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A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO CONTADOR E A IMAGEM DELE PERANTE A SOCIEDADE

A CONTABILIDADE NÃO FUNCIONA

CONTABILIDADE CRIATIVA - FRAUDES CONTÁBEIS E FINANCEIRAS DAS MULTINACIONAIS

São Paulo, 28/04/2012 (Revisado em 14-09-2018)

Referências: A Desmoralização dos Contadores. A Contabilidade Não Funciona - Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais, Contabilidade Criativa - Contabilidade Fraudulenta com a Utilização de Paraísos Fiscais, Contabilização de Lucros a Realizar com Base em Previsão de Receitas Futuras. Sonegação Fiscal, Crimes contra Investidores, Governança Corporativa, Conselho Fiscal, Planejamento Tributário, Sox - Sarbanes-Oxley Act Mantém Brechas para Fraudes Menores.

A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO CONTADOR E A IMAGEM DELE PERANTE A SOCIEDADE

RESUMO

  1. INTRODUÇÃO
    1. A Imagem do Contador diante das Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais
    2. O Contador e a Repercussão das Fraudes das Grandes Empresas Norte-Americanas
    3. Os Problemas a serem Enfrentados pelos Contadores
    4. Finalidade deste trabalho
  2. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
  3. MARKETING PESSOAL
  4. A FORMAÇÃO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL DO CONTADOR COLABORANDO NA CONSTRUÇÃO DE SUA IMAGEM
  5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Por José Jassuípe da Silva Morais, Ms. (DCS). Publicado por STUDIA DIVERSA, CCAE-UFPB, Vol. 1, No. 1 - Outubro 2007, com subtítulos e anotações em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1. INTRODUÇÃO

  1. A Imagem do Contador diante das Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais
  2. O Contador e a Repercussão das Fraudes das Grandes Empresas Norte-Americanas
  3. Os Problemas a serem Enfrentados pelos Contadores
  4. Finalidade deste trabalho

1.1. A Imagem do Contador diante das Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais

O tema ora evidenciado é uma questão bastante discutida por diversos autores do meio contábil. Trata-se de observações quanto ao comportamento e a postura que o profissional de contabilidade deve assumir perante a sociedade, como também a imagem que deve representar. Observa-se que Koliver (2004) elege o debate sobre o assunto como prioridade. Tal importância se dá, com os fatos que vieram à tona nos Estados Unidos, envolvendo diversas empresas, com destaque para a Enron, e que resultaram no encerramento de atividades de uma das cinco maiores empresas de auditoria do mundo.

1.2. O Contador e a Repercussão das Fraudes das Grandes Empresas Norte-Americanas

Nesse contexto a imagem do contador ficou abalada e as críticas vieram de todos os lados, veja-se que em uma entrevista o norte-americano Benett Stewart, para a revista Exame, publicada em outubro de 2003, afirmou: “A contabilidade não funciona”. Tal afirmação provocou várias manifestações por parte de entidades de classe brasileiras e também de pessoas ligadas à pesquisa científica em contabilidade. Essa entrevista suscitou uma grande repercussão, uma vez que o entrevistado é um dos fundadores da consultoria Stern Stewart. Uma de suas contribuições foi desenvolver o método de avaliação de resultado chamado EVA – “Economic Value Added” (valor econômico agregado). Por ter um nome respeitado no meio empresarial, tal afirmação atingiu a imagem e a representação social da contabilidade e do contador.

1.3. Os Problemas a serem Enfrentados pelos Contadores

Nessa perspectiva é preciso aprofundar os estudos sobre a representação social do contador, os problemas de imagem, tanto da contabilidade como instituição, quanto do profissional que a exerce. A criação desse marketing profissional gera certa negatividade. Até porque o depoimento deu-se em uma entrevista com este teor, a criar uma dúvida por parte da sociedade, em relação à importância e à utilidade da contabilidade e ainda em relação à honestidade e à responsabilidade do contador.

Ao considerar o problema em discussão, faz-se necessário novamente recorrer-se às observações de Koliver (2004), onde comenta a entrevista enfatizando que essas asseverações feitas atingem diretamente a contabilidade e a profissão contábil, o que torna imperiosa a feitura de uma análise crítica com vistas à formação de juízo sobre a fundamentação e veracidade, as quais se comprovadas, implicarão a busca de soluções para os problemas existentes.

