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A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO E OS GASTOS PÚBLICOS

A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO E OS GASTOS PÚBLICOS

SER CONTRA O ABORTO: SADISMO OU EXTREMISMO RELIGIOSO

São Paulo, 22/09/2008 (revisto em 03/11/2009 com a inclusão de vídeos - Debates sobre a Regulamentação do Aborto)

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750

Referências: Indenização por Danos Físicos e Morais para a Mãe e o Filho Deficiente Indesejado. Algolagnia, Sadismo, Masoquismo, Sadomasoquismo, Radicalismo, Extremismo Religioso e Político, Dogmas Religiosos. Criminalidade - Crimes de Abandono de Incapaz e de Eutanásia. Debate sobre a Regulamentação do Aborto - Reforma ou Flexibilização dos Direitos da Mulher. Contabilidade de Custos na Saúde Pública, Gastos Públicos, Sonegação Fiscal, Carga Tributária das Entidades Religiosas - Cancelamento das Imunidades Tributárias, Omissão dos Detentores do Poder Econômico, dos Especuladores e dos Sonegadores de Impostos.

SADISMO E MASOQUISMO

No Dicionário Aurélio lê-se que ALGOLAGNIA é a perversão daquele que só tem prazer sexual associado a uma dor experimentada por ele mesmo ou infligida a outrem: (grifo nosso)

Talvez fosse necessária a realização de estudos mais profundos para que seja definido se o prazer do sadomasoquista é meramente sexual ou está associado a outros tipos de perversão praticados contra o ser humano.

Na medicina, segundo o mesmo Dicionário, PERVERSÃO é o desvio ou perturbação de uma função normal, sobretudo no terreno psíquico.

Talvez seja por isso que muitas pessoas têm prazer (não sexual) quando percebem o sofrimento das demais em seu entorno (circunvizinhança), principalmente quando aquelas pessoas sofredoras são consideradas inimigas.

Nesse ponto é preciso relembrar que as elites endinheiradas e os megalomaníacos consideram indiscriminadamente as pessoas por eles empobrecidas como inimigos que lhes querem tirar a fortuna ou a sua supremacia no âmbito político e governamental.

Ainda no Dicionário Aurélio lê-se que MASOQUISMO é a perversão sexual em que a pessoa só tem prazer ao ser maltratada física ou moralmente; algolagnia passiva.

Como exemplo da utilização da palavra masoquismo, o Dicionário transcreve frase de Tristão da Cunha escrita 1936 no livro intitulado Histórias do Bem e do Mal, páginas 115-116, onde se lê:

Ao sadismo cândido da infância vieram misturar-se as complicações do masoquismo, as equívocas correntes subterrâneas, de crueldade e sofrimento, que levam os homens a compor tragédias, e tanta vez a vivê-las.

Parece que aquele indivíduo contrário à legalização do aborto é um desses sádicos excessivamente cruéis que sentem imenso prazer ao ver o sofrimento das mães que foram obrigadas a ter o filho que não desejariam ter e que por razões financeiras e de desarranjos na estrutura familiar nem deveriam ter. Esses mesmos sádicos devem deliciar-se com a infelicidade dessas mães que, segundo eles, receberam um castigo divino por terem praticado um ato sexual impuro (fora do casamento religioso e/ou sem a intenção de procriar).

O Dicionário continua explicando que por extensão o MASOQUISMO significa prazer que se sente com o próprio sofrimento. Conforme sadismo e sadomasoquismo.

Em complementação explica que SADISMO é a perversão sexual em que a satisfação erótica advém de atos de violência ou crueldade física ou moral infligidos ao parceiro sexual; algolagnia ativa.

Por extensão o SADISMO significa o prazer [ou satisfação não sexual] que o indivíduo tem com o sofrimento alheio. Conforme masoquismo e sadomasoquismo.

EXTREMISMO POLÍTICO

Ainda o Dicionário Aurélio explica que EXTREMISMO é a doutrina, corrente ou tendência que preconiza soluções extremas para os problemas sociais.

O Extremismo na política, por exemplo, pode ser de direita e de esquerda.

Os extremistas de direita

Os extremistas de direita são aqueles que defendem apenas os interesses mesquinhos dos detentores do poder econômico, os quais não se sensibilizam com as mazelas sofridas pela maior parte da população e até têm prazer em ver o sofrimento do povo.

