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POBREZA NOS ESTADOS UNIDOS ATINGE MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO

POBREZA NOS ESTADOS UNIDOS ATINGE MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO

AUSTERIDADE DESENHA UM NOVO MAPA DA POBREZA NA EUROPA

São Paulo, 09/11/2014 (Revisado em 19-08-2019)

Referências: Políticas Monetária e Econômica, Défices Orçamentários (Política Fiscal) e no Balanço de Pagamentos (Exportações Versus Importações), Desemprego, Redução os Benefícios aos Trabalhadores, extinção dos Direitos Sociais, Semiescravidão.

  1. COMENTÁRIO SOBRE A POBREZA NOS ESTADOS UNIDOS
  2. POBREZA NOS ESTADOS UNIDOS ATINGE 80% DA POPULAÇÃO
  3. AUSTERIDADE DESENHA UM NOVO MAPA DA POBREZA NA EUROPA

Veja também:

  1. A Desigualdade Norte-Americana Não é Fruto da Crise de 2008
  2. O Capitalismo Bandido dos Barões Ladrões
  3. Poços sem Fundo - Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais
  4. Desvios e Desfalques no Fundos de Pensão Norte-Americanos
  5. Os Zumbis da Austeridade na Europa - Os Europeus Também são Vítimas do Neocolonialismo

1. COMENTÁRIO SOBRE A POBREZA NOS ESTADOS UNIDOS

NOTA DO COSIFE:

Contrariando o que disse Armínio Fraga no programa da Miriam Leitão, quando debatia com Guido Mantega durante a campanha eleitoral de 2014, está aumentando a pobreza nos Estados Unidos em razão da nítida recessão e a austeridade fiscal na Europa está desenhando um novo mapa social com visível crescimento da pobreza.

Notícia publicada num site especializado em destacar as reportagens que não aparecem na grande mídia estadunidense, o Political Blindspot, dá conta de que na maior nação liberal do planeta [quis dizer "vítima do neoliberalismo"], a terra das oportunidades [que só pode oferecer pobreza, principalmente aos imigrantes], onde qualquer um pode [quis dizer: "podia"] construir sua riqueza, 80% de sua população já viveu próxima da pobreza ou abaixo da linha da miséria (só nessa última condição, são 49,7 milhões de pessoas).

A reportagem fala ainda do aumento cada vez maior do abismo que separa ricos e pobres daquela nação e de como o governo estadunidense, em vez de aumentar a rede de proteção social dos 80% da população que sofre com os efeitos da pobreza, está discutindo os cortes dos poucos programas assistenciais que estão ajudando alguns estadunidenses a se manterem pouco acima da linha da pobreza.

Parece que o paraíso dos liberais não é tão maravilhoso assim. Enquanto isso, no Brasil “assistencialista” pós-FHC, mais de 40 milhões de pessoas deixaram a condição de miséria, fizeram girar a economia do país e, ainda por cima, chegaram até mesmo a empreender novos negócios.

Será que os Estados Unidos estão precisando de um Bolsa Família, ou melhor, um Purse Family por lá?

Será que seus políticos, ou melhor, os Democratas [mentirosos] teriam a coragem política necessária para enfrentar essa dura realidade?

Abaixo está transcrito o texto de José Rogério Beier, publicado em 20/11/2013 no site Um Historiador. Trata-se da tradução livre da reportagem de Simeon Ari publicada por Political Blindspot.

2. POBREZA NOS ESTADOS UNIDOS ATINGE 80% DA POPULAÇÃO

Por José Rogério Beier, publicado em seu site Um Historiador em 20/11/2013, acessado em 09/11/2014. O texto baseia-se na reportagem de Simeon Ari para o site Political Blindspot. Com comentários e anotações por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

Se você vive nos Estados Unidos, há uma boa chance que você esteja agora vivendo na pobreza ou muito próximo a ela. Aproximadamente 50 milhões de estadunidenses, (49,7 milhões), estão vivendo abaixo da linha da pobreza, tal como 80% de todos os habitantes dos Estados Unidos que nalgum momento viveram próximo a linha da pobreza ou abaixo dela.

NOTA DO COSIFE:

De fato nos Estados Unidos, num dia o investidor de Wall Street está rico e no outro pode estar totalmente falido. É o país de elevado risco para os investimentos, embora a extrema-direita brasileira diga o contrário.

