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LULA QUER MUNDO LIVRE DE DOGMAS

LULA QUER MUNDO LIVRE DE DOGMAS

DOGMAS RELIGIOSOS OU DOGMAS ECONÔMICOS?

São Paulo, 10/03/2009 (Revisado em 19-09-2018)

Referências: Economia e Religião, Gastos Públicos, A Carga Tributária e a Contabilidade de Custos na Saúde Pública, Legalização e Regulamentação do Aborto, Extremismo Religioso; Crise Financeira Norte-Americana (“Crise Mundial”), Bolsas de Valores - Cassino Global, Cooperativismo, Ação Comunitária, Viver em Comunidades ou em Comunas, Humanismo, Ação Humanitária. Capitalismo Anárquico dos Neoliberais (Anarquistas), Autorregulação (auto-regulação) dos mercados. Privatização dos Lucros e Socialização dos Prejuízos. As Agências Reguladoras como forma de Governo Paralelo

Índice dos textos desta página:

  1. O ABORTO, OS GASTOS PÚBLICOS E OS DOGMAS RELIGIOSOS
  2. O QUE É DOGMA?
  3. O CAPITALISMO NEOLIBERAL ANARQUISTA E OS DOGMAS ECONÔMICOS
  4. FHC CRITICA ESPECULADORES E PEDE RAZÃO E SENSATEZ

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador COSIFE

1. O ABORTO, OS GASTOS PÚBLICOS E OS DOGMAS RELIGIOSOS

Lendo o título desta página (Lula Quer Mundo Livre de Dogmas) o leitor teria a impressão que o presidente em seu artigo publicado pelo jornal inglês Financial Times estaria se referindo à mãe e aos médicos que foram excomungados por um bispo pernambucano. No citado episódio uma mãe desesperada tinha solicitado que fosse praticado o aborto de gêmeos que estavam em gestação por sua filha de 9 anos de idade que tinha sido estuprada pelo padrasto.

Veja vídeos da Rede Bandeirantes de Televisão com comentários sobre essa notícia.

A parte mais polêmica do exagerado fanatismo religioso do bispo pernambucano foi a demonstração de que não mais consegue enxergar a diferença entre a razão e a demência e por isso deixou de excomungar o padrasto estuprador. O bispo apenas excomungou a mãe desesperada e os médicos que optaram pela racionalidade, que é a principal virtude do ser humano.

Ou seja, o bispo deixou de lado a sua esperada capacidade de raciocinar e por esse motivo considerou que o estupro não seria um ato merecedor de castigo divino e sim o aborto praticado pelos médicos a pedido de uma mãe desesperada, pois havia a possibilidade de ocorrer uma tragédia, que seria o falecimento de sua filha.

Essa foi a probabilidade destacada pelos médicos que consideraram a gravidez como de alto risco se levada até o nascimento das crianças. Isto é, diante dos avanços científicos na medicina e considerando as estatísticas baseadas na ocorrência de casos semelhantes, os médicos diagnosticaram que a continuação da gravidez fatalmente provocaria a morte daquela infeliz criança que estava gerando duas outras crianças. Segundo os especialistas, uma menina de 9 anos de idade ainda não tem os órgãos femininos plenamente desenvolvidos de forma que lhe permita ser mãe sem correr o elevado risco de vir a falecer em razão do parto.

Diante desse triste episódio provocado pelo bispo, Lula chegou a declarar, como ser humano e religioso, que é contra a banalização do aborto, mas, como governante (homem público), tinha o dever de considerar o fato como um problema de saúde pública.

Isto significa que nesses casos a palavra dos médicos é mais importante que a palavra divina pregada pelos religiosos, ao contrário do apregoado pelo irracional bispo.

Em outros textos publicados neste site do Cosife foi colocado em discussão o ABORTO e a necessidade de sua regulamentação.

Diante dos elevados gastos que as mães de crianças mal nascidas acarretam à própria família e também ao Estado, que arca com os custos de manutenção da saúde pública, é preciso que se faça alguma coisa para evitar esse elevado custo financeiro e o desnecessário sofrimento dos seres humanos envolvidos com tal problema de gravidez indesejada.

Não estou me referindo ao custo do aborto em si. Estou me referindo aos gastos públicos perpétuos que serão necessários para atendimento das pessoas que se tornaram vítimas dos extremistas contrários ao aborto. Na prática será o ESTADO quem vai pagar a conta e obviamente vai repassar esses custos para os contribuintes de impostos que, sem serem os causadores desses problemas de saúde pública, vão pagar a conta da insanidade, do misticismo e do fanatismo pregado por religiosos, que se caracterizam pelo seu desapego a si mesmo e ao seu próximo, por insano amor e extrema fidelidade ao seu Deus.

