início > textos Ano XXII - 25 de outubro de 2020


QR - Mobile Link
POLARIZAÇÃO DO DEBATE ELEITORAL EM 2014

POLARIZAÇÃO DO DEBATE ELEITORAL EM 2014

POBRES CONTRA RICOS E SÃO PAULO CONTRA O NORDESTE

São Paulo, 12/10/2014 (Revisado em 07-05-2015)

Referências: 2º Turno da Eleição Presidencial, Propaganda Enganosa, Falência Econômica dos Países Desenvolvidos, Preconceito, Discriminação - Segregação Social. A Ação Impatriótica dos Mercenários da Mídia.

Coletânea por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

POBRES CONTRA RICOS? SÃO PAULO CONTRA O NORDESTE?

Texto em letras pretas por Emir Sader. Publicado em 11/10/2014 por Carta Maior - Edição do texto original por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE com a colocação de negritos e com subtítulos comentários e anotações em azul.

MANCHETE: Pobres contra ricos? As pesquisas não deixam duvidas, é uma questão social. São Paulo contra o Nordeste? É manipulação ideológica.

Colocar os eleitores dos Estados governados pelo PSDB contra o Nordeste é mera sem-vergonhice de seus partidários; é  preconceito e discriminação. Em síntese é segregação social.

Sobre o tema o Emir Sader deixa claro:

A avaliação amplamente favorável dos governos do PT em relação aos governos tucanos teria dado uma vitória tranquila para a Dilma.

Mas, em 2014 tornou-se uma disputa tão acirrada, aberta, pelo uso brutal do monopólio dos meios de comunicação pelos militantes dos partidos políticos que fazem oposição ao governo federal desde 2003, como confessou diretora da Folha de São Paulo na campanha de 2010.

Assim, os partidos de direita (PSDB, DEM e seus demais aliados disfarçados como socialistas) aproveitam-se do maior erro cometido pelo governo a partir de 2003, que foi o de não ter avançado na democratização dos meios de comunicação vulgarmente chamados de Mídia.

Para proibir a livre verbalização pelo Povo, durante o Governo FHC, a Lei 9.612/1998, que regulamentou as rádios comunitárias, as impediu de transmitir programas que falem de política, religião, entre outros temas, que podem ser livremente discutidos nas emissoras controladas pelo poder dominante, que inclusive alugam espaços na programação para diversas igrejas e ainda "entrevistam" políticos financiados por seus anunciantes.

Ao contrário do que se tem observado na  Mídia controlada pela nossa oligarquia escravocrata, segundo a legislação sancionada no Governo FHC, as rádios comunitárias devem observar, entre outros, os seguintes princípios:

"não discriminação de raça, religião, sexo, preferências sexuais, convicções político-ideológico-partidárias e condição social nas relações comunitárias"

Na referida Lei lê-se:

É vedado o proselitismo de qualquer natureza na programação das emissoras de radiodifusão comunitária.

O proselitismo é praticado por pessoas que se utilizam de técnicas de persuasão antiéticas (propaganda enganosa, por exemplo) e muitas vezes agressivas e ao mesmo tempo preconceituosas e discriminadoras. Contrariamente ao legalmente exigido das Rádios Comunitárias, é o que mais fazem as rádios controladas pelos mencionados oposicionistas.

No caso em questão, os adversários de Dilma estão jogando os sulistas contra os nordestinos. Foi o que aconteceu na Guerra de Secessão, nos Estados Unidos (os nortistas contra os sulistas). Lá pelos menos os vencedores foram os contrários à escravidão. Aqui os favoráveis à perpetuação da discriminação social querem ser os vencedores.

José Serra (PSDB), em sua campanha para o Senado Federal, dizia que São Paulo gerava 42% dos impostos arrecadados pelo Governo Federal e o Estado recebia de volta apenas 10% do arrecadado. Indireta ou subliminarmente fazia campanha separatista. Pregava uma Guerra de Secessão.

A parada agora se decide entre o nível de rejeição fabricado contra a Dilma - em que os preconceitos dos oposicionistas tem um papel fundamental - e a capacidade da militância do PT de neutralizar relativamente o trabalho impatriótico dos monopólios midiáticos, convencendo o Povo das consequências de uma eventual vitória tucana.

Aliás, ao se levar em conta o debate realizado no Programa da Miriam Leitão na Globo News, ao qual compareceram Armínio Fraga (como futuro Ministro da Fazenda de Aécio Neves e como ex-presidente do Banco Central no Governo FHC) e Guido Mantega (como Ministro da Fazenda de Lula e Dilma), podemos afirmar que Armínio Fraga está no "Mundo da Lua". É um nefelibata (vive nas nuvens), por isso nada sabe sobre o Brasil e sobre o Mundo. Até a Miriam Leitão ficou envergonhada com suas respostas às questões formuladas.

