AS GRANDES EMPRESAS E AS SUAS FRAUDES CONTÁBEIS - http://www.cosif.com.br/
Ano XV - São Paulo, 24 de julho de 2014



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AS GRANDES EMPRESAS E AS SUAS FRAUDES CONTÁBEIS

AS GRANDES EMPRESAS E AS SUAS FRAUDES CONTÁBEIS

A IMPORTÂNCIA DOS PARAÍSOS FISCAIS NA REALIZAÇÃO DAS FRAUDES CONTÁBEIS

São Paulo, 22 de janeiro de 2004 (revisado em 07/10/2007)

Referências: Ética na contabilidade, Contabilidade Criativa ou Fraudulenta, As Bolsas de Valores e os Crimes Contra os Investidores, Manipulação de Balanços, Caixa Dois em Paraísos Fiscais, Lavagem de Dinheiro de narcotraficantes e corruptos.

Depois dos escândalos da ENROW, da WORLDCOM/MCI, da PARMALAT, todos motivados por fraudes contábeis em seus balanços patrimoniais, agora o “Bloomberg News” publicou mais um sobre a investigação da CVM norte-americana na COCA-COLA.

E não é só lá que a Coca-Cola está com problemas. Aqui no Brasil o dono dos refrigerantes DOLLY esteve no programa “100% BRASIL” da REDETV e fez diversas denúncias contra aquela mesma empresa, inclusive mostrando vídeos gravados em reuniões realizadas em seu escritório em que um dirigente do braço brasileiro da empresa estrangeira faz diversas declarações estarrecedoras, inclusive dizendo que a multinacional possui lobistas com capacidade para mudar decisões de judiciais, tal como as que estão sendo apuradas na “Operação Anaconda”, onde juízes são acusados de venda de decisões judiciais com favorecimentos aos réus.

Mas, este foi somente mais um pretexto para se voltar a falar das fraudes contábeis e conseqüentemente da nulidade dos balanços das empresas de modo geral e sobre a temeridade de se investir dinheiro nas que possuem ações negociadas nas Bolsas de Valores. Sobre as Bolsas veja os textos: “AS BOLSAS DE VALORES E AS FRAUDES CONTRA INVESTIDORES” (20/11/2003), “FGTS NAS BOLSAS DE VALORES” (17/07/2003), “A MANIPULAÇÃO DE PREÇOS NO MERCADO DE CAPITAIS” (27/03/2003).

Em 15 de agosto de 2002, já havia escrito um texto intitulado “A MANIPULAÇÃO DE BALANÇOS”. Mas, bem antes, lá pelos idos de 1999, uma colega de serviço público federal, que tem um site versando sobre investimentos nas bolsas de valores, dizia que era extremamente difícil fazer a análise dos balanços de sociedades de capital aberto, porque na comparação de dois ou mais exercícios sociais, e até na comparação de balancetes mensais, não se encontrava coerência nos índices calculados de conformidade com as regras geralmente aceitas pelos mestres e demais profissionais de contabilidade. Algum tempo depois, foi montado um curso (roteiro de pesquisa), que se encontra neste site, intitulado “ANÁLISE DE BALANÇO”, onde são mostrados os cuidados que todo analista de balanço deveria ter, mas que geralmente na prática não leva em consideração.

Note-se que os cuidados fundamentais não estão ao alcance do cidadão comum ou de um simples prático no cálculo de índices contábeis. Esses cuidados estão somente ao alcance dos profissionais de contabilidade e em especial aos diretamente ligados à auditoria.

Porém, em 1996 já havia escrito um outro texto, intitulado “FISCALIZAÇÃO INEFICIENTE”, que ainda se encontra tão atual como naquela época.

Infelizmente deve ser salientado que os contadores das empresas e os auditores independentes também estão direta ou indiretamente ligados às fraudes contábeis e à manipulação de balanços patrimoniais, conforme se verificou no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa e foi amplamente noticiado pelos meios de comunicação, como o suicídio do responsável pela contabilidade da Parmalat na Itália.

Os contadores alegam que são obrigados a fazer a contabilização dos documentos que lhes são apresentados, mesmo que estes possam ser falsos ou falsificados, o que não lhes cabe apurar, sob pena de perderem o emprego e não mais conseguirem emprego em outras empresas, o que é verdade em razão do corporativismo ou máfia formada pelos controladores das empresas e por seus executivos. Principalmente nas grandes empresas os documentos que servem de base aos lançamentos contábeis já vêm rubricados por seus responsáveis diretos e são confeccionados nos departamentos ou seções, longe do contador geral.