Nos States essas extremas  variações nas cotações acontecem com mais frequência do que se possa imaginar. Por tal motivo as mansões têm novos donos ou novos inquilinos frequentemente. Sempre há um novo "emergente ostentação" se contrapondo a um falido.

A delinquência no sistema financeiro globalizado, sediado em Wall Street e tutelado pelas verdinhas sem lastro, é responsável pela derrocada financeira mundial que vem acontecendo desde a década de 1970, quando foi extinto o padrão ouro para o dólar.

Essa derrotada financeira agravou-se com as fraudes contábeis e financeiras das multinacionais no final do Século XX e início do Século XXI, que levaram os países desenvolvidos à bancarrota, sem que possam, a curto prazo (ou nunca mais), ver uma pequenina luz no fim de um tenebroso túnel.

O esperado é que esses países que se desenvolveram a custa do neocolonialismo fiquem atolados nesse pântano criado pelos neoliberais, os quais levaram grandes empresas a ficarem atoladas na lama ao chegarem ao fundo do poço (falência).

Essa estatística da “quase pobreza” é mais surpreendente do que os 50 milhões de estadunidenses vivendo abaixo da linha da pobreza, pois ela remete a um total de 80% da população lutando contra a falta de emprego, a quase pobreza ou a dependência de programas assistenciais do governo para ajudar a fazer face às despesas.

NOTA DO COSIFE:

Essa pobreza criada pelos liberais está levando os Estados Unidos cada fez mais aos défices orçamentários (internos) e nos seus Balanços de Pagamentos (externos).

Como foram vítimas dos administradores (especuladores) dos Fundos de Hedge de paraísos fiscais, os Fundos de Pensão (institutos de previdência) de pelo menos 24 estados federativos ianques estão quebrados.

Isto significa que esses estados não terão recursos financeiros para o pagamento mensal dos proventos de seus aposentados. Significa também que haverá mais miséria já na metade daquele simbólico túnel totalmente empretecido pelo caos econômico e social.

Em setembro de 2013, a Associated Press apontou para o levantamento de dados que falavam de uma lacuna cada vez mais crescente entre ricos e pobres [o agraciado com o Nobel de Economia em 2008, Paul Krugman, também já escreveu sobre esse fato], bem como a perda de empregos bem remunerados na área de manufatura que costumavam fornecer as oportunidades para a “classe trabalhadora” para explicar a crescente tendência em direção à pobreza nos EUA.

Mas os números daqueles que vivem abaixo da linha da pobreza não refletem apenas o número de estadunidenses desempregados. Ao contrário, de acordo com os números de um censo revisado lançado na última quarta-feira [antes de 20/11/2013], o número – 3 milhões acima daquele imaginado pelas estatísticas oficiais do governo – também são devidos a despesas médicas imprevistas e gastos relacionados com o trabalho.

O novo número é geralmenteconsiderado mais confiável por cientistas sociais porque ele se baseia no custo de vida, bem como nos efeitos dos auxílios do governo, tais como selos de comida e créditos fiscais,” segundo o relatório da Hope Yen para a Associated Press.

[Krugman também se refere ao custo de vida nos EUA que, tal como no Brasil, cresce mais para os pobres do que para os ricos.]

Alguns outros resultados revelaram que os selos de comida (distribuídos pelo governo a pessoas em situação de pobreza) auxiliaram 5 milhões de pessoas para que essas mal pudessem atingir a linha da pobreza. Isso significa que a taxa atual de pobreza é ainda maior do que a anunciada, já que sem tal auxílio, a taxa de pobreza aumentaria de 16 a 17,6%.

Estadunidenses de origens asiática e latina viram um aumento no índice de pobreza, subindo para 27,8% e 16,7%, respectivamente, superior aos 25,8% e 11,8% dos números oficiais do governo. Afro-americanos, contudo, viram um decréscimo bem pequeno, de 27,3% para 25,8% que, como documentado pelo estudo, deve-se aos programas assistenciais do governo. O índice de pobreza também aumentou entre os brancos não hispânicos, de 9,8% para 10,7%.