As considerações desenvolvidas demonstram uma preocupação em fundamentar-se no tocante aos problemas que existem em relação ao posicionamento da contabilidade e do contador no mercado. Essa inquietação também passa a impressão do que as pessoas formam a respeito do profissional de contabilidade.

Nessa ordem, para se idealizar o significado de representações sociais, faz-se necessário à apresentação de um conceito. Para Goffman (1985) quando um indivíduo chega à presença de outros, estes, geralmente, procuram obter informações a seu respeito ou trazem a mente as que possuem. Estão interessados na sua situação socioeconômica geral, no que pensa de si mesmo, na atitude a respeito deles, na sua capacidade e na confiança que merece.

É percebido no conceito, que nas relações sociais, a informação a respeito de um indivíduo de alguma categoria profissional ou classe social, serve para definir a situação, tornando os outros capazes de conhecer antecipadamente o que dele podem esperar.

1.4. Finalidade deste trabalho

Este trabalho visa apresentar um arcabouço teórico onde possa gerar reflexões e discussões no que tange a representação social do contador e sua imagem perante a sociedade. O intuito é demonstrar a importância de não se formar conceitos sobre uma profissão ou ciência a partir da conduta e da aparência de forma aproximada ou representada por um estereótipo não comprovado e que não condiz com o perfil da maioria dos profissionais de uma classe.

2. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

Para Iniciar qualquer discussão sobre a imagem que a sociedade possa ter em relação ao contador e a profissão contábil, deve-se inicialmente estudar um pouco de psicologia social para um entendimento sobre o assunto. No momento atual a psicologia social tem discutido sobre a teoria das representações sociais (RS) e tem em Serge Moscovici o precursor do conceito em seu estudo sobre a representação social da psicanálise. Nesta obra Moscovici conduz um estudo tentando compreender com profundidade de que forma a psicanálise, ao sair dos grupos fechados e especializados, tem outro significado nos grupos populares.

Apesar de não ter apresentado um conceito definitivo de representação social, Moscovici (1981, p. 181) expõe que:

Por Representações Sociais, entendemos um conjunto de conceitos, proposições e explicações originado na vida cotidiana no curso de comunicações interpessoais. Elas são o equivalente, em nossa sociedade, aos mitos e sistemas de crença das sociedades tradicionais; podem também ser vistas como a versão contemporânea do senso comum.

Embora seja Moscovici o precursor da teoria das representações sociais, talvez seja Strey et al (1998) quem melhor e mais detalhadamente dê a ideia sobre o assunto, afirmando que estudar representações sociais é buscar conhecer o modo como um grupo humano constrói um conjunto de saberes que expressam a identidade de um grupo social.

Os saberes que são construídos e a identidade do grupo social ou classe profissional mostram que na maioria das vezes as atitudes praticadas, como, por exemplo, comprar, votar, escolher o prestador de um serviço, não são por razões lógicas e racionais, mas por razões principalmente afetivas, simbólicas, míticas, e religiosas. O estudo das representações sociais chama a atenção a essa realidade e tenta mostrar a importância de se conhecer essas representações para se compreender o comportamento das pessoas, no tocante a criação de uma imagem e os respectivos posicionamentos de um produto ou serviço no mercado.

Carvalho Neto (1999, p.18) faz os seguintes questionamentos quanto ao posicionamento no mercado:

Quais as melhores escolas de dança em sua cidade?

Quais grifes de camisas masculinas possuem o máximo de qualidade, durabilidade, caimento, e adequação em termos de moda atual?

Qual o melhor sabão em pó?

O autor ora citado, ainda afirma que [...] a maior parte dos consumidores só leva em conta realmente em consideração cerca de três marcas.

É notado que no seu ramo de atividade profissional cita-se até mais de dez nomes, mas em outros ramos é provado que qualquer membro da sociedade tem dificuldade de citar mais de três nomes ou marcas conhecidas em que a imagem lhe venha à mente de imediato. As observações apresentadas até o presente momento tentam esclarecer e apresentar uma fundamentação teórica a este trabalho, onde se constata que quando se questiona: Quais as melhores profissões a serem escolhidas pelos futuros estudantes do ensino superior? Efetivamente a profissão de contador poderá não se classificar entre as três preferidas, pois a representação social deste profissional, ainda não é de total reconhecimento pela sociedade.

