OS ESTADOS UNIDOS E A CONVERSÃO DA SUA DÍVIDA - http://www.cosif.com.br/
Ano XVI - São Paulo, 21 de dezembro de 2014



Mobile Link
 

OS ESTADOS UNIDOS E A CONVERSÃO DA SUA DÍVIDA

OS ESTADOS UNIDOS E A CONVERSÃO DA SUA DÍVIDA

A EXTINÇÃO DO SISTEMA MONETÁRIO INTERNACIONAL

São Paulo, 28/03/2009 (Revisado em 06-02-2013)

Referências: Contabilidade de Custos, Desperdício, Competitividade com mão de obra em regime de semiescravidão (escravo), Derrocada Financeira Norte-Americana, Crise Mundial ou Internacional, Estados Unidos como Emissor de Papel Moeda Mundial, Cesta de Moedas, Moeda Padrão, Padrão-Ouro e Padrão Commodities, Planejamento Tributário, Contabilidade Criativa (Fraudulenta), Sonegação Fiscal, Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais, Internacionalização do Capital, Paraísos Fiscais, Lavagem de Dinheiro e Ocultações de Bens, Valores e Direitos, Renegociação e Conversão da Dívida, Evasão Cambial ou de Divisas, Estatização, Balanço de Pagamentos, Subfaturamento das Exportações, Superfaturamento das Importações, Preços de Transferência, Comércio Exterior - Importação e Exportação. Complexo de Vira-Latas, A Megalomania dos Mega-Especuladores e dos Incautos Investidores.

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19.750

OS BRASILEIROS E O COMPLEXO DE VIRA-LATAS

O economista e professor da FGV - Fundação Getúlio Vargas Paulo Nogueira Batista Júnior em 06/05/1999 em sua coluna no jornal Folha de São Paulo escreveu em diversas frases o que agora coloco num único texto:

O brasileiro não se interessa realmente pelo Brasil, vive [na praia] eternamente de costas para o próprio país e desconhece solenemente os seus valores e potencialidades. Trata-se, como é óbvio, de uma das facetas da nossa crônica falta de autoestima, do nosso secular complexo de vira-latas, como diria Nelson Rodrigues.

Dias depois, no mesmo jornal, o escritor Ariano Suassuna, elogiando o texto do professor da FGV explicou que certa vez numa aula que ministrou em São Paulo disse aos alunos que as universidades brasileiras pensam e ensinam de costas para o nosso país. E, mediante fatos narrados e questões formuladas aos alunos, comprovou sua tese.

Concordo plenamente com os referidos professores. Veja os textos escritos por eles.

Tenho escrito desde 2002 que o país denominado de Estados Unidos da América estava falido. Ninguém acreditava e ainda tem gente que não acredita. Alguns, demonstrando o seu crônico complexo de vira-latas, até me tratavam e ainda tratam com desdém quando me refiro a esse desastroso problema norte-americano, que aconteceu em razão da incompetência de seus governantes e da irresponsabilidade megalomaníaca dos executivos de suas grandes corporações.

Então, além do contido nos textos já escritos, vou tentar mostrar o que tem acontecido no cenário mundial desde a criação do FMI - Fundo Monetário Internacional e o que levou os Estados Unidos à falência, embora poucos acreditem que de fato aquele país esteja falido, sem possibilidade de recuperação se não for radicalmente modificado o pensamento dos capitalistas selvagens que cultuam o neoliberalismo anárquico, com a total desregulamentação (autorregulamentação) da economia.

A essa altura os referidos professores diriam: Ninguém acredita na falência do Estados Unidos por causa do nosso crônico “Complexo de Vira-Latas”.

CONSTITUIÇÃO DO FMI E ESTADOS UNIDOS COMO EMISSOR DE MOEDA

O FMI - Fundo Monetário Internacional com sede nos Estados Unidos da América foi criado em 1945 (ano em que nasci), especialmente para monitorar (controlar, fiscalizar) um sistema monetário entre países com a finalidade de evitar que acentuados desequilíbrios entre seus respectivos Balanços de Pagamentos pudessem gerar crises mundiais.

Esse desequilíbrio no Balanço de Pagamentos dos Estados Unidos vem acontecendo desde que foi extinto o “Padrão Ouro”. Por isso a chamada “Crise Mundial” de 2008/2009 está acontecendo e nesse período de descompasso norte-americano que já dura quase 40 anos o FMI nada fez para evitar tal problema.

