ANÁLISE DE BALANÇOS - http://www.cosif.com.br/
Ano XV - São Paulo, 20 de abril de 2014



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ANÁLISE DE BALANÇOS


ANÁLISE DE BALANÇOS

ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS


INTRODUÇÃO

Preliminarmente devem ser observados alguns procedimentos básicos porque nem sempre os demonstrativos contábeis espelham a realidade econômico-financeira das entidades. Como já mencionamos há a possibilidade da existência de balanços fraudulentos e relatórios de Administradores que escondam a real situação da entidade analisada. Em muitos casos, até os relatórios e pareceres dos auditores independentes procuram esconder certa situação desfavorável.

Certa vez, um auditor independente confidenciou que não iria colocar uma ressalva (situação negativa) contra seu cliente (uma instituição financeira). Foi quando disse a ele que os clientes (a verdadeira freguesia) dos auditores independentes não são as pessoas físicas ou jurídicas que pagam pelos seus serviços e sim aquelas que vão tentar entender e tirar conclusões sobre as peças contábeis por eles auditadas.

Por isso, algumas observações preliminares se tornam necessárias, como por exemplo ver se o Ativo Permanente abriga bens subavaliados (contabilizados por valores inferiores ao de mercado). Neste grupo situam-se os bens geralmente adquiridos pelo valor residual em operações de arrendamento mercantil. Essa não deixa de ser uma situação positiva, se vista pelo lado conservador do princípio da Prudência.

Ainda no Ativo Permanente há a possibilidade de superavaliação, quando houver a reavaliação de bens com o intuito de compensar prejuízos acumulados. Essa seria uma situação negativa, considerando-se a necessidade de se fazer uma provisão para que o valor contábil se iguale ao valor de mercado.

No SFN - Sistema Financeiro Nacional, logo após a promulgação da Constituição Federal de 1988, diante da mudança de regras para se obter a autorização do Banco Central do Brasil para constituir uma instituição financeira, várias entidades de pequeno porte do sistema distribuidor efetuaram a reavaliação de imóvel recebido de seus titulares como integralização de capital ou mesmo de imóveis do seu Ativo Permanente, que se encontravam contabilizados por inferior ao de mercado. A intenção era a de transformar, por exemplo, uma distribuidora de valores em banco comercial ou financeira, tendo em vista que alguns sócios dessas pequenas entidades já operavam informalmente como agiotas. Assim, na ânsia de conseguir a autorização do Banco Central, muitos superestimaram o valor do imóvel contabilizado.

Outras precauções devem ser tomadas antes das análises das Demonstrações Contábeis:

No Ativo:

  1. solicitar a relação ou inventário dos bens de uso próprio do Ativo Permanente com seu valor histórico corrigido ou valor contábil e o eventual preço de mercado no estado de cada item (móveis, utensílios, equipamentos de escritório, máquinas industriais, veículos e embarcações, imóveis, terrenos, entre outras), verificando a real existência dos bens de valor mais significativo; móveis, utensílios, equipamentos de escritório e máquinas antigas podem não ter valor comercial por serem obsoletas.
  2. solicitar a relação ou inventário dos bens não de uso próprio do Realizável a Longo Prazo com o mesmo objetivo do item anterior.
  3. idêntico procedimento quanto aos direitos e títulos e valores mobiliários do Ativo Circulante.
  4. verificar se há excesso de imobilizações que vai gerar capital de giro negativo negativo e quem o está financiando, verificando quais os bens que estão gravados por dívidas ou ônus reais.

No Passivo:

  1. Os passivos também podem estar sub-avaliados, o que significa que despesas não foram aprovisionadas ou não lançadas, como provisões para férias, 13º salário e encargos sociais a eles pertinentes, compras de mercadorias não contabilizadas em contrapartida com fornecedores, etc.
  2. Verificar se foram contabilizadas a provisão para imposto de renda e para impostos diferidos, entre muitos outros passivos como ações nas esferas judicial e/ou administrativa, autos-de-infração e impostos a pagar.