Estes extremistas de direita são os descendentes dos antigos escravocratas. São aqueles que preconizam a redução ou inexistência dos direitos trabalhistas, o aumento das horas de trabalho dos operários e colonos, a manutenção de sistema de trabalho escravo ou semi-escravo, a redução dos salários ou o não-reajuste dos mesmos e a redução ou eliminação de outros direitos dos trabalhadores.

Veja o texto intitulado O Fim dos Direitos Trabalhistas, que possui vídeos de debate realizado no Programa Canal Livre da rede Bandeirantes de Televisão sobre a redução da carga horária de trabalho semanal de 44 para 40 horas em que é possível observar como pensam e agem os extremistas de direita.

Esses extremistas de direita não se importam que por tais motivos muitos trabalhadores sobrevivam em condições subumanas em favelas ou guetos (bairro, em qualquer cidade, onde são confinadas certas minorias por imposições econômicas e/ou raciais). Esses favelados são considerados como minorias porque por enquanto ainda não são em número superior à metade da população. Se depender dos extremistas de direita os favelados dentro de pouco tempo serão maioria.

Sobre esse tema veja o texto intitulado “Queremos os Ricos no Governo”.

Os extremistas de esquerda

Os extremistas de esquerda são aqueles que de fato estão preocupados em resolver os problemas sociais enfrentados pelos menos favorecidos. Mas, ao invés de procurarem somente os meios pacíficos para seu intento, por acharem que de tal forma é impossível, muitos deles até usariam os instrumentos bélicos (armamentos) em uma guerra civil com o intuito de resolver os problemas sociais.

AS CAUSAS DOS PROBLEMAS SOCIAIS

Esses citados problemas sociais geralmente são causados pela falta de recursos públicos para educação, de saúde pública, de saneamento básico principalmente em favelas e guetos, de construção de moradias populares, escolas de ensino elementar e médio e de centros de cultura, informação e laser, além da melhoria das relações de trabalho e de assistência e previdência social.

Obviamente, os recursos financeiros necessários à implantação dessas melhorias devem ser tirados dos detentores do poderio econômico mediante a cobrança de tributos, conforme prevê o parágrafo 1º do artigo 145 da Constituição Federal Brasileira de 1988.

O EXTREMISMO RELIGIOSO

Por extensão, extremismo religioso é aquele que se prende a dogmas conservadores escritos há séculos ou milênios, não sendo admitido que tais dogmas arcaicos sejam revistos e adaptados ao momento presente em que se “luta” nos meios jurídicos e legislativos para diminuir o sofrimento humano, especialmente das classes sociais mais pobres.

Segundo o Dicionário, DOGMA é o “ponto fundamental e indiscutível duma doutrina religiosa” (grifo nosso).

Parece óbvio que as religiões mantenedoras de tais dogmas arcaicos e considerados por elas como indiscutíveis (imutáveis) não merecem a fé pública.

A palavra indiscutível é utilizada no sentido de que tal doutrina religiosa não pode ser modificada mesmo que seja extremamente incompatível com a realidade presente. Portanto, é um absurdo, uma inconseqüência dos administradores religiosos, a briga e o esforço que fazem pela manutenção desses dogmas, o que nos leva a crer que tais administradores religiosas extremistas não são seres racionais.

OS EXTREMISTAS E OS GASTOS PÚBLICOS

Também é óbvio e pode ser facilmente comprovado que os atos extremistas sempre redundam no aumento dos Gastos Públicos, tanto nas épocas de Paz como nas de Guerra.

Em conseqüência de seus atos extremistas, indiretamente as entidades religiosas radicais estão alimentando e querendo perpetuar o sofrimento humano, o qual tem causado sensível aumento dos Gastos Públicos com a Saúde Pública.

Esses Gastos Públicos são os custos financeiros indesejáveis impingidos ao povo pelos detentores do poderio político e econômico que no passado conseguiram aprovar leis para cobrança de tributos indiretos incidentes sobre alimentos, remédios e demais produtos populares e serviços normalmente consumidos nos lares da população mais pobre.