3. MARKETING PESSOAL

Para uma conceituação breve e clara sobre o assunto deste tópico, apresenta-se o pensamento de Carvalho Neto (1999) onde afirma que o marketing pessoal não trata nem reduz as pessoas a um objeto. Ao contrário, valoriza o ser humano em todos os seus atributos e características. Na verdade possibilita a sua utilização plena, divulgando e demonstrando cada uma das capacidades e potencialidades das pessoas.

Verifica-se então que a divulgação das capacidades e potencialidades do contador é a principal tarefa a ser cumprida pelos profissionais e pelas entidades que representam a classe, buscando dessa forma criar uma boa imagem perante a sociedade e de fazer um marketing que agregue valor em relação à profissão, solidificando sua representação social.

O que acontece geralmente não tem esse efeito positivo que é tão esperado, e o que se vê nos jornais são afirmações semelhantes a esta apresentada por Parada Filho (2000, p. 34) onde expõe:

[...] Os contadores perderam sua real função: uns dizem que os contadores são meros agentes controladores dos impostos cobrados pela União, pelos Estados, pelos Municípios e pelo Distrito Federal. [...] outros dizem que os contadores são os grandes agentes da sonegação fiscal e tributária e talvez cheguem a dizer que os contadores são os responsáveis pela corrupção dos fiscais.

Tal observação deixa estudantes e profissionais preocupados com o futuro da profissão de contador, pois no seio da sociedade e principalmente no meio empresarial essa representação social atrapalha e incomoda muito a autoestima dos contadores. Muitos incorporam e se influenciam por tal sentimento de descrédito e buscam outras profissões que possam se sentir mais valorizados.

Em face desse problema, cabe às instituições de ensino superior (IES) e às entidades que representam a profissão desencadear um processo de valorização profissional, desde o ensino médio, onde se pode visitar escolas e cursos preparatórios para o vestibular (PSS) e demonstrar a importância da profissão contábil para a sociedade.

Carvalho Neto (1999) nos esclarece em relação à valorização das profissões que uma determinada atividade, mesmo com pouca quantidade de atuantes, nunca perde a sua real importância e observa:

"entre nós houve época em que toda família de certo nível, além de estimular os filhos a obter um diploma de direito, medicina ou engenharia, profissões muito valorizadas, induzia pelo menos um deles a tornar-se padre".

Nos dias atuais, os valores mudaram e com isso a quantidade de sacerdotes está muito reduzida, mas isso não quer dizer que a representação social da carreira religiosa tenha perdido seu valor. Da mesma forma pode-se fazer uma analogia em relação à profissão de contador, onde mesmo em face de todas as críticas e tentativas de manchar a imagem da profissão ou da ciência, a contabilidade nunca perderá o seu valor, pois o mundo dos negócios, enquanto tiver a necessidade de controlar o patrimônio das entidades, terá que reconhecer a utilidade histórica de uma profissão que acompanhou em todos os momentos a evolução da humanidade.

Tal simbologia faz com que se deva sim, acreditar na profissão de contador. No intuito de reforçar essa afirmação apresenta-se o que Marion (1997) escreveu, afirmando que o prestador de serviço contábil deverá acrescentar valor mensurável para seu cliente. As pessoas deverão elogiar o profissional, e o marketing boca a boca estará iniciado. Lembra ainda que a prestação de serviços fiscais, aspectos burocráticos como fim, nunca acrescentará valor. Orienta que além de executar suas tarefas, o contador deve dar aulas, ministrar palestras, escrever em jornais da região, participar de debates, ter uma home page na Internet, ter um logotipo moderno em seu cartão, alimentar redes de amigos influentes e usar seu poder de influência, tudo isso pode ser fundamental para se construir o marketing pessoal.

Nota-se então que com essas atitudes, poderá ser criada uma boa imagem do contador, que contribuirá para o seu marketing pessoal e consequentemente para a formação de uma representação social sólida e respeitável perante a sociedade.

4. A FORMAÇÃO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL DO CONTADOR COLABORANDO NA CONSTRUÇÃO DE SUA IMAGEM

A análise da questão anterior nos remete, antes de qualquer coisa, a uma breve reflexão sobre a formação do contador, onde se questiona se nas instituições de ensino superior (IES), os estudantes são preparados para além dos conhecimentos técnicos que lhes são transmitidos, tem-se também a preocupação de orientá-los no tocante a criação de uma imagem profissional sólida e respeitável. Passando pela preocupação de apresentar as ameaças à imagem culminando no monitoramento da mesma, onde se devem administrar os seus principais componentes, passando pela confiabilidade do serviço, segurança nas informações prestadas aos clientes e até o ambiente físico, instalações e equipamentos.