Sheldon Danziger, um economista da Universidade do Michigan, disse:

A principal razão para a pobreza permanecer tão alta, é que os benefícios de uma economia crescente não estão mais sendo compartilhados por todos os trabalhadores como eram nos vinte e cinco anos que se seguiram ao final da Segunda Guerra Mundial.

E continua a dizer:

Dado as condições econômicas atuais, a pobreza não será substancialmente reduzida a menos que o governo faça mais para auxiliar os trabalhadores pobres.

[De fato, Krugman defende a tese de que o aumento da pobreza passou a ser notado desde a Crise de 1929, mas, de fato avolumou-se nas décadas perdidas de 1980 e 1990, especialmente nos países sul-americanos.]

Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos parece pensar que a resposta é cortar mais daqueles serviços que estão ajudando a manter 80% da população minimamente acima da linha da pobreza, cortaram os selos de comida desde o começo do mês. Democratas e Republicanos estão negociando apenas quanto mais desses programas devem ser cortados, mas nenhum dos partidos está discutindo que eles sequer deveriam ser tocados.

NOTA DO COSIFE:

Nos Estados Unidos é considerado abaixo da linha de pobreza quem ganha menos de US$ 800 por mês.

Em alguns textos publicados neste COSIFE tem-se afirmado exatamente o que foi dito por pessoas que colocaram seus comentários no site "Um Historiador", especialmente comparando os US$ 800 com o correspondente valor em Reais, cerca de R$ 2 mil.

Em razão dessa comparação, aquelas pessoas ainda duvidam que os Estados Unidos e a Europa estejam falidos e que os respectivos trabalhadores estejam fadados à miséria. O brasileiro comum, devidamente doutrinado pela nossa elite endinheirada, continua alimentando aquele "complexo de vira-latas" tão propalado por Nelson Rodrigues.

O brasileiro e os demais latino-americanos precisam entender que o Terceiro Mundo sempre teve (e ainda tem) tudo aquilo que os países desenvolvidos não têm. Eles só tiveram condições de viver bem por meio do colonialismo. Porém, o neocolonialismo não é tão eficaz porque de fato eles empobreceram ou porque o Terceiro Mundo (colonizado) está enriquecendo.

Prestando a devida atenção, pode ser observado que o custo de vida nos EUA é mais de duas vezes o do Brasil. Isto significa que ganhando US$ 800 a pessoa está recebendo algo com poder aquisitivo corresponde ao salário-mínimo do Brasil, que também não é suficiente à sobrevivência digna.

Como exemplo, podemos citar que um pós-doc (doutor ou PHD), em Seattle, na Universidade do Estado de Washington, tem Bolsa de Estudo de aproximadamente US$ 4 mil, correspondente a R$ 10 mil no Brasil (ao câmbio de 2014), antes de vários descontos.

Por sua vez, na USP - Universidade de São Paulo, naquela época muitos "pós-doc" recebiam R$ 6 mil líquidos (livres de quaisquer descontos). Então, considerando-se que o custo de vida lá nos States é maior, o "pos-doc" de lá recebia menos que os seus colegas brasileiros. E essa realidade continua a aconteceu em 2019.

Nos Estados Unidos, um casal precisa ter um rendimento mínimo de US$ 6 mil por mês (líquidos) para viver à semelhança de um casal que ganhe R$ 6 mil (líquidos) no Brasil, pagando aluguel de R$ 2 mil, semelhante aos US$ 2 mil pagos nos EUA.

Como escreveu um internauta: o sistema social e político deles é bem diferente; se está assim mesmo, veremos uma ruptura logo logo. E não será tranquila.

Não veremos ruptura, não. A grande realidade é que os capitalistas querem transformar o mundo todo em uma grandiosa China (como os paraísos fiscais Hong Kong, Shangai e seus vizinhos: Taiwan, Malásia, Singapura, Bangladesh, Myanmar, Tailândia) com o povo vivendo em regime de semiescravidão. Os capitalistas querem reduzir os custos de produção nos Estados Unidos e na Europa, para que as multinacionais possam voltar aos seus territórios de origem.

Como os próprios capitalistas dizem, tem muita gente no mundo. Então, pela fome, pela força e pelo fogo das armas reduzirão a população em 30%, tal como já foi feito no Oriente Médio.