Como comparação lógica, podemos dizer que o extremismo religioso é aquele praticado, por exemplo, pelos Pajés das tribos indígenas e pelos curandeiros que, tal como os demais religiosos radicais e extremistas, não querem admitir que sejam verdadeiros os progressos obtidos por intermédio das ciências médicas, biomédicas e humanas. Se tais religiosos não fossem tão radicais e extremistas, talvez fosse possível convencê-los de que a inteligência humana também é uma dádiva divina que nos levou a conseguir os inegáveis progressos através do desenvolvimento e da modernização das ciências.

Mas, esses não são os reais problemas a serem enfrentados. O que nos causa indignação é que os extremistas religiosos envidam todos os seus mesquinhos esforços (baixos, reles, sórdidos, medíocres, ordinários e vulgares) para que esses problemas de saúde pública e de redução da criminalidade não sejam resolvidos, inclusive sendo contrários ao uso de preservativos e de outros meios de ser evitada a gravidez indesejada.

Veja os vídeos com comentários sobre o procedimento do Bispo de Recife que excomungou os médicos que praticaram aborto autorizado pela justiça a pedido da mãe de uma menina de 9 anos que estava grávida mediante abuso sexual praticado pelo padrasto.

CRIMES DE ABANDONO DE INCAPAZ E DE EUTANÁSIA

É preciso levar em consideração também que certas mães ao serem obrigadas por esses religiosos a ter o filho indesejado, são indiretamente induzidas à criminalidade quando tentam abandonar seus filhos deficientes ou mesmo aqueles nascidos normais, que não terá condição psicológica e/ou financeira para cuidar, muitas vezes também em razão da deficiente estrutura familiar.

Ao cometer o crime de abandono ou de assassinato (eutanásia), além do seu próprio sofrimento e do de seus familiares, a mãe atrairá contra si a ira ou indignação da opinião pública porque os meios de comunicação, vulgarmente chamados de mídia, geralmente não explicam quais foram as razões e os dogmas que a induziram a cometer tais crimes ou desatinos.

No Dicionário Aurélio podemos ler que EUTANÁSIA é a “prática, sem amparo legal, pela qual se busca abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente incurável”.

É preciso levar em consideração também que o indireto abandono de crianças e adolescentes, porque as mães sem marido precisam trabalhar, podem ser um dos responsáveis pela marginalização de muitas crianças e adolescentes que depois são aliciados pelo banditismo, visto que não podem ser presas por terem menos de 18 anos de idade. E muitas dessas mães sem condições de conseguir trabalho passam a usar seus filhos menores para a angariação de esmolas.

Entretanto, embora sejam as causadoras indiretas desses elevados índices de criminalidade, por não permitirem o aborto, tal como os sonegadores de impostos essas entidades religiosas radicais e extremistas não querem assumir o ônus da manutenção das crianças que foram obrigadas a nascer e depois foram abandonadas. O pior é que esse ônus é repassado para o povo que, mediante o pagamento de impostos, terá que entregar ao governo os recursos financeiros necessários aos enormes Gastos Públicos com toda a máquina estatal (policial, social, jurídica e carcerária) para manutenção das pessoas envolvidas na tragédia e para investigação dos crimes praticados por aquela infeliz mãe, além de seu julgamento e condenação e de sua manutenção na prisão. E assim, em razão do extremismo religioso, foi gerado mais um ser improdutivo ou vegetativo (a infeliz mãe) que poderia ser uma pessoa como outra qualquer, se lhe fosse permitido abortar o feto indesejado no período de sua gestação. Por isso, nestes casos é preciso analisar, raciocinar, agir, legislar, condenar ou absolver com racionalidade (racionalismo) e realismo.

Vejamos o que o Aurélio escreveu sobre RACIONALISMO. Racionalismo é o “método de observar as coisas baseado exclusivamente na razão, considerada como única autoridade quanto à maneira de pensar e/ou de agir. Na Filosofia, ciência do pensamento lógico, o racionalismo é doutrina que considera ser o real que se pode plenamente conhecer pela razão ou pela inteligência, em detrimento da intuição, da vontade, da sensibilidade, etc”. Nesta acepção, racionalismo é sinônimo de intelectualismo. Ainda com base na Filosofia como ciência, o racionalismo é a “doutrina que admite, quanto à origem do conhecimento, que este, em última instância, é determinado por princípios racionais, inatos ou a priori, ainda que se possa condicionar a validade do uso desses princípios à disponibilidade de dados empíricos”.

