início > textos Ano XXI - 23 de fevereiro de 2020



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RISCO SISTÊMICO (TEORIA E PRÁTICA)

A DERROCADA FINANCEIRA NORTE-AMERICANA

PRIVATIZAÇÃO DOS LUCROS E SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

São Paulo, 20/09/2008 (Revisado em 13-09-2018)

RISCO SISTÊMICO (TEORIA E PRÁTICA)

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Como base nos fatos noticiados sobre a Derrocada Financeira dos Estados Unidos podemos concluir que naquele país aconteceu aquele mesmo “RISCO SISTÊMICO” que estava prestes a acontecer no Brasil em 1999 quando os dirigentes do Banco Central, sem solicitar a aprovação do Congresso Nacional e sem quaisquer garantias de recebimento, resolveram “emprestar” (sinônimo de "dar") mais de um bilhão de dólares para um banqueiro especulador no mercado de câmbio futuro.

Por sua vez, como todos sabem, devido às notícias amplamente veiculadas pelos meios de comunicação, em 2008 o citado banqueiro foi extraditado do Principado de Mônaco para o Brasil para cumprir a pena que lhe foi imputada pelo nosso Poder Judiciário e para responder por outras acusações e indiciamentos.

É importante relembrar que foram condenados vários dirigentes do Banco Central do Brasil que participaram de tal desfalque nos cofres públicos (Desfalque no Tesouro Nacional) e também participaram dos crimes de lavagem de dinheiro apurados pela CPI do BANESTADO.

Então, o RISCO SISTÊMICO significa que pode haver uma quebra (falência) em cadeia (de forma encadeada).

Para melhor explicar, poderíamos tomar como exemplo o que ocorreu nos Estados Unidos. Mas, antes é importante lembrar aos constantes depreciadores do Brasil que o nosso país ("apesar das crises") nunca chegou à falência econômica, tal como vem acontecendo com os Estados Unidos e com quase todos os países da Europa.

Por que o Brasil nunca chegou a falência? Porque é de fato é um país rico em recursos naturais que os países desenvolvidos não têm. Aliás, com seus recursos naturais, o Brasil vem sustentando a Europa desde 1500.

Nos Estados Unidos (fato consumado, praticamente irreversível), os compradores de imóveis não conseguiram pagar suas prestações mensais, o que levou as Companhias de Crédito Imobiliário e Hipotecário ao não pagamento os juros das Letras Imobiliárias e Hipotecárias emitidas.

Assim, os investidores que compraram tais Letras não puderam pagar os seus credores, que também deixaram de pagar seus fornecedores e assim sucessivamente. Este é o "Risco Sistêmico" temido pelos economistas monetaristas, aqueles que só pensam em proteger os investimentos dos mais ricos.

Em razão do tal “RISCO SISTÊMICO”, o presidente BUSH FILHO, naturalmente sob a orientação de seus gestores da política econômica locados no Federal Reserve (o Banco Central norte-americano), resolveu destinar aos infelizes banqueiros falidos, e indiretamente aos demais inconsequentes especuladores, alguns trilhões de dólares que serão tirados do povo norte-americano e também do mundo afora. Por isso muitos dos nossos “pessimistas” (vira-latas) acreditavam e ainda acreditam (passados 7 anos) que a crise norte-americana ia e ainda vai passar pelo Brasil.

De fato, no nosso País a crise (mais política do que econômica) começou a ser realmente sentida no segundo governo de Dilma Russeff porque os países desenvolvidos falidos ainda não conseguiram sair dela. Com suas indústrias paralisadas, os paises hegemônicos não estão comprando os produtos anteriormente para eles exportados pelo Brasil. E dessa crise aqueles países não sairão tão cedo, se não reativarem as indústrias desativadas em seus respectivos territórios.

Pelo menos uma meia dúzia (de sete ou oito) cidades norte-americanas solicitaram a decretação de suas falências, para evitar o pagamento de aposentadorias aos servidores municipais. O mesmo está prestes a acontecer com os Fundos de Pensões estaduais, que resultará na quebra de pelo menos a metade dos 48 estados norte-americanos. Isto é, vários dos Estados Unidos que formaram aquele país também estão falidos. Isto é, a falência extrapola o governo central e também abraça estados e municípios. A crise brasileira está mais precisamente nessa esfera estadual e municipal.

O interessante é que determinados comentaristas econômicos, oposicionistas ao governo central brasileiro, desandam a falar besteira na Televisão. Em agosto de 2015, por exemplo, um deles disse que países sul-americanos da costa do Oceano Pacífico adotaram política econômica melhor que a do Brasil porque continuaram a exportar para os países desenvolvidos falidos, enquanto o Brasil passou a a exportar para a China e Rússia (dois dos BRICS) e para outros países africanos e asiáticos.

Parece óbvio que o governo brasileiro adotou a melhor política de exportação porque está vendendo para quem dinheiro (reservas monetárias acumuladas) e riquezas minerais, enquanto os chamados de países desenvolvidos continuarão falidos e por muito mais tempo continuarão emitindo moeda virtual, sem lastro, para pagamento de suas importações.

PRÓXIMO TEXTO: OS PAÍSES DESENVOLVIDOS EMITINDO MOEDA VIRTUAL, SEM LASTRO


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