Isto deixará os demais indivíduos acuados, porque, quem reagir, morre acusado de terrorismo.

3. AUSTERIDADE DESENHA UM NOVO MAPA DA POBREZA NA EUROPA

Por Marcelo Justo de Londres para Carta Maior. Tradução por Marco Aurélio Weissheimer publicado em 09/11/2014.

Londres - A mais de cinco anos do estouro financeiro de 2008 e do início da grande recessão mundial do século XXI, a Europa exibe um novo mapa da pobreza que, segundo a organização humanitária Oxfam International, pode levar 25 anos para ser revertido.

As medidas de ajuste para equilibrar os mais de quatro trilhões de euros gastos no resgate de bancos e estados estão provocando uma explosão dos números da pobreza tanto no centro como na periferia.

Em Portugal, 18% da população vivem abaixo da linha de pobreza. Na Espanha, cerca de três milhões sobrevivem com menos de 307 euros por mês. Na Itália, duplicou o número de pobres nos últimos seis anos e, no mais rico dos europeus, a Alemanha, quase oito milhões de pessoas sobrevivem com 450 euros mensais graças aos pequenos trabalhos oriundos da flexibilização da legislação trabalhista [antes não permitidos sem o cumprimento de exigentes normas legais].

A Carta Maior conversou com a diretora internacional da Oxfam, Natalia Alonso, sobre este novo panorama europeu.

CARTA MAIOR: Olhando desde a América Latina às vezes é difícil imaginar a pobreza em uma Europa desenvolvida e com sistemas de seguridade social de longa data. Qual é o panorama concreto que se vive hoje?

Natalia Alonso:

Há um novo mapa da pobreza na Europa provocado pelas medidas de austeridade que aumentaram não só a pobreza, mas também os níveis de desigualdade [social].

O cálculo que fazemos é que se os governos continuarem aplicando essas medidas haverá entre 15 e 25 milhões de europeus a mais em risco de pobreza em 2025. Se somamos esse número com a população que já enfrenta este risco de pobreza hoje, segundo as cifras oficiais do Escritório de Estatísticas Europeu (Eurostat), em 2025 teremos cerca de 146 milhões de europeus (mais de um quarto da população) enfrentando esse risco.

Isso significa um aumento considerável em termos do que se chama pobreza relativa, medida em relação à renda média de um país, mas também em termos da pobreza absoluta, onde a própria sobrevivência está em jogo.

Com a perda do emprego, perde-se a moradia, a fonte de renda, os direitos sociais. Se a isso acrescentamos o desmantelamento dos sistemas de proteção social pelas medidas de ajuste, o resultado é um enorme aumento do número de pessoas vulneráveis. E longe de resolver o problema da dívida ou de estimular o crescimento, estas medidas de ajuste estão piorando a situação em ambas as frentes.

CARTA MAIOR: É evidente que esta crise teve um impacto especialmente forte na chamada periferia da zona do Euro, em países como Grécia, Portugal e Espanha.

NOTA DO COSIFE:

E a alta média brasileira, engajada no setores dominado pela nossa elite, sonhava morar em Portugal, Espanha e até na Grécia. A que ponto estamos nos rebaixando. De sustentadores da Europa durante mais de 500 anos, agora nos conformamos com as esmolas que eles nem podem nos dar.

Natalia Alonso:

Estes países, por pressão externa ou da própria União Europeia, adotaram medidas muito drásticas e, portanto, estão experimentando um importante salto nos níveis de pobreza. Estes níveis são vistos não só no aumento do desemprego, como também no desemprego de mais de dois anos, o que significa em muitos países europeus a perda da cobertura social e o aprofundamento de uma espiral de pobreza.

Cada país tem sua dinâmica particular. Na Espanha e na Irlanda vimos o fenômeno dos despejos de moradias que impactam ainda mais a situação de extrema vulnerabilidade do desemprego gerando párias virtuais e marginalizados sociais. Em um determinado momento, na Espanha, chegou a se despejar 115 famílias por dia de suas casas.

Essas pessoas não só foram expulsas de suas casas, como mantiveram a dívida porque não se admitiu o valor dos imóveis como pagamento. Essa situação afetou também os fiadores desses imóveis que, com frequência, são os pais ou familiares dos desalojados.