FILOSOFAR é raciocinar acerca de assuntos filosóficos, é discorrer sobre qualquer matéria científica, é raciocinar tirando induções, é pensar, meditar, cismar, matutar, é argumentar, discutir ou disputar com sutileza, é dizer ou escrever como quem filosofa ou raciocina, tirando induções.

SEGURO SOBRE A "PERDA DA EXISTÊNCIA INDEPENDENTE"

A mãe obrigada a ter um filho que não possa viver de forma independente, automaticamente está sendo condenada a também não ter existência independente. Está sendo condenada pela religião a ficar eternamente à custa de outrem pagando uma penitência visto que nada mais poderá fazer durante sua existência além de cuidar daquele filho que "por vontade divina" nasceu defeituoso.

Toda PENITÊNCIA é incômodo, fadiga, sacrifício, aflição ou tormento, conforme nos explica o Dicionário Aurélio.

Mas, segundo os dogmas religiosos PENITÊNCIA é a “virtude cristã que leva ao arrependimento pelos próprios pecados, visto que constituem ofensa aos desígnios divinos”. No caso em questão, em tese, o grande pecado da mãe do deficiente foi o de ter praticado o ato sexual. Segundo alguns extremistas religiosos o ato sexual só deve ser praticado quando houver a intenção de procriar e essa procriação só é permitida com o marido depois do casamento religioso.

Ainda com base nos dogmas religiosos, PENITÊNCIA é o “ato de expiação dos pecados, assumido por iniciativa pessoal, ou por indicação da Igreja ou de seus delegados”. Neste caso a mãe do deficiente obviamente achará que não cometeu nenhum pecado. Para ela os pecadores são aqueles extremistas religiosos que a obrigaram a ter o filho indesejado.

Também com base nos dogmas religiosos, PENITÊNCIA é a confissão ou “o sacramento que consiste na acusação contrita dos próprios pecados, feita a um ministro legítimo da Igreja ou a seus delegados, a fim de obter o perdão divino ou a absolvição”. No caso em questão, mesmo não tendo confessado a pratica de um pecado, a mãe foi condenada a se penitenciar durante toda a sua vida e a de seu filho deficiente.

Como última definição o Dicionário Aurélio explica que ainda segundo os dogmas religiosos, PENITÊNCIA é “a absolvição tomada como sinal de perdão”. Isto significa que a mãe em questão não foi e nunca será absolvida e ainda recebeu um castigo eterno. O castigo em parte cessará quando Deus resolver matar, ou melhor, levar para o céu (para imensidão) o filho deficiente indesejado. Aliás, de forma também radical ou extremista até poderíamos acreditar que a mãe, ao matar o próprio filho, na realidade o fez a pedido de Deus ou para aliviar ou reduzir o trabalho de Deus ou para não deixá-lo com o trauma de ser um pecador porque foi a sua "vontade divina" quem gerou ou distribuiu tanto sofrimento.

Assim sendo, aquelas pessoas ou entidades e aqueles órgãos ou governos que obrigaram aquela mãe a ter o filho deficiente indesejado e a passar por sérias dificuldades durante toda a sua vida devem ser condenados a indenizá-la mediante a cessão de todos os recursos materiais necessários à sua plena manutenção e a de seu filho deficiente.

Com semelhante finalidade a SUSEP - Superintendência de Seguros Privados regulamentou a cobertura ou indenização por IFPD - Invalidez Funcional Permanente Total por Doença (artigos 11 a 22 da Circular SUSEP 302/2005).

Por similaridade, a mãe impedida de abortar e que teve filho deficiente ou que não tenha condições financeiras de criá-lo teria direito a idêntico tipo de indenização por Invalidez Funcional Permanente em razão da "Perda de sua Existência Independente", conforme prevê o normativo da SUSEP.

Assim sendo, a mãe que se sentir prejudicada por ter sido impedida de abortar, comprovada a sua Impossibilidade de Trabalhar, motivada pela falta de tempo disponível em razão dos excessivos cuidados que deve dispensar ao filho deficiente, poderia solicitar judicialmente o pagamento de indenização por danos físicos, morais e por ter sido impedida eternamente de ter existência independente da de seu filho.

Obviamente a referida indenização será paga pelo povo, através do Governo, porque os governantes no Poder Executivo e os legisladores no Poder Legislativo, todos eleitos por esse mesmo povo, não envidaram os devidos esforços para aprovar a legislação que permita o aborto.