Veja os comentários sobre o debate entre Armínio Fraga e Guido Mantega, publicados por Carta Capital. Para ter certeza da verdade escrita, veja a página da Globo News acima indicada.

Considerando-se o que de fato está acontecendo nos Estados Unidos e nos países da Europa, que têm dívidas impagáveis, o Brasil de Aécio Neves e Armínio Fraga ficará tão perdido como aqueles países, ferrenhos seguidores do neoliberalismo anárquico.

Veja também o texto intitulado Desvios ou Desfalques nos Fundos de Pensão, em que são comentados os fatos acontecidos no Brasil nas décadas perdidas de 1980 e 1990 e o que aconteceu (dados de 2013) nos Estados Unidos. Porém, no Programa da Miriam Leitão, Armínio disse que os problemas enfrentados pelos norte-americanos acabaram em 2009, o que não é verdade.

Resumindo, podemos afirmar que depois da bancarrota dos Ianques em 2008, ao contrário do que disse Armínio Fraga no Programa da Globo News, os países desenvolvidos estão amargando uma insolvência que só tem piorado. Alguns especialistas acreditam que tais países enfrentarão nova crise porque os planos de austeridade engendrados pelos monetaristas não surtiram o efeito desejado. Ou seja, os causadores dos problemas existentes obviamente não eram os trabalhadores, nem seus salários e aposentadorias. Os problemas foram causados pela insana especulação nas Bolsas de Valores, em razão do "olho gordo" do aventureirismo neoliberal.

Depois da falência de 7 cidades estadunidenses, Detroit, a principal delas, tornou-se "cidade fantasma". Dos 48 estados norte-americanos, pelo menos 25 deles no final de 2013 estavam falidos porque, tal como Detroit, não têm dinheiro suficiente para pagar os direitos adquiridos pelos aposentados junto ao Fundo de Pensão Estadual (Estatal). Tais Fundos têm dívida (não coberta por Ativos) num total de US$ 2 trilhões, quase o valor do PIB brasileiro.

De outro lado, a nítida recessão norte-americana não tem permitido a produção para exportação e a falta de consumo tem diminuído gradativamente a arrecadação tributária, razões pelas quais aquele país chegou à bancarrota com dívida líquida superior ao seu PIB. Em razão desses fatos, o número de empresas que fecham suas portas tem aumentado, principalmente na área das que no Brasil são conhecidas como microempresas.

E Emir Sader continua:

A polarização histórica entre a esquerda brasileira e a direita se deu sempre sob essa forma - a esquerda defendendo sempre defendendo conquistas sociais, soberania política e papel ativo do Estado, por um lado, isto é, sempre defendo o bem-estar do Povo, enquanto a direita está sempre defendendo ajuste econômico, subordinação externa e centralidade do mercado, por outro, ou seja, sempre defendendo os donos do poder econômico. Foi assim com o Getúlio, que personificou os avanços nos direitos dos trabalhadores, a construção do primeiro projeto nacional e a refundação do Estado no Brasil . Naquela mesma ocasião, a direita se apoiava na ditadura política como seu argumento fundamental, tratando de desqualificar o fortalecimento do Estado.

Hoje o Brasil parece dividido entre ricos e pobres, entre São Paulo e o Nordeste, forma que assume a polarização entre as questões social e nacional por um lado, a questão democrática - no sentido liberal, de menos Estado e, portanto, mais mercado. É uma divisão real do ponto de vista social . Os de menor renda, sempre postergados, foram os mais beneficiados pelas políticas do governo, com razão se deixam enganar menos pela mídia, porque suas vidas mudaram realmente para melhor. Os mais ricos ou setores da classe media estão mais envoltos nos mecanismos de manipulação da - mídia.

A divisão geográfica reflete, em parte a divisão social, mas não completamente. Porque se São Paulo é o estado que concentra mais riqueza e, também, ao mesmo tempo, um estado que acumula imensas desigualdades, com grande pobreza e miséria. É mais um caso de hegemonia da elite dominante, que mesmo reproduzindo as desigualdades, conseguiu montar um mecanismo de propaganda pública e de manipulação da consciência de amplos setores da sociedade - inclusive dos próprios pobres.

Pobres contra ricos? As pesquisas não deixam duvidas, é uma questão social.

São Paulo contra o Nordeste? É manipulação ideológica.

É mero preconceito e discriminação. Em síntese, é fruto da segregação social cultuada pelos elitistas Mercenários da Mídia.