É percebido que nos cursos de ciências contábeis da maioria das IES fala-se muito pouco sobre marketing pessoal, imagem e representação social, talvez por este motivo, haja uma crise de identidade muito grande por parte de alguns profissionais que atuam na área.

Segundo Strey et al (1998) define identidade com expressões distintas: “como imagem, representação e conceito de si”.

Outros autores definem que identidade pode ser representada pelo nome, pelo pronome eu ou por outras predicações como aquelas referentes ao papel social. Tal observação pode colaborar para o esclarecimento, sobre a real situação em que se encontra o contador, onde podem surgir questionamentos da seguinte ordem:

Será que os estudantes de ciências contábeis sabem a dimensão da responsabilidade que é exercer a profissão de contador?

Será que sabe qual é o papel social do contador, quando assume a contabilidade de uma empresa e de alguma forma colabora para o crescimento ou a falência da mesma?

A resposta para esses questionamentos no ambiente acadêmico é de fácil dedução, ou seja, eles certamente responderiam não, pois como se nota a formação dos contadores em alguns pontos tem deficiências e não oferece tantas alternativas em seus conteúdos programáticos, que gerem uma consciência nesse nível. Faz-se necessária uma mudança na educação contábil, para que o futuro profissional possa obter uma formação sólida e que através dos seus conhecimentos e de sua cultura, adquira o respeito da sociedade e possa firmar sua imagem, fundamentada em sua competência técnico-profissional, onde possa está bem situado nas necessidades e exigências de um mercado mutante.

Moura (2003) observa que existe uma mudança na visão contábil, dando a contabilidade uma responsabilidade social e ambiental, exigindo profissionais, cada vez mais qualificados, polivalentes, com o maior número de habilidades possíveis.

É neste contexto de mudanças e com o intuito de se alcançar o respeito e a criação de uma imagem positiva do contador e da contabilidade perante a sociedade, onde se faz indispensável que os profissionais que compõe a classe, tenham ciência de seu papel no mundo dos negócios e também da sua responsabilidade social perante os tomadores dos seus serviços. Sempre pautado na educação continuada e na atualização constante nos assuntos que dizem respeito à contabilidade, a gestão empresarial e aos cenários econômicos.

Antes de se fazer qualquer observação final neste trabalho sobre a representação social do contador e a imagem dele perante a sociedade, é necessário evidenciar que a valorização de qualquer profissão se dá pela qualidade e pelo comprometimento de seus membros e como afirma Moura (2003), é preciso que contadores sejam integrados como uma equipe em um trabalho e como classe, valorizando e dando importância uns aos outros, visando o sucesso de cada um no seu trabalho. É preciso se sentir apaixonado pela contabilidade, pois o contador, tudo indica, fará a diferença no mundo dos negócios.

Nota-se através do exposto que a paixão pelo que se faz, é ingrediente principal para se criar uma representação social onde se demonstre uma postura ética e séria, desmistificando a observação feita por Marion (1997) afirmando ser a profissão de contador uma das mais antigas que existe e o estereótipo da imagem desse profissional em nossa sociedade não é a melhor possível. Aparentemente não é muito criativo, talvez um pouco tímido e, em alguns casos extremos, até com suspeita de ausência de idoneidade profissional.

O que se percebe no decorrer desta abordagem e através da advertência anterior, é que a imagem e o marketing do contador há algum tempo são pressionados por escândalos e declarações públicas que colaboram para o surgimento de mitos e a formação de uma representação social, onde pairam dúvida e desconfiança no tocante a honestidade e a responsabilidade de uma categoria profissional tão importante para o desenvolvimento da sociedade.

Pretende-se então com esta pesquisa, alertar os profissionais de contabilidade para a importância de se ter uma imagem positiva perante a sociedade, onde tal representação social depende da colaboração individual de cada membro que compõe a classe, passando por um comportamento idôneo e ético. Tais atitudes visam obter o respeito e o reconhecimento enquanto categoria profissional que participa efetivamente com sua força de trabalho na construção de uma nação economicamente desenvolvida, estando cada vez mais presente e participativa neste contexto econômico, social e político.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS