grandes bolsas em todo o mundo.

No Brasil não há razão para preocupações com as cotações visto que, como disse Joelmir Beting extremamente perseguido pela extrema-direita brasileira, a BOVESPA é quase unicamente movida pela PETROBRÁS.

À tal manifestação podemos acrescer que, antes das privatizações levadas a cabo durante o governo FHC, a BOVESPA era motiva também pelas demais empresas estatais brasileiras, as únicas realmente privadas.

Em tese, só podem ser consideradas empresas realmente privadas as que têm suas ações negociadas nas Bolsas de Valores. Depois das privatizações, a quase totalidade das antigas estatais deixou de ter as suas ações negociadas nas Bolsas de Valores.

TERREMOTO PODE ATÉ ACELERAR ECONOMIA JAPONESA

Por Luís Artur Nogueira / Exame.com,  em 13/03/2011, com anotações e comentários [em vermelho] por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750.

São Paulo – O maior terremoto já ocorrido no Japão em 140 anos de medições vai prejudicar a atividade de montadoras de veículos, fábricas de eletrônicos e refinarias no curto prazo. Porém, o esforço fiscal e monetário que será necessário para reconstruir as áreas atingidas poderá, no final das contas, representar uma expansão para a economia japonesa, na avaliação do economista especializado em Ásia Paulo Yokota [ex-diretor do Banco Central do Brasil]

A reconstrução vai exigir um esforço muito grande. Será preciso flexibilizar o orçamento, embora o nível de endividamento público já esteja muito elevado”, diz Yokota. Equivalente a duas vezes o PIB japonês.

O especialista explica que a dívida japonesa é bem diferente da europeia. “Não há dívida externa no Japão, pois a poupança da própria população financia os gastos públicos. O custo é muito baixo já que os bônus japoneses de longo prazo [TJLP - Taxas de Juros de Longo Prazo] pagam menos de 0,5% ao ano. Na Europa, por exemplo, a rolagem das dívidas depende de dinheiro chinês, que pede juros maiores”.

Outra medida importante, que poderá ser tomada pelo Banco Central do Japão, é no mercado de crédito. “Será necessário flexibilizar o crédito para as empresas e as famílias, que são muito poupadoras”, afirma Paulo Yokota, que já foi diretor do Banco Central do Brasil. “Ainda é muito cedo para avaliar o real impacto na economia. Meu feeling (sentimento) é de que o efeito será mais positivo do que negativo”.

O economista lembra, no entanto, que a alta do preço do barril petróleo provocada pelos conflitos no mundo árabe e no Oriente Médio prejudica a economia japonesa, que importa todo o óleo que consome.

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão teve crescimento de 3,9%, totalizando 479,179 trilhões de ienes, ou US$ 5,474 trilhões, atrás dos US$ 5,879 trilhões da China no mesmo ano. Foi a maior expansão entre os países do G-7 (o grupo das setes maiores economias do mundo), após sofrer com a crise nos dois anos anteriores.

Do ponto de vista político, haverá um ganho para o governo japonês, na avaliação do especialista, que edita o site Ásia Comentada. “O prestígio do governo estava muito fraco. O terremoto vai aglutinar a população em torno da reconstrução”.

Paulo Yokota, que tem família no Japão e já fez mais de 100 viagens para a região, está impressionado com o “pequeno” impacto causado pelo terremoto de 8,8 [ou 9] graus. “Pelo tamanho do terremoto, era de se esperar que houvesse até milhões de mortos. O Japão é muito preparado para esses fenômenos. Não foi à toa que veio uma missão japonesa a São Paulo neste início de ano para oferecer assistência às autoridades na questão das enchentes”.

NOTA: As informações econômicas do ex-diretor do Banco Central do Brasil, embora seja vidrado no país natal de seus antepassados, pode ser considerada mais confiável porque parecer estar neutro, visto que não defendeu interesses de determinadas empresas, como fizeram os demais entrevistados pelos meios de comunicação aqui enumerados.