Um dos sócios de uma empresa de auditoria internacional disse-me que tais prestadores de serviços são obrigados a atender o que determinam seus clientes. Para ele os clientes da empresa de auditoria eram os empresários que os contrataram, quando em tese e também na prática os verdadeiros clientes de uma empresa de auditoria independente são os acionistas (preferencialmente os minoritários) e o público que pretende ou pretendeu investir suas economias em ações da empresa que está sendo vistoriada. E em razão da descoberta da conivência de empresas de auditoria com as fraudes, pelo menos uma das famosas norte-americanas teve que fechar suas portas.

Veja as medidas que foram tomadas para reprimir as fraudes contábeis nos textos:

Na realidade tanto os contadores como os auditores podem ser iludidos, porque não são infalíveis e também porque nas grandes empresas, como mencionamos, os lançamentos contábeis são efetuados nos diversos departamentos ou seções por subalternos e, na maior parte dos casos, o responsável pela contabilidade e seus auxiliares diretos não conseguem vistoriar todos os documentos que justificam a contabilização, por serem em enorme quantidade.

Mas, é justamente a principal função dos auditores descobrir as fraudes e erros cometidos. Por isso a responsabilidade dos auditores é bem maior do que a dos contadores. As grandes empresas, além dos auditores externos (independentes), também têm auditores internos, que diuturnamente ficam incumbidos de fazer conciliações de saldos e de procurar erros e fraudes, principalmente efetuadas contra a empresa, porém, podem fazer “vista grossa” nas fraudes cometidas pelos empresários ou dirigentes empregados, desde que também estejam participando da trama. De outro lado, existe a possibilidade dos erros não serem encontrados, porque, em razão da grande quantidade de documentos e dados a conferir, a análise pode ser feita por amostragem, tal como fazem os fiscalizadores ou auditores-fiscais dos órgãos públicos.

Devido ao exposto, grande parte das fraudes não é encontrada e, quando são encontradas, a razão é porque se tornaram gigantescas, como os meios de comunicação nos têm mostrado.

QUANDO TUDO COMEÇOU

As fraudes contábeis para manipulação de resultados espelhados nos balanços patrimoniais são antigas, mas a coisa ficou mais sofisticada com a aparição dos paraísos fiscais, com o avanço nas telecomunicações, com a proliferação dos computadores e com a implantação de novas operações realizadas no mercado de capitais nos pregões das Bolsas de Valores e também no mercado de balcão de títulos de renda fixa intermediados pelas instituições financeiras.

Desde que Ronald Reagan foi presidente norte-americano, em duplo mandato, proliferaram e tornaram-se públicos os paraísos fiscais. Isso aconteceu porque aquele presidente conseguiu aprovar lei no Congresso de seu país reduzindo o imposto de renda sobre lucros obtidos no exterior. Essa medida fez com que as grandes empresas estadunidenses exportadoras, importadoras e com investimentos no exterior passassem a subfaturar as exportações (inclusive de linhas de montagem substituídas e remetidas para países subdesenvolvidos) e a superfaturar as importações de forma que os lucros dessas negociações fraudulentas ficassem nos paraísos fiscais, onde atualmente estão abrigados bem mais de US$ 3 trilhão, segundo estimativas de organismos internacionais.

E os brasileiros aprenderam muito bem na cartilha norte-americana, visto que aqui os grandes empresários nacionais e multinacionais passaram a fazer a mesma coisa. Daí, até chegarmos à lavagem de dinheiro dos narcotraficantes e dos corruptos, foi um pulo. Bastou que fosse criado no Brasil no final do ano de 1988 o “Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes” e em razão dele, em 1992, fosse regulamentada as contas bancárias, conhecidas como “CC5”, para utilização “legal” (segundo o Banco Central) pelas instituições financeiras constituídas em paraísos fiscais, chamadas de “não residentes”. Coloco o “legal” entre aspas, justamente porque, segundo o art. 18 da Lei 4595/64, as instituições financeiras estrangeiras só poderiam operar no Brasil mediante obrigatória autorização do Poder Executivo, por decreto presidencial. Mas, essa autorização não pode ser dada sem a efetiva reciprocidade dos países de origem das instituições estrangeiras, o que não acontece nos paraísos fiscais. Veja mais detalhes em “TUDO SOBRE AS CONTAS CC5”.