ARMÍNIO FRAGA DIZ O QUE NÃO FOI CAPAZ DE CUMPRIR

Numa entrevista concedida a Paulo Moreira Leite do site Brasil247, Aloysio Mercadante declarou em 11/10/2014:

Nos últimos 20 anos, os eleitores tiveram a oportunidade de escolher entre dois projetos, simbolizados pelas candidaturas lideradas pelo PT e o PSDB.

Nas duas primeiras vezes, a maioria dos eleitores decidiu optar pela candidatura do PSDB, no embalo dos efeitos positivos do Plano Real e num momento de forte ofensiva do projeto neoliberal. Com base no chamado Consenso de Washington, assistimos à promessa de estabilidade econômica, com estado mínimo e modernização de nossa economia.

Diziam [os partidários do Governo FHC] que entraríamos numa rota de crescimento que permitiria ao Brasil enfrentar nossos graves problemas sociais, como o desemprego e a desigualdade.

Em oito anos de governo FHC, essa promessa não se cumpriu. Embora tenham conseguido estabilizar a moeda, ficamos longe de uma verdadeira estabilidade econômica.

Ao final desse período, o que restou foi uma economia frágil, vulnerável nas suas contas externas, muito endividada e que quebrou três vezes e teve que ser socorrida pelo FMI.

A ortodoxia econômica do período foi marcada pelos juros altos, elevadas taxas de desemprego, redução dos salários, uma dívida pública que tinha dobrado de tamanho, e a liquidação [privatização] de boa parte do patrimônio público [do Povo brasileiro]. E o gerenciador de toda essa desgraça era Armínio Fraga, futuro Ministro da Fazenda no Governo Aécio Neves.

É exatamente esse projeto que Aécio pretende resgatar.

Pergunta-se: Quem são os preconceituosos que preferem acreditar que na década perdida de 1990 era tudo bem melhor do que o vivido a partir de 2003 até os dias atuais?

Eis a Questão: Que grupo político de fato mostrou ter feito (não tudo, mas) o melhor que pôde ser feito para o sofrido Povo brasileiro?

O inteiro teor da entrevista concedida por Aloysio Mercadante pode ser lido site Brasil247.

ERA PARA SER UM MASSACRE CONTRA GUIDO MANTEGA, MAS ARMÍNIO FRAGA DECEPCIONOU

Por sua vez, o blog Fernando Nkagawa de Londrina - PN, contido no site Estadão - Economia, informa:

Era para ser um massacre a favor de Armínio Fraga, mas o resultado foi decepcionante.

É assim que o blog do jornal britânico Financial Times sobre mercados emergentes, o Beyond Brics, avalia o debate entre os dois representantes econômicos das candidaturas de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Guido Mantega deveria ser um “alvo fácil”, mas Fraga pecou por um “pragmatismo frio e detalhes técnicos de um banqueiro central”.

O inteiro teor do texto em questão pode ser lido no site do Estadão.

PSDB É O GRANDE DERROTADO NA DISPUTA PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MINAS GERAIS

Diante dos fatos aqui expostos torna-se importante alertar que o PSDB de Aécio Neves foi plenamente derrotado pelo PT no Estado de Minas Gerais, o que não é a primeira vez.

Em texto publicado no dia 05/10/2014 pelo Jornal O Tempo de Araxá - MG em manchete lê-se:

"PMDB ganha dois deputados e se iguala com o PT, que perdeu um; tucanos foram de 14 para 9".

No que se refere ao Governo do Estado de Minas Gerais, o site Último Segundo -IG em 05/10/2014 lia-se:

"Após 12 anos de governo tucano, candidato do PT é eleito em Minas Gerais"

Fernando Pimentel (PT) venceu [no 1º turno] com 52,9% dos votos; Pimenta da Veiga (PSDB), candidato apoiado pelo presidenciável tucano [Aécio Neves], teve 41,8% dos votos.  A vitória do candidato petista representa uma das mais importantes conquistas do partido nas eleições de 2014.

E o Último Segundo continua a explicar:

O Governador eleito, Fernando Pimentel (PT), foi Prefeito de Belo Horizonte de 2005 a 2008 e é formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Terra de Aécio

Essa é a primeira vez que o PT governa o Estado de Minas Gerais (no Sudeste, o partido só elegeu um único governador, no Espírito Santo) e a vitória em Minas Gerais acontece após 12 anos de governo tucano

O candidato derrotado naquele Estado de Minas Gerais foi Pimenta da Veiga (PSDB), apoiado pelo presidenciável mineiro Aécio Neves (PSDB). O tucano cita as benfeitorias de sua gestão em Minas Gerais (eleito em 2002 e reeleito em 2006) em sua campanha eleitoral pela presidência da República.