Evidentemente que ao ser mencionada a palavra “Estado”, fala-se dos componentes de uma nação politicamente organizada (o povo). Entre esses componentes da nação estão especialmente os mencionados contribuintes que arcam com os gastos públicos por intermédio do pagamento dos impostos necessários para manutenção dos serviços de saúde oferecidos pelo governo.

Então, pergunta-se: O bispo pernambucano ao se manifestar contra o aborto estaria disposto a arcar com todos os gastos públicos futuros ao não aborto?

Claro que não, mesmo porque as entidades religiosas de qualquer culto são isentas de tributação. Ou seja, essas entidades não contribuem financeiramente para que o Estado possa atender às necessidades mínimas de sobrevivência dessas famílias sofredoras, que deveriam ser acolhidas e sustentadas por essas mesmas entidades religiosas. Isto é, para que as entidades religiosas possam ditar as normas ou as regras as serem seguidas, elas devem arcar com os custos financeiros (gastos públicos) dessa decisão arbitrária de querer impor, de forma ditatorial ou absolutista, o máximo sofrimento aos seus fiéis. É óbvio que os infiéis não vão se sujeitar a tal desmando (abuso de poder) proveniente da insanidade mental de certos extremistas religiosos.

Em tempo:

Da mesma forma como o citado bispo teve o direito da livre expressão mediante a excomunhão que tachou a mãe desesperada e os médicos (que fizeram o aborto) de diabos, demônios e malditos, amaldiçoando-os e despejando sobre eles a sua cólera e desprezo, em defesa daqueles, por uma questão de solidariedade humana e de democracia, também temos o direito de nos referir ao citado bispo mediante as adjetivações aqui escritas.

Em 13/03/2009, diante grandiosa repercussão negativa da excomunhão, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desautorizou a iniciativa do arcebispo de Recife e Olinda. Evidentemente que nesse ato a maior preocupação da igreja foi com a fidelidade dos seus seguidores. Imperou a democracia que se sobrepôs à arrogância e ao autoritarismo excludente e opressor.

Considerando que a igreja católica tem perdido significativa quantidade de fiéis e diante da pesquisa efetuada ao vivo pelo programa do DATENA na TV Bandeirantes, em que não somente os fiéis como também os demais telespectadores reprovaram em esmagadora maioria a excomunhão, ficou claro que a igreja num lampejo de sensatez resolveu ouvir a voz do povo e por isso resolveu excomungar o ato extremista do Bispo.

Nesse ponto é importante lembrar que o extremismo étnico e religioso sempre foi o causador das guerras e dos movimentos terroristas que a população mundial teve que suportar desde a antiguidade. Mesmo nas guerras que envolvem as conquistas econômicas, os seus mentores e executores partiam do pressuposto de que os povos adversários (depois de dominados) eram seres inferiores, que deviam ser tratados como indigentes ou infiéis, portanto, escravos.

2. O QUE É DOGMA?

Antes de comentar o que Lula chamou de DOGMAS ECONÔMICOS é preciso verificar como os dicionários definem a palavra DOGMA.

Segundo o Dicionário Michaelis-UOL, a palavra DOGMA pode ser definida de cinco formas:

1. Dogma é o ponto ou princípio de fé definido pela Igreja;

2. Dogma é o conjunto das doutrinas fundamentais do cristianismo;

3. Dogma é cada um dos pontos fundamentais de qualquer crença religiosa;

4. Dogma é o fundamento ou pontos capitais de qualquer sistema ou doutrina;

5. Dogma é a proposição apresentada como incontestável e indiscutível.

Como podemos ver a quinta definição é a que mais diretamente se aplica tanto à teologia quanto à teoria econômica. Por esse motivo Lula deve ter mencionado a palavra DOGMA quando se referiu às teorias religiosas e econômicas. Estava falando de doutrinas ou crenças que são consideradas imutáveis ("imexíveis") apesar do ridículo a que se expõem os defensores desses inconsequentes dogmas.

Veja os vídeos do Programa Canal Livre da Rede Bandeirantes de Televisão de 30/03/2009 que contém debate entre médico e jurista sobre o Aborto no Brasil.