Tendo em vista o princípio da Continuidade, verificar quais os tipos de seguros contratados, inclusive sobre bens arrendados.

O Tipo de Sociedade e o montante do capital social também pode influir na análise. Nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada, a responsabilidade financeira dos sócios está limitada ao montante do capital social descrito no contrato social arquivado na Junta Comercial. Neste caso é importante saber se o total do Passivo Circulante menos o Ativo Circulante é superior ao capital social. Se for, os sócios não serão responsabilizados pelo pagamento do excedente.

Nas Sociedades por Ações (S/A) a responsabilidade dos dirigentes e dos acionistas controladores é ilimitada, por isso deve ser solicitada a relação dos bens dos mesmos com sua avaliação a preço de mercado. Também é necessário saber se esses bens estão gravados por dívidas ou ônus reais (penhora, hipoteca).

Além desses procedimentos e de outros que se fizerem necessários, devem ser verificadas informações cadastrais e de crédito em diversas instituições especializada, tais como, SERASA, SPC, principais fornecedores, e a ficha regressa da empresa, dos sócios, dirigentes e acionistas controladores em cartórios de protestos e distribuidores civis e criminais.

Saber quais são os demonstrativos disponíveis:

CONCEITO DE EMPRESA CONTROLADORA, CONTROLADA E COLIGADAS

É importante sabermos o conceito de empresa controladora, controlada e coligada. Alguns dispositivos legais e regulamentares oferecem essa distinção. São eles:


ANÁLISE HORIZONTAL DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Para realização da ANÁLISE HORIZONTAL são necessárias no mínimo duas Demonstrações Contábeis de exercícios consecutivos. O ideal é que se tenha três ou mais.

As análises também devem ser efetuadas com base em balancetes mensais, principalmente quando se destinam para fins de fiscalização.

Vejamos um exemplo:

Resultado da Análise comparativa entre os Balanços de 31/12/X1 e 31/12/X2:

Comparando-se o balanço de 31/12/X1 com o de 31/12/X2, verifica-se que houve um acréscimo de 200,00 no Ativo Circulante (OBS.1). Como não há desmembramento do Ativo Circulante, não é possível saber em quais subgrupos ocorreu o acréscimo, que pode ter sido em Disponibilidades, em Contas a Receber, em Investimentos de Curto Prazo ou em Estoques.

Na OBS.2 verifica-se que houve redução de 200,00 no Realizáveis a Longo Prazo, na mesma proporção do aumento do Ativo Circulante, indicando, a primeira vista, que os valores a receber a longo prazo passaram para o curto prazo em razão do tempo decorrido.

Na OBS.3 vê-se que houve um acréscimo do Ativo Permanente no valor de 200,00, que corresponde a soma dos acréscimos verificados no Passivo Circulante (100,00) e no Exigível a Longo Prazo (100,00) (OBS.4 e 5). Isso pode significar que os bens correspondentes ao acréscimo do Ativo Permanente foram adquiridos a prazo, sendo parte para pagamento a curto prazo e parte a longo prazo.

Na OBS.6 vê-se que houve uma redução dos Resultados de Exercícios Futuros, mostrando que os 400,00 foram lançados como receita no exercício findo em 31/12/X2.

Na OBS.7 verifica-se que o acréscimo do Patrimônio Líquido no valor de 400,00 foi exatamente igual a apropriação das Receitas de Exercícios Futuros, demonstrando que neste último exercício não houve lucros. Ou seja, as receitas contabilizadas são oriundas de operações realizadas no exercício anterior para entrega no exercício findo.

Observação: A veracidade dessas suposições iniciais pode ser verificada mediante a obtenção de Demonstrações Contábeis mais detalhadas. Note-se ainda a importância dos documentos a seguir enumerados:

Além dos documento supra, também devem ser analisadas as Demonstrações do Resultados, com as características dispostas nas NBC - Normas Brasileiras de Contabilidade - NBC T 3.3.