CARGA TRIBUTÁRIA DAS ENTIDADES RELIGIOSAS

Parece que todos sabem que as entidades religiosas de qualquer culto são imunes de tributação (artigos 168 a 173 do RIR/1999, baseados na alínea “b” do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal de 1988 e na legislação complementar).

É claro que, ao insistirem na manutenção de seus DOGMAS, não permitindo a legalização do aborto e do controle artificial da natalidade, as entidades religiosas serão as únicas culpadas pelo excessivo Gasto Público necessário ao pagamento das citadas indenizações às mães prejudicadas. Assim sendo, os governantes no Poder Executivo e os demais representantes do povo no Poder Legislativo devem alterar a legislação tributária no sentido de obrigá-las a ressarcir o povo de tais custos indesejáveis.

Como os cultos religiosos são considerados como entidades sem fins lucrativos, mas são extremamente ricos, primeiramente devem ser canceladas as suas imunidades tributárias e em seguida devem ser criados pesados tributos a serem pagos por todos eles para que seja financeiramente possível o pagamento de indenizações às mulheres prejudicadas pelos seus respectivos dogmas imutáveis.

Como as entidades religiosas em tese não têm renda, esses tributos devem ser calculados com base no seu patrimônio (sinais exteriores de riqueza), inclusive mediante leilão de objetos valorosos, obras de arte e imóveis, para que o dinheiro arrecadado seja utilizado para pagamento das citadas indenizações.

Isto significa que o ônus oriundo da irreverência (descaso) e da teimosia dos administradores religiosos radicais e extremistas será repassado aos seus fiéis seguidores que deverão contribuir com dízimos para o pagamento desses pesados tributos instituídos para serem utilizados no pagamento das indenizações às mulheres queixosas.

Torna-se importante salientar que indiretamente tais medidas estão sendo tomadas nos Estados Unidos da América, onde entidades religiosas foram judicialmente obrigadas a indenizar as vítimas dos seus representantes paroquiais que praticaram a PEDOFILIA (abusos sexuais mediante aliciamento de crianças). Também é importante destacar que lá o aborto é legalizado, o que também acontece em todos os demais países considerados desenvolvidos, conforme publicou a Revista Veja com semelhante comentário: - Talvez por esse motivo eles sejam desenvolvidos e nós não!!!

Por fim, faz-se necessário salientar que, seja o governo ou as entidades religiosas condenadas a indenizar as mães prejudicadas, quem sempre indiretamente ficará com o ônus do pagamento das indenizações será o povo (os fiéis seguidores dos representantes das entidades religiosas).

Enfim, o Povo sempre paga pela inconseqüência e pela má administração (descaso) dos administradores públicos e religiosos.

MATERIALISMO PAGÃO

Do exposto muitos poderão alegar que tal raciocínio lógico (filosófico) é meramente materialista e de fato é.

O Dicionário Aurélio explica que segundo a Filosofia, como ciência da lógica e da razão, MATERIALISMO é a “tendência, atitude ou doutrina que admite, ou que a matéria, concebida segundo o desenvolvimento paralelo das ciências, ou que as chamadas condições concretas materiais, são suficientes para explicar todos os fenômenos que se apresentem à investigação, inclusive os fenômenos mentais, sociais ou históricos”.

Assim sendo, o Dicionário continua explicando que “o materialismo se afirma sobretudo ante o problema da origem do mundo [universo] (que dispensa a criação divina e se explica em termos evolutivos), o problema ético (dele resultando moral hedonística), o problema psicológico (orientando a pesquisa no sentido de estabelecer as relações diretas entre os fenômenos psíquicos e as reações do organismo aos estímulos ambientais), e o problema do conhecimento (em que afirma a adequação da razão ao conhecimento do mundo, adequação que se evidencia pelo incessante progresso do conhecimento científico)”.

O HEDONISMO ou a Escola Hedonística (tido como a “Doutrina moral do cirenaísmo”) é a “doutrina [ética] que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral”.