3. O CAPITALISMO NEOLIBERAL ANARQUISTA E OS DOGMAS ECONÔMICOS

Considerando-se que os dogmas são incontestáveis, indiscutíveis, imutáveis e "imexíveis", mesmo sabendo-se que provocaram a violenta derrocada financeira norte-americana, Lula disse que esperava por um mundo mais HUMANO, evidentemente depois da excomunhão desses dogmas.

Particularmente tem-se quase a certeza de que a crise econômica norte-americana iniciada na década de 1970, mas avistada somente em 2008, servirá de exemplo para que sejam definitivamente banidos do cenário mundial os seguidores dos inconsequentes DOGMAS ECONÔMICOS ainda vigentes, que nos impingem o chamado capitalismo selvagem imposto pelos neoliberais, praticado especialmente pelas multinacionais apátridas.

Tal tese defendida pelos anarquistas neoliberais norte-americanos também desestruturou as economias de outros países chamados de desenvolvidos. As multinacionais são as empresas que praticam a escravidão ou a semiescravidão nos chamados países subdesenvolvidos e também nos emergentes como a China, Índia, Brasil e África do Sul. Entre os BRICS parece que por enquanto só se salva a Rússia da nefasta ação das multinacionais.

Também é evidente que os neoliberais anarquistas nunca reconhecerão o seu máximo erro em nos impingir as suas ridículas teorias egoístas.

Por isso Lula disse que não estava preocupado com o nome que dariam à nova ordem econômica e social que se faz necessária.

Assim sendo, os neoliberais anarquistas provavelmente chamarão de CAPITALISMO ESTATAL a implantação de regimes socialistas ou comunistas mediante a estatização das empresas privadas causadores dos desajustes econômicos e sociais.

Os neoliberais anarquistas jamais irão admitir que esse Capitalismo Estatal, iniciado por Bush, continuado por Obama e usado por Franklin Roosevelt depois da Crise de 1929, na realidade é a implantação de um regime socialista ou talvez de um regime comunista onde vão proliferar as kibutzim (plural de kibutz = comuna) como as existentes em Israel.

Kibutz na realidade é um sistema cooperativista (socialista) ou comunitário (comunista) em que os moradores das comunidades de cooperativados, tal como os militantes do MST - Movimento dos Sem Terras brasileiro, produziriam em comunas instaladas nos latifúndios desapropriados ou em terras de propriedade do Estado, como aconteceu em Israel.

No site Wikipédia há um texto escrito em português de Portugal em que se depreender que as Kibutzim (comunas) são uma combinação do socialismo com o sionismo trabalhista (socialista), que é ala esquerdista da tradicional ideologia sionista (movimento judeu para constituição do Estado de Israel).

Assim, as kibutzim são o fruto de uma experiência israelense para assentar povoações em regiões estratégicas de Israel, redundando num dos maiores movimentos “comunais” [cooperativistas - de convivência em comunidades ou comunas] que se tem notícia fora da antiga União Soviética. As kibutzim foram fundadas num momento em que a lavoura individual israelense se tornou inviável (sem capital, sem liderança e sem ajuda mútua - sem união).

Foi quando o governo assumiu essa função de estabelecer as regras desse sistema cooperativista e de fornecer o capital e a tecnologia necessária à implantação de projetos de desenvolvimento econômico e social em benefício da nação israelita.

Então, forçados por essa necessidade de viverem em comunidades com finalidade específica e inspirados pela ideologia socialista, os membros das kibutzim desenvolveram um sistema bem estruturado que atraiu a atenção e o interesse do mundo inteiro em razão do seu sucesso. Daí surgiram os Condomínios Fechados no Brasil.

Diante da Crise Mundial provocada pelos Estados Unidos da América, é extremamente importante o texto remetido ao “Financial Times” pelo presidente Lula como forma de contribuir para o acaloramento dos debates incentivados pelo citado jornal inglês sobre o futuro incerto e não sustentável do capitalismo neoliberal anárquico.

Por que se teima em citar o "capitalismo selvagem e anárquico dos neoliberais"?

Porque o verdadeiro capitalismo é aquele em que todos têm a possibilidade de enriquecer. No capitalismo anárquico dos neoliberais somente eles enriquecem mediante a exploração dos menos favorecidos através da implantação de sistema de semiescravidão (com salários insuficientes à sobrevivência de forma digna). Portanto é sistema egoísta e escravista.

Voltando ao tema principal é preciso repetir que num determinado ponto de seu texto, Lula afirma sua esperança num mundo livre daqueles dogmas econômicos que foram apresentados como “verdades absolutas”. Entretanto essas falsas verdades disseminadas pelos neoliberais anárquicos foram as causadoras da atual entre muitas outras crises mundiais.