No caso do Relatório dos Auditores Independentes, somente o Banco Central do Brasil exige a expedição desse documento, além do parecer. O MNI 2-1-20, em seu item 7, menciona:

7 - Os auditores independentes devem elaborar, como resultado do trabalho de auditoria realizado, os seguintes documentos: (Res 2267 art 5 I/III)

a) relatório de auditoria sobre as demonstrações financeiras examinadas, opinando sobre a sua adequação aos princípios fundamentais de contabilidade, bem assim as normas de contabilidade expedidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; (Res 2267 art 5 I)

b) relatório circunstanciado de avaliação da qualidade e adequação dos controles internos, inclusive dos controles e sistemas de processamento eletrônico de dados e de avaliação de riscos, devendo ser evidenciadas as deficiências encontradas; (Res 2267 art 5 II)

c) relatório circunstanciado a respeito do cumprimento de normas operacionais estabelecidas em lei e dispositivos regulamentares, devendo ser evidenciadas as irregularidades encontradas. (Res 2267 art 5 III)

Vejamos outro exemplo:

Resultado da Análise comparativa entre os Balanços de 31/12/X2 e 31/12/X3:

Novamente o aumento do Ativo Circulante (OBS.8) foi igual a diminuição do Realizável a Longo Prazo (OBS.9), demonstrando que pode ter sido em razão da transferência de valores entre os grupamentos de contas pela diminuição do prazo de vencimento em decorrência do tempo.

Por sua vez, houve novos investimentos no Ativo Permanente com idêntico acréscimo no Passivo Circulante, ou seja, compra de bens de produção para pagamento em prestações ou de forma integral em curto prazo. Porém, nota-se que o Exigível a Longo Prazo também teve acréscimo pelo mesmo valor verificado no Passivo Circulante. Então, resta a questão: Os bens de produção foram comprados a curto ou a longo prazos?

Na Observação nº 13 nota-se que 100,00 foram apropriados como receita no exercício findo. Mas, mesmo assim houve a redução do Patrimônio Líquido em 200,00 (OBS.14). Daí podemos deduzir que houve no exercício findo um Prejuízo Operacional de 300,00. Por que 300,00? Porque a redução foi de 200,00, mas foram apropriadas receitas de operações realizadas em exercícios anteriores no valor de 100,00. Assim sendo, é mais provável que a compra de bens de produção tenha sido efetuada para pagamento a longo prazo e que o aumento do Passivo Circulante tenha sido em razão da obtenção de capital de giro para repor o prejuízo sofrido no exercício findo.

Note-se que a redução do Patrimônio Líquido (OBS.14) também pode ter sido em razão da distribuição de lucros. Por essa razão é importante ver as Demonstrações dos Resultados, as Demonstrações Lucros ou Prejuízos Acumulados e as Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido.

As dúvidas mencionadas talvez estejam explicadas em Balanços mais detalhados com contas até o 3º, 4º ou 5º grau, por exemplo, ou nos seguintes documentos:

Além dos documentos supra, também devem ser analisadas as Demonstrações do Resultados, com as características dispostas nas NBC - Normas Brasileiras de Contabilidade - NBC T 3.3.

A obtenção de balancetes mensais é muito importante para os profissionais de auditoria e de fiscalização incumbidos de apurar a existência de operações duvidosas que propiciaram a manipulação de resultados. Permitem também saber quais os setores da empresa estão oferecendo resultados positivos e quais os que estão sofrendo prejuízos. Essas apurações serão melhores ainda se a empresa ou entidade dispuser de contabilidade de custos.


ANÁLISE VERTICAL DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

A ANÁLISE VERTICAL pode ser realizada com um único balanço, mas geralmente utiliza-se os mesmo balanços utilizados para a Análise Horizontal.

Note-se que na análiseconstante do gráfico acima não há algo de tão importante que se possa observar, salvo o percentual do saldo em relação aos totais de cada grupamento de contas. No caso em questão, esse percentual se refere ao Total do Ativo e do Passivo, respectivamente.


ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS POR COEFICIENTES

ÍNDICES DE LIQUIDEZ

  • Índice de Liquidez Imediata ou Instantânea
  • Índice de Liquidez Corrente ou Comum
  • Índice de Liquidez Seca ou Teste Ácido
  • Índice de Liquidez Geral ou Total

Veja Outros índices calculados com base no divulgado pela FIESP/SERASA

Índice de Liquidez Imediata ou Instantânea

O índice de liquidez imediata é calculado pela fórmula:

É evidente que as disponibilidades nunca são em valores significativos, porque há uma tendência lógica, principalmente em países com altos índices inflacionários, das disponibilidades estarem aplicadas a curto prazo. No Brasil as empresas geralmente aplicam os recursos no chamado "OPEM MARKET" em operação por um dia útil, que são conhecidas como "OVER NIGHT". Note-se que, além das importâncias em dinheiro no Caixa, os saldos bancários, as aplicações financeiras por um dia útil, as aplicações em moedas estrangeiras e as aplicações em ouro devem ser consideradas disponibilidades.

Índice de Liquidez Corrente ou Comum

Índice de Liquidez Seca ou Teste Ácido

Índice de Liquidez Geral ou Total

Aplicando-se os referidos índices no Balanço Patrimonial a seguir, teremos os índices mostrados abaixo do mesmo:

Tecle em F11 para ver o Balanço inteiro.

Veja Outros índices calculados com base no divulgado pela FIESP/SERASA


CONCLUSÃO

Examinando-se os índices de liquidez dos três últimos balanços apresentados imediatamente acima, podemos ver que houve uma sensível melhora na liquidez geral, embora no último ano a empresa tenha apresentado prejuízo ou tenha distribuído lucros ou dividendos, o que reduziu sensivelmente o seu patrimônio líquido. Note-se que os dois fatos hipotéticos são totalmente extremos, mas não alteraram o índice de liquidez. Note-se ainda que no primeiro ano analisado, o índice de liquidez geral era negativo em 300%. Isso aconteceu porque o índice não leva em consideração os resultados de exercícios futuros, que são muito comuns nas instituições financeiras.

A análise por índices é como aquele caso em que alguém resolveu analisar numa amostra populacional de 30 pessoas quantas comiam frango. Na pesquisa, foi apurado que 15 comiam 2 frangos por dia e os outros 15 não comiam frango algum, porque não tinham dinheiro para comprá-los. A análise dos números totalizados, sem que se saiba os detalhes de como foi efetuada a pesquisa, força-nos a concluir que em média cada indivíduo comia um frango por dia e todos podiam ser considerados como pertencentes à classe média. Mas, na realidade, 15 não comiam frango porque eram miseráveis e outros 15 comiam 2 frangos porque eram ricos.

Das análises enumeradas, a mais importante é indiscutivelmente a análise horizontal não só dos Balanços Patrimoniais, mas também dos Balancetes Mensais e das Demonstrações dos Resultados. A partir delas podemos chegar a conclusões muito mais importantes.

Aliás, para os acionistas minoritários das empresas de capital aberto, é mais importante saber se os dirigentes das empresas estão desviando recursos, contabilizando notas fiscais frias ou efetuando operações para gerar despesas e desviar recursos para o exterior, dos quais somente os controladores vão se beneficiar.

No caso dos credores inscritos no Passivo Circulante e no Exigível a Longo Prazo, é mais importante, para eles, saber qual é o patrimônio pessoal dos acionistas controladores, porque em caso de insolvência da empresa, somente o patrimônio pessoal destes vai de fato garantir o pagamento das dívidas.

Portanto, a verdadeira análise das Demonstrações Contábeis e Auxiliares (não só a do Balanço) é muito mais elucidativa do que o simples cálculo de índices de liquidez.

Ver a ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES DOS RESULTADOS e também a APURAÇÃO DA SITUAÇÃO LÍQUIDA PATRIMONIAL, DO CAPITAL DE GIRO E DE LIMITES





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