início > textos Ano XXI - 9 de julho de 2020


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OUTRAS REFORMAS CONTRÁRIAS AO POVO

QUEREMOS OS RICOS NO GOVERNO

OUTRAS REFORMAS CONTRÁRIAS AO POVO

São Paulo, 03/04/2008  (Revisada em 21-10-2018)

  1. OS CAMELÔS
  2. AS EXPORTAÇÕES IN NATURA
  3. OS CONDOMÍNIOS FECHADOS
  4. O FECHAMENTO DAS PRAIAS
  5. O DESCASO CONTRA O POVO NORDESTINO
  6. CONCLUSÃO
  7. MAIS UMA FICÇÃO

Por Américo G Parada Fº - Contador  - Coordenador do COSIFE

1. OS CAMELÔS

Tal como já vem acontecendo, seria dificultada a constituição de empresas pelos menos favorecidos (os microempresários e os empresários de pequeno porte), obrigando-os a se utilizarem da economia informal como forma de sobrevivência.

Esses novos camelôs, que, de novos ricos outrora estabelecidos, seriam transformados em novos pobres e seriam severamente perseguidos se resolvessem atuar nas regiões destinadas aos empresários componentes dos clãs endinheirados da “sociedade civil”.

Veja o texto A Economia Informal e a Autorregulação dos Mercados.

2. AS EXPORTAÇÕES IN NATURA

As exportações seriam quase que exclusivamente de produtos in natura, como acontecia até 1930, para que sejam criados empregos apenas no exterior, tal como aconteceu durante o Governo FHC, quando grande parte das indústrias exportadoras fechou suas portas por falta de competitividade em preços no mercado internacional.

O mesmo aconteceu com as indústrias que fabricavam produtos destinados à substituição das importações porque, com a artificial supervalorização do Real, importar passou a ser mais barato que produzir aqui.

Fatalmente, esse será o modelo econômico a ser utilizado para impedir que os menos favorecidos, incluindo os descendentes dos antigos escravos, possam trabalhar e consumir.

Tal como aconteceu durante o Governo de FHC e do General Dutra, será facilitada a importação dos produtos consumidos pela parte mais rica da população, a chamada “sociedade civil”, exatamente com aquela mesma finalidade de não gerar empregos.

O alto índice de desemprego em todo o território brasileiro foi a principal característica durante aqueles citados (des)governos. A tal política econômica de gerar desemprego e pobreza era utilizada para combater a inflação gerada pelo consumo popular. Isto é, os pobres foram considerados os causadores da inflação. Com tal política econômica o governo inocentava os especuladores e os que deixaram de produzir para investir na ciranda financeira que remunerava com altas taxas de juros somente os ricos. Taxa de juros bem mais altas eram pagas pelos empréstimos conseguidos pelos pobres, o que ainda continua acontecendo.

3. OS CONDOMÍNIOS FECHADOS

As ruas em que residem os membros da “sociedade civil” seriam transformadas em “condomínios fechados” para que fosse possível o controle ou impedimento da passagem dos empobrecidos.

Somente as pessoas previamente cadastradas poderiam transitar pelo local como, por exemplo, os catadores de lixo reciclável, o qual seria vendido a preço vil para os empresários da reciclagem, membros da “sociedade civil”.

O exposto até parece ficção, mas não é. Na internet podemos ver que já existem muitas ONGs e Associações de Amigos ou Moradores promovendo movimentos desse tipo em cidades brasileiras.

Na cidade de São Paulo, colaborando com tais pretensões da “sociedade civil”, o Prefeito Gilberto Kassab (PSD, ex-DEM, ex-PFL) firmou o Decreto Municipal 48.638/2007, regulamentando a antiga legislação sobre o fechamento de ruas, transformando-as em ruas particulares (privadas = não públicas = fechadas ao público de modo geral).

Na televisão são grandiosos os anúncios para venda de condomínios fechados. Estes são as versões modernizadas dos antigos castelos medievais em que os nobres viviam com seus súditos (vassalos) guarnecidos por milícias fortemente armadas.