Por que o repórter ou jornalista publicou no seu jornal o termo "verdades absolutas" (entre aspas)?

Ele, ao contrário de Lula, não teve coragem de provocar a ira dos neoliberais anarquistas.

Na realidade, como se viu e foi sentido pelos que estão amargando os prejuízos e o desemprego provocado pela recessão, nenhum especialista defensor desses dogmas econômicos conseguiu provar na prática que tais teses ou teorias são verdadeiras.

Isto é, esses dogmas seguidos religiosamente pelos economistas nunca foram aplicados com sucesso.

Veja o texto publicado na França sobre "A Farça ou a Máscara das Previsões". O texto é de 1992 e publicado neste site do Cosife em 17/04/2003. Porém, continua tão atual como antes. Nada mudou.

Aliás, é importante destacar que desde a segunda guerra mundial, tal como uma avassaladora inundação de mentes vazias, a lavagem cerebral conseguiu introduzir tais dogmas econômicos nas profundezas das mentes frágeis de muitas pessoas, que eram tidas como pertencentes à elite intelectual que se deixou corromper pelas riquezas oferecidas pelo capitalismo selvagem praticado pelas multinacionais.

O grande problema das crises econômicas é que elas sempre afetam mais contundentemente os 80% menos favorecidos da população de qualquer país. O desemprego começa por eles, levando-os à miséria e à criminalidade.

Os ricos, por mais que percam, jamais serão miseráveis. Há sempre alguém que os ajude a não mudar de casta.

Por isso Lula explica que as políticas contra essas crises não deveriam ser adotadas apenas depois que elas ocorrem [e sempre tentando salvar os 20% mais favorecidos do empobrecimento].

Aplicadas com antecedência - como foi feito no Brasil - as políticas contra as crises econômicas que prejudicam especialmente o povo são a garantia de uma sociedade mais justa e democrática.

As economias e os investimentos não podem ser livremente destinados à especulação, também chamada de “ciranda financeira”. É preciso que os governantes fomentem a produção em prol do bem-estar da coletividade.

Por isso Bush resolveu estatizar diversas empresas. Essas medidas de socialização dos prejuízos sofridos pelos incompetentes neoliberais pode ser o marco inicial da implantação desse citado sistema capitalista estatal (socialista) cuja política de estatização de empresas também foi imediatamente seguido por governantes de outros países.

O raciocínio lógico é o seguinte: se os capitalistas não querem produzir, o Estado (o governo) deve passar a produzir e a fomentar o desenvolvimento econômico e social.

Aqueles que nos consideram puros idiotas ficam dizendo que a função do Estado não é a de produzir. Dizem que essa função seria da iniciativa privada.

Então, por que não produzem?

Por que preferem jogar ou apostar naquele Cassino Global cujas sucursais são chamadas de Bolsas de Valores?

Foi por essas e outras razões que Getúlio Vargas optou pela Estatização da economia no Brasil, cuja doutrina também foi seguida pelos governos militares a partir de 1964.

Então, diante dessa afirmativa o leitor perguntaria: Isto significa que os militares também eram socialistas?

Não eram socialistas. Eram anticomunistas, devidamente corrompidos mediante eficiente lavagem cerebral aplicada pelas multinacionais.

Mas, em razão da circunstancial conjuntura econômica encontrada, cujas mazelas desconheciam, foram obrigados a se tornarem socialistas, assim como também se tornou Getúlio Vargas, porque os capitalistas brasileiros não queriam investir no Brasil e muito menos os estrangeiros (inexistiam os investimentos privados).

Somente o Estado (o governo) pode e deve ter total e rigoroso controle sobre a produção e o desenvolvimento, já dizia Keynes bem antes de 1945, quando terminou a segunda guerra mundial.  Ele morreu em 1946.

Tal como mencionou em outras palavras o economista Paul Krugman agraciado com o Prêmio Nobel de Economia em 2008, a teoria neoliberal da economia de mercado (oferta e procura sem controles) precisa ser mais bem regulada (controlada). O capitalismo privado sozinho é incapaz de promover o bem-estar social (que é a teoria básica do socialismo e do comunismo).

FHC durante o seu governo (ou desgoverno) de 1995 a 2002, no final do seu mandato, traído pelos seus colegas neoliberais anarquistas e desesperado com a disparada do dólar (maxidesvalorização), criticou os especuladores e clamou “pela sensatez ao mercado.

Relembre que o neoliberalismo foi a principal bandeira do governo de FHC. O descontrole dos mercados, mediante a sua liberação por intermédio da autorregulação, foi o principal causador desse dito “desgoverno” de FHC, razão do seu nítido desespero.

