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OS BANQUEIROS E OS DEMAIS RENTISTAS AGRADECEM AO COPOM

OS BANQUEIROS E OS DEMAIS RENTISTAS AGRADECEM AO COPOM

FALÁCIA: O AUMENTO DA TAXA DE JUROS COMBATE A INFLAÇÃO

São Paulo, 20/06/2015 (Revisada em 22-06-2017)

Referências: Inflação Galopante, Desemprego Estrutural e Conjuntural, Importação da Crise ou Falência Econômica dos Países Desenvolvidos, Corrupção Patrocinada pelo Grande Capital, Atuação dos Lobistas e Doleiros a Serviço dos Corruptores.

OS JUROS SOBEM. O DESEMPREGO TAMBÉM!

Texto em letras pretas escrito por Altamiro Borges. Publicado em 05/06/2015 por Carta Maior. Com negritos e com comentários e anotações em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Pela sexta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,5% – de 13,25% para 13,75% ao ano. A decisão ortodoxa, que terá forte impacto [negativo] na geração de emprego e renda [para os trabalhadores], foi tomada por unanimidade [em 03/06/2015].

Com esta nova alta, os juros [recebidos pelos grandes capitalistas] são os maiores desde dezembro de 2008. Os banqueiros e [os mais ricos] rentistas, como já era de se esperar, comemoraram a decisão, afirmando que [o aumento da taxa de juros] é vital para derrotar o “fantasma da inflação”.

NOTA DO COSIFE:

O AUMENTO DA TAXA DE JUROS COMBATE A INFLAÇÃO

Desde quando essa falácia comprovou ser uma verdade?

Se essa decisão dos membros do COPOM fosse de fato técnica, "tática" e lógica, as nossas taxas de juros deveriam ser iguais as pagas pelos países desenvolvidos. Iguais as dos Estados Unidos, por exemplo. Eles sempre pagaram as baixas taxas de juros e não se conhece dados de que tenham enfrentado índices de inflação tão altos como os enfrentados pelo Brasil em todos os tempos.

Aliás, os desmemoriados membros do COPOM têm a sua disposição nos arquivos (bancos de dados) do Banco Central o histórico do nosso infeliz passado, principalmente nas décadas perdidas de 1980 e 1990.

A INFLAÇÃO SEMPRE ACOMPANHOU AS TAXAS DE JUROS

Naqueles tempos de completo desnorteio dos nossos gestores das políticas econômica e monetária, cada vez que a taxa de juros era aumentada, a inflação também aumentava, porque os empresários além de remarcarem seus preços pelo dobro da inflação projetada para o próximo mês, colocavam todo o dinheiro que era possível armazenar no "overnight" ("open market" = Mercado Aberto de Títulos Públicos). Assim fazendo, ganhavam mais do que com as operações normais de suas empresas.

O DISSABOR DO ENGANADO POVÃO

Até 1990, o povão colocava o seu dinheirinho na poupança em vez de construir suas humildes casinhas. Depois do dinheiro confiscado, alguns morreram por desolação. Essa mesma desolação voltou a acontecer em 2015 em razão da ação impatriótica dos inimigos do Brasil, que continuam tentando impedir a plena governabilidade do nosso País para que, iludindo o eleitor, possam ascender ao Poder Central.

O GOVERNO (O POVO) SUSTENTANDO A ELITE EMPRESARIAL

Principalmente na década perdida de 1980, para investir no Governo, as entidades que lideravam os empresários de pequeno, médio e grande portes pregavam a desobediência civil. Induziam seus liderados a deixarem de recolher aos cofres públicos os impostos e as contribuições sociais retidas de seus funcionários por meio da Folha de Pagamentos.

Muitos desses empresários, também apoiados por seus líderes, deixavam de recolher os tributos indiretos incidentes (IPI, ICMS e ISS arrecadados) sobre suas operações comerciais e de prestação de serviços e ainda deixavam de pagar os incidentes sobre seus lucros.

Todo esse dinheiro e mais o capital de giro oriundo da venda de seus estoques era investido por tais empresários em títulos do governo. Diante da falta de arrecadação, o dinheiro captado pelo governo com os títulos públicos emitidos era indispensável para o financiamento do déficit público causado pela recessão gerada pelos economistas de plantão.