O mesmo acontecia no Brasil na época dos Coronéis Fazendeiros, cujos descendentes mais tradicionalistas atualmente ainda teimam em explorar a escravidão em seus empreendimentos no interior e até em alguns centros urbanos.

4. O FECHAMENTO DAS PRAIAS

As praias seriam fechadas, como muitas já são, e seriam construídos "piscinões" para os pobres, como o "Piscinão de Ramos" no Rio de Janeiro, na tentativa de impedir que os “suburbanos venham invadir a nossa praia” (a dos ricos, elitistas e emergentes).

Muitas outras obras segregacionistas seriam feitas ou preservadas as antigas de modo fosse perpetuado o descaso dos governantes com os menos favorecidos.

5. O DESCASO CONTRA O POVO NORDESTINO

Esse descaso já é observado em grande parte dos municípios brasileiros, nas capitais e principalmente naqueles municípios em que há grande números de analfabetos, sofrendo ainda com falta de saneamento básico e sem assistência médica, razão pela qual foi necessária a intervenção federal mediante a criação do Programa "Mais Médicos".

Em grande parte dos municípios nordestinos o governo federal foi obrigado a construir emergencialmente cisternas para armazenamento da água das chuvas, porque o DNOS - Departamento de Nacional de Obras contra a Seca foi monopolizado pelos políticos nordestinos desde a época em que João Goulart designou o economista Celso Furtado com interventor indireto naquela região para forçar a criação de empregos para aquele sofrido povo. Para impedir que João Goulart continuasse com sua administração em prol dos menos favorecidos, aconteceu o Golpe Militar de 1964 que providencialmente teve como governantes militares nordestinos, tal como na Proclamação da República em 1989.

Também para melhorar a penosa situação dos nordestinos foi criado o "Bolsa Família" e o "Fome Zero". Em substituição às simples cisternas foi iniciada a grande obra de transposição do Rio São Francisco. Para impedir a conclusão das obras, várias empreiteiras as abandonaram. Para apurar irregularidades existentes, o Poder Judiciário determinou a paralização das obras. E, assim, mais uma vez o povo nordestino ficou a mercê da má vontade dos político locais.

6. CONCLUSÃO

Com os endinheirados no poder, seria implantado o mais complexo sistema de segregação social (“apartheid social”), cujas vítimas não seriam somente os negros como na África do Sul e em Zimbábue (antiga Rodésia).

É preciso deixar bem claro que obviamente a segregação social seria contra todos os pobres (os sem estirpe), o que provocaria uma eterna guerra civil entre essas duas castas sociais, com o sensível aumento da criminalidade e das mortes por atentados e balas perdidas.

O mais interessante dessa segregação social é que, tal como agora, os chefes do narcotráfico e dos demais bandidos, inclusive os do “colarinho branco”, também residiriam nos condomínios fechados.

Os espoliados empregados das empresas, dos condomínios e das residências luxuosas morariam em favelas e passariam informações aos ladrões para que pudessem furtar ou roubar mais facilmente as empresas, os condomínios e as mansões dos endinheirados.

Pois é. Esta é uma ficção que não está longe de se tornar a extrema realidade.

7. MAIS UMA FICÇÃO

E por falar em ficção, no Jornal do SBT do final da noite de 31/03/2008, o comentarista Carlos Chagas, diante da pesquisa realizada pelo “Data Folha” que colocava o PT como partido praticamente sem candidato para impedir a eleição de José Serra em 2010 como próximo presidente da república, explicou que só nos restavam duas alternativas: A primeira seria a de reconduzir Lula a um terceiro mandato como Ditador e a segunda a de ver José Serra privatizando o que antes seus companheiros de  partido e de coligações partidárias, não conseguiram privatizar: a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, a Petrobras, a Amazônia e o Pantanal Mato-grossense.

Veja ainda o texto sobre FEUDALISMO E CORONELISMO.