Como exemplo de citação da palavra hedonismo o Dicionário Aurélio transcreve frase do discurso escrito por Demóstenes em 330 antes de Cristo proferido contra Alexandre (O Grande), intitulado “A Oração da Coroa”, traduzido para o português em 1951 por Latino Coelho, onde se lê:

A teoria socrática do bom e do útil, da prudência, ... produz ... o hedonismo, ou a filosofia, em que toda a humana bem-aventurança se resolve no prazer”, ou seja, na satisfação dos desejos do ser humano.

E o maior e mais lógico dos desejos de uma mulher que, por razões financeiras, psicológicas ou de saúde pública, não esteja em condições de ser mãe, obviamente pode ser o de abortar o feto que será eternamente o filho indesejado.

CIRENAÍSMO (na História da Filosofia) é a “doutrina da escola cirenaica, ou escola de Cirene, fundada pelo discípulo de Sócrates, Aristipo de Cirene (no século V a.C.), e de seus seguidores, cujo tema central é o hedonismo” ou a “escola hedonística” que prima pela ÉTICA.

Observe que as citações acima são anteriores ao nascimento de Jesus Cristo, mas, apesar dessa longevidade são mais realistas que as defendidas por algumas entidades religiosas extremamente preconceituosas em relação às citações filosóficas e democráticas (não ditatoriais).

O Ditador, tal como o extremista religioso reacionário à reforma ou flexibilização dos direitos da mulher, é o indivíduo despótico, autoritário, que não admite que sua vontade seja democraticamente discutida ou modificada. Este sim é o verdadeiro nazista, fascista ou sei lá mais o quê.

OUTRA DISCUSSÃO SOBRE A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

Como minha filha mais nova é biomédica e recebeu da USP - Universidade de São Paulo o título de mestra em biotecnologia, um casal de professores estiveram em nossa residência para um almoço de domingo. Os dois, embora especializados em genética, também são contrários à legalização do aborto e à utilização de células-tronco para o salvamento de vidas humanas porque, em tese, “ao se utilizar a célula-troco está-se matando uma vida” que ainda não nasceu, não se tornou realidade cá fora do corpo humano. Ou seja, eles preferem não matar uma vida que realmente não nasceu para assim deixar que outras sofredoras já nascidas morram (não sejam salvas da eventual incapacidade física ou tenham suas vidas produtivas prolongadas).

Como resumo do conversado, foi escrito o texto intitulado Contabilidade de Custos na Saúde Pública, onde são considerados especialmente os excessivos Gastos Públicos necessários à manutenção dos seres imperfeitos que poderiam ser e não foram abortados durante o período de gestação.

OUTRO TEXTO SOBRE SADISMO, RADICALISMO E EXTREMISMO

Depois dessas explicações também radicais e extremistas, mas, em sã consciência (com sinceridade, realismo, materialismo e racionalismo), veja a seguir partes do texto publicado em 14/09/2008, escrito por Celso Fonseca, intitulado “Dor Purifica?” extraído do site do Jornal  Folha Universal em 19/09/2008, com comentários de Américo Parada.

DOR PURIFICA?

Sob este título, a partir do segundo parágrafo do texto mencionado o articulista escreveu:

Com mais de 50 anos de carreira, o médico obstetra Dernival da Silva Brandão, membro da Academia Fluminense de Medicina, deixou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio de Mello de queixo caído. Durante sessão em que se debatia a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, na qual - é fato - a mulher corre risco de morte e pode sofrer muito durante a gestação, o médico afirmou que o ‘sofrimento purifica’”.

Continuando, no terceiro parágrafo menciona:

Num momento em que o País debate questões importantes, que certamente vão torná-lo mais civilizado, como a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos [sem cérebro] e o uso de células-tronco embrionárias,”... “por incrível que pareça,” o citado médico “faz sucesso com seu extremismo religioso”. “Com teses antiquadas, ele é sempre convocado a representar os setores mais conservadores da Igreja Católica e demais movimentos contrários ao direito da mulher sobre o próprio corpo.

Aliás, é importante destacar que o extremismo religioso e a cobiça econômica estão entre os principais motivos causadores das guerras que se verificaram e ainda se verificam em nosso planeta.

É preciso destacar também o que menciona o Dicionário Aurélio sobre a Anencefalia. Vejamos:

ANENCEFALIA é a “Monstruosidade em que não há abóbada craniana e os hemisférios cerebrais ou não existem, ou se apresentam como pequenas formações aderidas à base do crânio”. (grifo nosso).

