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AS GRANDE EMPRESAS NORTE-AMERICANAS E AS FRAUDE DO CAPITAL

CONTABILIDADE CRIATIVA - CONTABILIDADE FRAUDULENTA

FRAUDES CONTÁBEIS E FINANCEIRAS DAS MULTINACIONAIS

São Paulo, ano de 2002 (Revisado em 26-06-2017)

Referências: Agências Classificadoras ou de Classificação de Riscos - Rating, SOX - Sarbanes-Orley Act, Contabilidade Internacional, Manipulação de Balanços e Demonstrações Contábeis, Números Mágicos, Governança Corporativa, Compliance Office, Crimes Contra Investidores, Bolsas de Valores

AS GRANDE EMPRESAS NORTE-AMERICANAS E AS FRAUDE DO CAPITAL

Por SÉRGIO DÁVILA - DE NOVA YORK - FOLHA DE S. PAULO, DINHEIRO, 28/6/2002

Empresa que fez o Sivam lidera lista da S&P; diferença entre receita real e "trucada" chega a 9.000%

RANKING REVELA CAMPEÃS DO TRUQUE CONTÁBIL

A agência de classificação de risco Standard & Poor's fez uma lista das empresas campeãs em usar truques legais para maquiar suas receitas em 2001.

A Folha teve acesso aos cinco primeiros nomes do relatório reservado, e o índice de discrepância entre o valor declarado e os chamados "core earnings" ("núcleo das receitas") vai de 976% a 9.000%.

"Core earnings" quer dizer literalmente "núcleo das receitas", em inglês, mas pode ser traduzido como receita real do negócio da empresa, descontados os truques contábeis.

Trata-se de um conceito novo, introduzido pela própria S&P depois da profusão de denúncias envolvendo grandes empresas norte-americanas que começaram com o caso Enron, em dezembro do ano passado.

Lidera a lista a empresa de sistemas de defesa aerospacial Raytheon, vencedora do processo de licitação para a compra de equipamentos para o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que sofreu denúncia de irregularidades e foi um dos primeiros escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo a S&P, a diferença entre a receita declarada e a real da Raytheon no ano de 2001 chega a 9.000 %.

A Raytheon é seguida pela fabricante de instrumentos de análise Perkin-Elmer (7,274%), pela rede de lojas de roupas The Gap (1,047%), a fabricante de computadores Apple (1.003%) e o portal Yahoo! (956%).

CONTABILIDADE CRIATIVA

Todas têm ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e nenhuma contestou os valores até agora. Segundo a S&P, a diferença média geral de receita declarada e receita real nas empresas listadas é entre 10% e 15%.

Na chamada "contabilidade criativa", as empresas lançam mão de instrumentos legais como não incluir a opção de compra de ações como parte dos salários de seus executivos ou incluir entre os lucros aqueles obtidos pelos fundos de pensão, que na verdade são de propriedade dos funcionários, e não do empregador.

Todos os truques usados ainda estão dentro da lei norte-americana, embora tenha começado a tramitar no Congresso norte-americano um projeto que deve eliminar boa parte deles. Mas seriam éticos? "Isso você tem de perguntar ao papa", disse à Folha Michael Privitera, diretor da divisão de comunicações da S&P.

Para o autor do relatório, o analista David Blitzer, mesmo com a lista nas mãos a agência de classificação não teria sido hábil o suficiente para descobrir com antecedência a megafraude na contabilidade da WorldCom. "Se os números estão errados a princípio, tanto faz a maneira como eles são somados", disse o analista.

Das cinco empresas, pelo menos uma já começa a dar sinais de desgaste. Trata-se justamente da Gap, loja de roupas que é velha conhecida do turista brasileiro que visita os Estados Unidos. Há alguns dias, seu presidente, Michael Drexler, pediu demissão.

Em conversas privadas, o executivo teria dito que os números levantados pela agência não estão longe da realidade.

CONVOCAÇÃO À VERACIDADE

Como primeira medida contra a "contabilidade criativa", a Securities and Exchange Commission (SEC, órgão que fiscaliza o mercado de ações nos EUA, equivalente em escala muito maior da CVM brasileira) aprovou ontem instrução em que convoca os executivos e diretores financeiros de mil das maiores companhias norte-americanas a se certificar da exatidão e da veracidade dos resultados financeiros que divulgam.

Os executivos deverão também reconferir os resultados do último relatório de resultados anual da empresa e de cada informe divulgado desde então. "A medida é necessária para assegurar a responsabilidade pessoal daqueles que estão no topo das companhias", disse o presidente da SEC, Harvey Pitt.


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