Em razão daqueles atos impatrióticos praticados pelos dirigentes de entidades patronais, com a não emissão de notas fiscais (Omissão de Receitas) a economia informal aumentou assustadoramente. Foi criado até o Fundo de Investimentos ao Portador, no Governo Sarney, para captar o dinheiro que estava na informalidade. Por falta que arrecadação tributária o Brasil chegava a bancarrota. Chegou a decretar a moratória da Dívida Externa. Mas não apareceram credores estrangeiros, eles eram quase todos brasileiros disfarçados como estrangeiros.

A falta de reposição dos estoques para venda ao consumidor gerava escassez. Esta forçava o consumidor pagar ágio para a compra de bens duráveis e ainda gerava filas nos supermercados e nas lojas de modo geral porque a venda de mercadorias era racionada (limitada a poucas unidades por comprador). Pessoas colocavam seus familiares nas filas, até as crianças.

OS GESTORES DA RECESSÃO DESPREZANDO O POVÃO

Por que os gestores da nossa Política Econômica e Monetária por meio do Banco Central agiam dessa forma?

Na realidade agiam apenas em benefício dos detentores do grande capital, que assim tinham o rendimento do seu capital garantido pelo Governo mesmo com suas empresas nada ou quase nada produzindo. Disto, aproveitavam-se também os pequenos e médios empresários e todos os funcionários públicos e privados de nível salarial mais elevado. Isto significa dizer que a elite nada perdia. Apenas os trabalhadores (os subalternos) perdiam o seu salário, que era corroído pela inflação.

Se somente os trabalhadores perdiam, pergunta-se:

Por acaso os servidores do Banco Central não são trabalhadores? Eles não dependem de seus salários para sobreviver?

Era o que o Povo questionava entre si nas ruas e principalmente quem passava em frente às dependências do Banco Central espalhadas pelo Brasil.

Na década de 1990, durante uma das manifestações do SINAL - Sindicato dos Funcionários do Banco Central por melhores salários, o coordenador do COSIFE, que era um dos diretores do sindicato, na calçada da Avenida Paulista em frente ao Banco Central (em São Paulo - SP) ouvia os transeuntes dizerem:

No estacionamento do Bacen só entre e sai carrão importado e os caras ainda querem aumento de salário?

Justamente para evitar tais críticas, as chefias e os seus superiores, que eram os proprietários dos carrões importados, queriam impedir as manifestações de seus comandados. De outro lado, tais manifestações também poderiam resultar em reivindicações dos bancários contra seus patrões.

Mas, como os salários dos servidores públicos são limitados a um determinado teto, aqueles chefes ganhavam de 25% a 50% mais que o salário médio de seus comandados.

Portanto, aqueles ditos "privilegiados" (pelos transeuntes), muitos deles apadrinhados dos banqueiros, também eram representados pelo sindicato para que fosse garantido o poder aquisitivo de seus proventos na aposentadoria (inatividade).

Mas, no dia a dia os donos dos carrões importados fingiam que eram patrões numa entidade estatal que podia explorar o trabalho escravo (sem direitos trabalhistas).

O coordenador do COSIFE sabe de tudo isso porque estava lá até 15/10/1995. Era funcionário (auditor) do Banco Central e foi dirigente sindical.

É justamente com base no escrito no quadro acima com letras azuis que as centrais sindicais e as entidades da indústria criticaram a sexta elevação da Selic, argumentando que a inflação não dá sinais de descontrole e que a elevação dos juros retrai o consumo e o crédito, reduz a produção e, como efeito inevitável, gera mais demissões.

A decisão do Copom, com a sua autonomia relativa, reforça a recente opção do governo federal [diante da autonomia relativa, quis dizer do Banco Central] pelas políticas macroeconômicas de corte neoliberal.

NOTA DO COSIFE:

Em síntese, os verdadeiros intentos dos gestores econômicos e monetários são os de provocar a recessão e o desemprego para evitar o consumo popular, tal como fez FHC para combater a inflação depois da implantação do Real. Foi um desastre total.

Por falta de arrecadação e de exportação, FHC e seus pupilos endividaram o Brasil, que ficou sob intervenção do FMI - Fundo Monetário Internacional, tal como fazem os dirigentes do nosso Banco Central quando um banco privado ou estadual quebra.