Do exposto parece claro, sem a necessidade de se ouvir um médico, que a criança anencéfala vai nascer sem o órgão que a possibilitaria saber ou sentir que está vivendo. Vai nascer sem o órgão vital que permitiria movimentar-se e que coordenaria todos os seus pensamentos e movimentos físicos. O nascimento sem esse órgão vital, na prática ou na realidade significa que a criança verdadeiramente nunca viverá, porque viver uma vida não-vegetativa é ter a possibilidade de exercer plenamente a sua capacidade física e mental. Por isso, a criança com essa anomalia sempre morre pouco tempo depois do nascimento.

Então, pergunta-se: Como exercer a vida se o cérebro não existe? Tal como o Dicionário Aurélio sugere acertadamente, se o cérebro não existe, o ser nascido não é uma criança, não tem vida, não é um ser humano. É sim um monstro.

O articulista no Jornal Folha Universal explica:

Para o doutor Brandão, uma gestação de risco em que o bebê vai morrer dignifica a mulher. ‘Continuamos perplexos com a resposta’, afirmou o ministro Mello, após a audiência.

A perplexidade já seria natural, mesmo se a frase partisse de um cidadão comum. Tratando-se de um médico, que tem por um dos ofícios combater o sofrimento humano, provoca sérias preocupações com a saúde pública.

Conforme foi mencionado no texto sobre a Contabilidade de Custos na Saúde Pública, as preocupações não devem ser apenas quanto a dores físicas e mentais do feto que, por ser um monstro, não as sente. Devemos nos preocupar com os sentimentos de sua mãe e dos seus demais familiares. Devemos também nos preocupar com o que a manutenção do feto defeituoso e da monstruosidade nascida significa de custo financeiro inútil para o Estado, para a família vítima da imperfeição e para o contribuinte de impostos que é obrigado a pagar todos esses custos.

Nesse ponto é preciso esclarecer ainda que os detentores do poderio econômico, que deveriam ser os únicos a contribuir com o pagamento de tributos, são os que mais buscam artifícios legais, financeiros e contábeis para se eximirem desse pagamento tão necessário à manutenção desses deficientes desde o período de sua gestação até o seu falecimento. Esses recursos financeiros continuarão a ser necessários mesmo depois da morte daquele ser defeituoso para tratamento psicológico ou psiquiátrico dos traumas que aquela mãe foi obrigada a sofrer (“ser mãe é padecer no paraíso”).

Então, o articulista continua explicando:

O doutor Brandão é um dos poucos médicos contrários à interrupção da gravidez de bebês anencéfalos [sem cérebro]. Nos casos em que o desenvolvimento do cérebro é comprometido, a morte do bebê é certa. Pode também levar a mãe à morte.

Não por acaso, pesquisa recente indica que 80% dos ginecologistas membros da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) são favoráveis ao direito da mulher optar por interromper esse tipo de gravidez.

Segundo o articulista em seu texto publicado pelo Jornal Folha Universal, o médico Jorge Andalaft Neto que representou a Febrasgo no STF revelou que a opinião do seu colega de profissão não tem sentido, acrescentando: “Esse conceito de que ser mãe é sofrer no paraíso tem que acabar. É muito arcaico” ... “Não existe mais isso de falar que a dignificação vem do castigo. A ciência superou isso”.

O articulista continua explicando que “no STF, o ministro da Saúde, o médico José Gomes Temporão, foi a favor da interrupção”. Ainda com base no publicado pela Folha Universal, o Ministro afirmou: “A mulher vive situação brutal, cruel, sabendo que carrega no ventre uma vida que não terá continuidade”.

Na audiência, o doutor Brandão chegou a comparar o movimento para que a mulher possa exercer os direitos de interromper a gravidez com práticas nazistas. É de deixar qualquer um perplexo.

Como já foi mencionado acima, o DITADOR, tal como o extremista religioso reacionário à reforma ou flexibilização dos direitos da mulher, é um indivíduo despótico, autoritário, que não admite que sua vontade seja democraticamente discutida ou modificada. Este sim é o verdadeiro nazista, fascista, leninista, ou sei lá mais o quê.

Veja os textos:

Veja os vídeos do Programa Canal Livre da Rede Bandeirantes de Televisão de 30/03/2009 que contém debate entre médico e jurista sobre o Aborto no Brasil.