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OS VIRA-LATAS DO BRASIL ESTÃO FICANDO FAMOSOS NO MUNDO INTEIRO

OS VIRA-LATAS DO BRASIL ESTÃO FICANDO FAMOSOS NO MUNDO INTEIRO

ESTUDANTE BRITÂNICO COMENTA O COMPLEXO DE VIRA-LATAS DOS BRASILEIROS

São Paulo, 16/05/2015 (Revisado em 16-05-2015)

Referências: Colonialismo do Espírito - Neocolonialismo Econômico, Mercadismo, Sentimentos Impatrióticos - Entreguistas, Feudalismo Sediado em Paraísos Fiscais - Sistema Absolutista Empresarial Comandado por Controladores de Multinacionais ou Transnacionais - Formação de Cartéis Mundiais.

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Coletânea por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

OS VIRA-LATAS DO BRASIL ESTÃO FICANDO FAMOSOS NO MUNDO INTEIRO

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Em 2014, em plena campanha eleitoral, os oposicionistas aos governantes brasileiros desde 2003 diziam que o Brasil ia mal, que a Petrobras havia perdido seu valor de mercado e muitas outras coisas depreciativas ao Brasil e aos brasileiros menos favorecidos, principalmente contra os beneficiados pelo Bolsa Família.

Com seu eterno complexo de vira-latas, que os tornam submissos ao "capital internacional", desde 2003 os tais oposicionistas tentam festejar uma derrotada brasileira, mas foram obrigados a assistir a falência dos países desenvolvidos. O pior é que os culpados pela bancarrota daqueles países tão amados pelos elitistas brasileiros foi o mercadismo que tanto defendem.

A principal das teorias neoliberais é que a visa a isenção de tributos para o empresariado inescrupuloso, razão pela qual tais impatriotas do mundo desenvolvido transferiram suas empresas para paraísos fiscais. Disto resultou a falência do Sistema Tributário Mundial que gerou elevados déficits internos e externos nos países desenvolvidos, resultando na bancarrota dos mesmos, mundialmente sentida a partir de 2008.

Como muitos desses impatriotas transferiram suas empresas para países em que é permitida a semiescravidão, querem a implantação daquele mesmo modelo escravocrata nos demais países, com total extinção dos direitos sociais dos trabalhadores.

Em suma, aqueles oposicionistas ao desenvolvimento Brasil conseguiram incutir na mente dos nossos compatriotas mais aquinhoados que de fato o Brasil é uma porcaria e que o nosso Povo deve sujeitar-se ao neocolonialismo dos países desenvolvidos.

Isto significa que os nossos elitistas não conseguiram perceber que serão os magnatas controladores das empresas multinacionais os nossos novos senhores feudais. Assim sendo, não mais existirão países. Existirão apenas senhorios (donos de tudo) e vassalos (serviçais e escravos).

Isto significa o retorno aos tempos do feudalismo, em que o senhor feudal (incógnito num paraíso fiscal) terá o poder absoluto sobre os países do Terceiro Mundo (o colonizado), que continuarão a sustentar o Primeiro Mundo e os demais paises hegemônicos.

Por isso, Dilma está certa quando se dedica ao fortalecimento dos BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), que serão os principais colonizados, se não assumirem o controle dos preços de commodities, tal como fizeram os árabes com o preço do petróleo a partir da década de 1970.

Veja a seguir, o que um estudante britânico conseguiu perceber e que somente os vira-latas brasileiros não conseguem enxergar.

ESTUDANTE BRITÂNICO COMENTA O COMPLEXO DE VIRA-LATAS DOS BRASILEIROS

Estudante de Oxford em estadia no Brasil comenta o complexo de vira-latas dos brasileiros e diz considerar deprimente o endeusamento de alguns aos Estados Unidos como modelo de sociedade. E diz que brasileiros exageram na rejeição ao Brasil.

"O Brasil tem uma reputação invejável no exterior, mas os brasileiros, às vezes, parecem ser cegos para tudo exceto o lado negativo".

Ao mesmo tempo em que existe um exagero na idealização dos americanos, existe um exagero na rejeição ao Brasil pelos próprios brasileiros

Por Adam Smith, estudante de Oxford e blogueiro da BBC - Publicado por Pragmatismo Político em 14/05/2015

Pouco depois de chegar a São Paulo, fui a uma loja na Vila Madalena comprar um violão. O atendente, notando meu sotaque, perguntou de onde eu era. Quando respondi “de Londres”, veio um grande sorriso de aprovação. Devolvi a pergunta e ele respondeu: ‘sou deste país sofrido aqui’.