Os felizes dirigentes do Banco Central, comandados por Armínio Fraga (que era o presidente da autarquia) deixaram a dívida para Lula pagar. Não acreditaram que fosse capaz. Dilma até pode fazer o mesmo com os seus oposicionistas. O problema é que o Povo será o maior prejudicado com tal vingança.

Aliás, o Ajuste Fiscal feito por Dilma deve ter como verdadeira finalidade a de reservar o dinheiro necessário ao pagamento dos altíssimos juros decretados arbitrariamente pelos membros do COPOM. Isto é, tais indivíduos resolveram praticar mais um grande Desfalque nos Cofres do Tesouro Nacional. E Dilma aceitou a decisão absolutista a bem da malfadada e inócua Teoria Econômica a qual também tem obrigação profissional de comungar.

Diante do cenário de crise mundial do capitalismo [em visível decadência, porque] não dá sinais consistentes de recuperação, a presidenta Dilma [em defesa da credibilidade dos servidores do Banco Central] alega que esta opção pela ortodoxia é “tática” e visa evitar maiores turbulências no futuro.

Tal declaração significa que Dilma está com medo das manifestações golpistas dos oposicionistas ao seu Governo, que mais precisamente são oposicionistas aos trabalhadores e a tudo mais em que seja encontrada a palavra "trabalhador".

Isto explicaria as medidas provisórias que restringem direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego, e os drásticos cortes anunciados nos gastos públicos. Dilma quer agradar aos seus adversários, para que a deixem em paz.

Essas novas regras trabalhistas na verdade foram feitas para combater as fraudes engendradas por espertos consultores. Mas, essas medidas contra os falsos trabalhadores (fraudadores) passaram a funcionar como uma faca de dois gumes.

De um lado as novas regras agradam aos oposicionistas, os quais querem ter os trabalhadores como meros escravos, e de outro lado voltam a agradar os oposicionistas porque demagogicamente podem dizer que estão combatendo o governo em defesa dos direitos sociais dos trabalhadores.

O problema é que as turbulências já são visíveis nos índices de desemprego e podem agravar ainda mais os desgastes políticos do governo, dando brechas, inclusive, para novas ofensivas golpistas pelo seu impeachment ou pelo seu continuo sangramento.

Outro grande problema é que muitas vezes a Dilma age na qualidade de economista (governa em benefício do empresariado, por isso está sangrando). Assim fazendo, não sobra tempo para agir na condição de mandatária da Nação (que deve governar em benefício do Povo). Essa dualidade de posições dificulta suas ações. Lula foi melhor justamente porque era torneiro mecânico. Dilma precisa engavetar (desprezar) seu diploma acadêmico, pelo menos até o final de seu mandato.

VEJAMOS OS ÍNDICES NEGATIVOS PROVOCADOS PELOS AUMENTOS DOS JUROS

Nesta semana de 05/06/2015, antes desta nefasta decisão do Copom, o próprio governo anunciou que a taxa de desemprego teve a quarta alta seguida [tal como as taxas de juros] e atingiu 8% da PEA (População Economicamente Ativa).

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a procura por trabalho aumentou entre fevereiro e abril de 2015 em relação a igual período de 2014, mas a oferta de vagas não foi suficiente para acomodar esse novo contingente.

Parece que os empresários oposicionistas ao governo (por sinal, quase todos) estão amplamente contribuindo para essa negativa realidade, forçando demissões e o aumento da taxa de juros.

Com este resultado, a taxa de desocupação atingiu o mesmo patamar ao observado no primeiro trimestre de 2013. Em ambos os casos, é o maior nível já observado na série [assim acompanhando o progressivo aumento das taxas de juros], iniciada em janeiro de 2012. O resultado também representou aumento em relação a igual período de 2014, quando estava em 7,1%.

A regressão social também se manifestou no rendimento dos assalariados. Para o trimestre encerrado em abril de 2015, a renda média real do trabalhador foi de R$ 1.855,00. O valor é 0,4% menor do que em igual período de 2014. Ainda de acordo com a Pnad, o setor da construção civil foi o que mais demitiu: 609 mil trabalhadores no trimestre, uma queda de 7,6% no nível de emprego em relação a igual período de 2014.

Já a administração pública, em função do ajuste fiscal que atinge governos estaduais e municipais, extinguiu 560 mil postos, um recuo de 9,5% no trimestre até abril diante de igual período do ano passado.

Até quando o governo Dilma sustentará seu discurso "tático" da austeridade?