NOTA DO COSIFE:

Essas duas últimas frases em negrito, no parágrafo imediatamente acima, significam a implantação de um Regime Escravocrata, como aqueles encontrados no Brasil e em países asiáticos, em que é dado um empréstimo ao trabalhador para comprar seus utensílios de trabalho, por exemplo.

Em seguida, durante o trabalho, para o patrão também deve ser paga a comida, a moradia e tudo mais que o escravo necessite. Assim, no final de cada mês, deduzidos os juros do empréstimo, sobra nova dívida, muitas vezes de valor muito maior que a original.

No caso dos europeus, trata-se de um contrato leonino em que a instituição financiadora da compra do imóvel sabe que ele não vale aquilo que está sendo cobrado do comprador (consumidor). Por isso a instituição financeira ainda exige que  sejam fiadores os familiares do comprador que já tenham imóveis quitados.

Se os fiadores também não puderem pagar a dívida, a instituição financeira apossa-se dos imóveis de toda a família. Como compensação, todos os membros da família passam a trabalhar como escravos, para que tenham onde morar e algo para comer.

É como também acontece com aquelas pessoas que pagam 10% de sua dívida no cartão de crédito. Porém, os juros cobrados pela administradora do cartão é de 15%. Assim, sem que nada de novo seja comprado, a dívida aumenta em 5% todos os meses.

CARTA MAIOR: O empobrecimento também atingiu países centrais como a Alemanha, no interior da zona do euro, ou como o Reino Unido, fora dessa zona.

Natalia Alonso:

No caso do Reino Unido as medidas de austeridade adotadas pelo governo impactaram muito mais duramente os 10% mais pobres que os mais ricos. Estes 10% mais pobres viram uma redução de 38% em sua receita líquida desde 2007. É o impacto que tiveram os programas de ajuste no aumento da desigualdade na Europa em geral.

Na Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Espanha e Reino Unido houve um crescimento dos níveis de desigualdade comparáveis com os 16% de aumento que experimentou a Bolívia nos seis anos que se seguiram ao programa de ajuste dos anos 90. Nestes países europeus ou os 10% mais ricos ganham mais ou os 10% mais pobres ganham menos ou ambas as coisas.

Hoje, o Reino Unido tem níveis de desigualdade maiores que os Estados Unidos. Se não se reverter a atual situação e se seguir com a atual política o coeficiente Gini de desigualdade do Reino Unido e da Espanha ficará muito parecido com o do Paraguai.

CARTA MAIOR: A imagem da Europa na América Latina é de uma seguridade social que neutraliza os perigos da pobreza. Essa imagem segue sendo válida?

Natalia Alonso:

A ação restauradora do equilíbrio que tinha a seguridade social já não está funcionando da mesma maneira porque se retiraram ou se reduziram os apoios que existiam para pessoas sem capacidade de sobrevivência ou desempregadas. Isso cria maior desigualdade, pobreza e crise social. E estão aumentando outras desigualdades como a de gênero. As mulheres são as primeiras que perdem os postos de trabalho.

CARTA MAIOR: O modelo econômico europeu tinha como um de seus pilares um equilíbrio social que favorecia um forte consumo interno. Estamos diante de um novo modelo econômico?

Natalia Alonso:

Estamos ante um modelo cada vez mais desequilibrado no qual poucos têm muito e gozam de uma extraordinária proximidade ao poder político o que gera problemas de legitimidade.

Segundo as projeções, se prevê que haverá crescimento econômico em 2014 e 2015 na União Europeia, mas em caso dele efetivamente ocorrer, será muito desigual.

A austeridade está assentando as bases de uma Europa de profundas divisões sociais e nacionais.

NOTA DO COSIFE:

Diante do exposto nesta última questão, podemos prever o desmoronamento da União Europeia, porque a grande desigualdade econômica e étnica (social), transformará aqueles países altamente devedores (como Grécia, Portugal, Irlanda e outros) em colonizados pelos magnatas europeus escondidos em paraísos fiscais.

O problema poderá ser mais grave ainda se considerarmos que os países oriundos do desmembramento da Iugoslávia e da Tchecoslováquia ainda enfrentam os graves problemas étnicos que resultaram naqueles desmembramentos.