Foi devido ao arraigado subfaturamento das exportações e ao superfaturamento das importações que começou a vigorar no Brasil em 1997 a Lei 9.430/96, que em alguns de seus artigos trata dos “preços de transferência”, os quais estão contidos nos artigos 240 a 245 do RIR/99 - Regulamento do Imposto de Renda, baixado pelo Decreto 3000/1999.

Veja maiores detalhes em “O PERIGO DOS PARAÍSOS FISCAIS”, em "PARAÍSOS FISCAIS, LAVAGEM DE DINHEIRO E CC5"  e em “TUDO SOBRE PARAÍSOS FISCAIS”.

Nunca se roubou tanto no Mundo como nos últimos 20 anos do Século XX. E agora no início do Século XXI os escândalos estão aparecendo, fatalmente em razão dos avanços tecnológicos dos meios de comunicação e no Brasil em razão também da independência dos procuradores da república e dos promotores públicos, independência esta que foi tirada dos fiscalizadores do Banco Central do Brasil, que desde 1989 são nomeados pelos dirigentes da Casa e podem ser destituídos de suas funções por ordem superior mesmo que estejam cumprindo religiosamente os seus deveres cívico e profissional. Mas, podem ser destituídos quando estiverem contrariando os interesses mesquinhos dos corruptos de plantão.

É importante salientar que os contadores dos quadros de fiscalização do Banco Central, depois de suas aposentadorias, não foram repostos e a substituição dos mesmos foi feita por profissionais de outras áreas de nível superior sem o necessário conhecimento técnico e legal em contabilidade e auditoria.

NOTÍCIA PUBLICADA PELO “BLOOMBERG NEWS” E PELO "JORNAL DO BRASIL" DE 16/01/2004

Coca-Cola é investigada nos EUA por desvio de US$ 2 bi - Veja no site da ABIR - Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não-alcoólicas.

CVM americana abre processo após denúncia de ex-executivo

ATLANTA, EUA - A Coca-Cola, maior empresa de refrigerantes do mundo, é o novo alvo de investigação de um escândalo contábil nos Estados Unidos. A Securities and Exchange Commission, xerife do mercado acionário americano, formalizou a apuração de denúncia feita por um ex-executivo de que a empresa teria fraudado seus balanços em US$ 2 bilhões, informou a própria Coca-Cola. Até então, a SEC vinha conduzindo uma investigação informal das contas da companhia que já durava sete meses. A oficialização dá ao órgão poder de intimar atuais e ex-executivos a depor e exigir documentos relativos ao caso.

A agora investigação formal é fruto de ação cível movida por Matthew Whitley, ex-diretor financeiro da divisão de vendas de bebidas em restaurantes da Coca-Cola, responsável por cerca de um terço das vendas da companhia no país. Em seu processo, aberto em abril do ano passado, Whitley alegava ter sido “erroneamente” demitido após denunciar irregularidades aos superiores e pedia indenização de US$ 44 milhões. Segundo o ex-executivo, a empresa manipulava seus balanços para inflar receitas e ocultar prejuízos.

Além disso, Whitley acusou a Coca-Cola de ter agido em conluio com fornecedores como a Lancer, também sob investigação, para superfaturar os preços de tradicionais máquinas de refrigerantes e subfaturar o de novo equipamento computadorizado, forçando as vendas do segundo. O ex-executivo também apontou irregularidades em promoção de novo refrigerante batizado Frozen Coke em conjunto com a cadeia de fast food Burger King. Um consultor teria recebido US$ 10 mil para levar crianças às lojas para lanche com a bebida, dando a ilusão de que o produto era um sucesso.

Em outubro, porém, Whitley acabou chegando a um acordo extrajudicial com a empresa, pelo qual recebeu US$ 540 mil, e retirou sua demanda. Investigação interna da Coca-Cola também confirmou, em julho, a denúncia relativa ao Burger King, que recebeu US$ 22,1 milhões a título de compensação. A companhia reconheceu ainda problemas na contabilidade da divisão de Whitley e decidiu retirar de seus balanços US$ 9 milhões. Além da investigação da SEC, a promotoria de Atlanta, onde a empresa está sediada, também está apurando as denúncias.







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