Com a implantação de tal política econômica o presidente FHC perdeu as rédeas de comando da economia principalmente depois das privatizações e da criação das Agências Reguladoras totalmente independentes e desobedientes ao comando governamental.

Depois das privatizações o Brasil virou terra de ninguém com diversas instâncias de Governo Paralelo fincados nas Agências Reguladoras Nacionais. Assim aconteceu porque a legislação que criou as Agências Reguladoras forneceu aos seus administradores uma verdadeira blindagem contra interferências governamentais.

Provavelmente essa blindagem dos administradores neoliberais anarquistas era para ser usada em governos futuros (oposicionistas), mas foi utilizada ainda durante o governo FHC (o tiro saiu pela culatra).

Referência a esse fato pode ser obtido no site da Agência Brasil que publicou em 31/08/2002 a notícia intitulada "FHC critica especuladores e pede razão e sensatez" (ao mercado) a seguir transcrita. Na ocasião muitos jornais comentaram o fato.

Por esses motivos a "Crise Mundial" gerada pelo regime pré-falimentar dos Estados Unidos que se verifica desde a década de 1970, agravada na década de 1990, era muito óbvia meu caro Watson, disse Sherlock Holmes.

E FHC continuou: Os capitalistas pensam somente em si mesmos. Só pensam nos seus fáceis e polpudos ganhos. O lema deles é: o povo que se "exploda" e os governantes também.

Veja os textos sobre as fraudes das multinacionais que geraram a crise econômica norte-americana, chamada de "Crise Mundial" por aqueles que tiveram suas mentes lavadas.

4. FHC CRITICA ESPECULADORES E PEDE RAZÃO E SENSATEZ

UM NEOLIBERAL PREJUDICADO PELA TEORIA ANÁRQUICA DOS NEOLIBERAIS

Por Raquel Ribeiro em 31/07/2002 - 21h41

Brasília, 31 (Agência Brasil - ABr) - O presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou a abertura da IV Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) para reiterar a posição brasileira de questionar o poder dos especuladores financeiros na sociedade globalizada. Ao fazer um chamado "à razão e à sensatez", o presidente garantiu que crise nenhuma "abalará a nossa confiança nos rumos traçados".

Na avaliação do presidente, as sociedades são mais importantes que os indicadores econômicos na hora de avaliar a credibilidade de um país. "As nações valem mais que os mercados. Sem povo e sem nação não existe mercado. Todos reconhecem os elementos sólidos de uma economia como, por exemplo, a brasileira", afirmou.

Esta não foi a primeira vez que o presidente criticou o comportamento dos mercados frente a economias em desenvolvimento como o Brasil e seus parceiros sul-americanos. Ele garantiu que não será a última. "Vamos continuar a lutar contra a volatilidade dos fluxos de capital. É mais do que hora de se pensar numa nova arquitetura financeira e em uma regulamentação mais equitativa das trocas comerciais", disse.

Neste sentido, Fernando Henrique também afirmou que o Brasil vai continuar a combater o protecionismo praticados pelos países desenvolvidos e "toda sorte de barreiras impostas à exportação do mundo em desenvolvimento". Ele avaliou que não há razão que justifique o atraso na conclusão de acordos comerciais entre os países com a intenção de estimular o crescimento das economias.

O presidente também sugeriu em seu discurso que os países em desenvolvimento, sobretudo os membros da CPLP, aproveitem o fato de não terem que se preocupar com a defesa antiterrorismo para reduzir a histórica desigualdade social que marca todos os países da Comunidade. "Quem sabe agora tenhamos a decisão, a calma e a coragem de enfrentar, por nossa conta, os nossos problemas", ressaltou.

Entre os pontos destacados pelo presidente como necessidades prioritárias, está o tratamento das vítimas do vírus HIV. Fernando Henrique reiterou o compromisso brasileiro de colaborar para o tratamento da Aids em solo africano. Ele lembrou a vitória brasileira na disputa pelas patentes dos remédios que integram o coquetel anti-Aids. Para ele, esta vitória reforça a ideia de que "nada nos impedirá de trabalharmos juntos para o atendimento às vítimas desta enfermidade que tantos danos têm causado, não só, mas sobretudo, à África".

Na opinião do presidente, os países da CPLP devem insistir nos projetos de cooperação a partir de medidas de infraestrutura, sem nunca esquecer das áreas de educação e saúde pública. "Temos muito a celebrar, e bem mais a construir", resumiu.