Fiquei surpreso. Eu - como vários gringos que conheço que ficaram um tempo no Brasil - adoro o país pela cultura e pelo povo, apesar dos problemas. E que país não tem problemas?

O Brasil tem uma reputação invejável no exterior, mas os brasileiros, às vezes, parecem ser cegos para tudo exceto o lado negativo. Frustração e ódio da própria cultura foram coisas que senti bastante e me surpreenderam durante meus 6 meses no Brasil. Sei que há problemas, mas será que não há também exagero (no sentido apartidário da discussão)?

Tem uma expressão brasileira, frequentemente mencionada, que parece resumir essa questão: complexo de vira-lata.

A frase tem origem na derrota desastrosa do Brasil nas mãos da seleção uruguaia no Maracanã, na final da Copa de 1950. Foi usada por Nelson Rodrigues para descrever “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”.

E, por todo lado, percebi o que gradualmente comecei a enxergar como o aspecto mais ‘sofrido’ deste país: a combinação do abandono de tudo brasileiro, e veneração, principalmente, de tudo americano. É um processo que parece estrangular a identidade brasileira.

Sei que é complicado generalizar e que minha estada no Brasil não me torna um especialista, mas isso pode ser visto nos shoppings, clones dos ‘malls’ dos Estados Unidos, com aquele microclima de consumismo frígido e lojas com nomes em inglês e onde mesmo liquidação vira ‘sale[ou 'off']. Pode ser sentido na comida.

Neste “país tropical” tão fértil e com tantos produtos maravilhosos, é mais fácil achar hot dog e hambúrguer do que tapioca nas ruas. Pode ser ouvido na música americana que toca nos carros, lojas e bares no berço do Samba e da Bossa Nova. Pode ser visto também no estilo das pessoas na rua.

Para mim, uma das coisas mais lindas do Brasil é a mistura das raças. Mas, em Sampa, vi brasileiras com cabelo loiro descolorido por toda a parte. Para mim (aliás, tenho orgulho de ser mulato e afro-britânico), dá pena ver o esforço das brasileiras em criar uma aparência caucasiana.

Acabei concluindo que, na metrópole financeira que é São Paulo, onde o status depende do tamanho da carteira e da versão de iPhone que se exibe, a importância do dinheiro é simplesmente mais uma, embora a mais perniciosa, importação americana. As duas irmãs chamadas Exclusividade e Desigualdade caminham de mãos dadas pelas ruas paulistanas. E o Brasil tem tantas outras formas de riqueza que parece não exaltar…

Um dos meus alunos de inglês, que trabalha em uma grande empresa brasileira, não parava de falar sobre a América do Norte. Idealizou os Estados Unidos e Canadá de tal forma que os olhos dele brilhavam cada vez que mencionava algo desses países. Sempre que eu falava de algo que curti no Brasil, ele retrucava depreciando o país e dando algum exemplo (subjetivo) de como a América do Norte era muito melhor.

O Brasil está passando por um período difícil e, para muitos brasileiros com quem falei sobre os problemas, a solução ideal seria ir embora, abandonar este país para viver um idealizado sonho americano.

Acho esta solução deprimente. Não tenho remédio para os problemas do Brasil, obviamente, mas não consigo me desfazer da impressão de que, talvez, se os brasileiros tivessem um pouco mais orgulho da própria identidade, este país ficaria ainda mais incrível.

Se há insatisfação, não faz mais sentido tentar melhorar o sistema?

Destaco aqui o que vejo como uma segunda colonização do Brasil, a colonização cultural pelos Estados Unidos, ao lado do complexo de vira-latas porque, na minha opinião, além de andarem juntos, ao mesmo tempo em que existe um exagero na idealização dos americanos, existe um exagero na rejeição ao Brasil pelos próprios brasileiros.

É preciso lutar contra o complexo de vira-latas.

Uma divertida, porém inspiradora, lição veio de um vendedor em Ipanema. Quando pedi para ele botar um pouco mais de ‘pinga’ na caipirinha, ele respondeu:

Claro, (mermão) meu irmão. A miséria tá aqui não!

Viva a alma brasileira!