Por que elaboraram um sistema monetário entre países e não entre empresas?

Porque, em tese, aos países sempre será possível pagar as suas dívidas. Nenhum país vai realmente à falência porque sempre há a possibilidade de recuperação. Basta que produza e exporte para conseguir as divisas necessárias às importações.

O mesmo não se pode dizer das empresas. Se a empresa falir, será impossível pagar a sua dívida porque ela perde a sua capacidade de produzir (gerar receita) em virtude da falta de ajuda dos banqueiros e das demais empresas. Seus concorrentes serão os primeiros a tentar acelerar sua falência. Os banqueiros não vão querer arriscar seu rico dinheirinho numa empresa falida ou à beira da falência.

Quando o FMI foi fundado os teóricos partiram do pressuposto que os “States” JAMAIS teriam desequilíbrios em seu balanço de pagamentos. Ninguém acreditava nessa possibilidade e, como foi dito, muitos ainda não acreditam.

Naquela época aquele país era o maior credor do mundo, porque era o maior exportador para todos os países desde quando ocorreu o Plano Marshall destinado à recuperação dos países europeus devastados pela 2ª Guerra Mundial. Por esse motivo a moeda norte-americana (o dólar) foi transformada em padrão monetário internacional.

Os mentores desse sistema monetário poderiam ter inventado outra moeda chamada, por exemplo, de FMI, mas os países fundadores, naturalmente por imposição ditatorial dos ianques, concordaram em ter como moeda padrão a deles, porque os dólares emitidos estavam lastreados em reservas em ouro. Assim, os Estados Unidos, por intermédio do FMI passou a ser o banqueiro do mundo (Banco Central Universal), o emissor oficial do papel-moeda que seria utilizado pelos países nas transações entre si.

Obviamente que todos os representantes dos países fundadores do FMI concordaram com tal pretensão porque, devidamente doutrinados por uma muito bem aplicada lavagem cerebral, achavam que os Estados Unidos com todo o seu poderio econômico e bélico de fato seriam os eternos credores do “resto” do mundo.

Ao contrário do que se pensava, atualmente os Estados Unidos é o maior devedor mundial. Por isso, podemos dizer que grande parte dos países filiados ao FMI são credores de uma dívida impagável.

Veja os textos A Política Monetária e o FMI e A ONU e o FMI

PADRÃO-OURO

O padrão-ouro se baseia na teoria de que o ouro seria a única moeda vigente (em circulação). Então, para evitar o desgaste do ouro ao passar de mão em mão, o papel moeda e a moeda metálica seriam emitidos em montante equivalente ao ouro armazenado. Por exemplo, cada dólar emitido equivaleria a 1 (um) grama de ouro.

Mas, aconteceu o imprevisto. Os Estados Unidos começaram a ter déficits em seus Balanços de Pagamentos anuais tal como aconteceu com a Inglaterra a partir de 1914, razão pela qual perdeu sua hegemonia de país credor do mundo. É o que está acontecendo com os Estados Unidos desde a década de 1960.

Então, a partir de 1971 foi definitivamente abandonado o padrão-ouro, tendo como motivo desse abandono o enorme crescimento de papel moeda em circulação. Não mais existia e ainda não existe nos Estados Unidos ouro em quantidade suficiente para lastrear toda a quantidade de dólares em circulação, salvo se o ouro assumisse preço astronômico, o que significaria enorme desvalorização do dólar.

Acentuando o problema, as minas de ouro foram paulatinamente exaurindo e não mais era possível aumentar os estoques de ouro na mesma proporção em que era aumentada a quantidade dos dólares emitidos para cobrir os déficits norte-americanos interno e externo.

Diante desse descompasso econômico-financeiro dos STATES, o papel moeda que circula no mundo (o dólar) deixou de ter lastro em ouro ou em outras reservas monetárias. Ou seja, o dólar é um papel moeda sem lastro, ao contrário, por exemplo, da moeda brasileira, o real, que está lastreada em ouro e reservas monetárias, sem contarmos que o Brasil ainda tem enormes reservas minerais exportáveis, o que os Estados Unidos não tem.

Outro problema ocorrido naquela época foi a crise do petróleo, que deixou clara a fraqueza econômica norte-americana motivada pela sua incontrolável necessidade de obtenção de minérios e recursos energéticos vindos do exterior. Tendo como motivo principal a crescente dependência de fornecimento externo, não somente de minérios como também de produtos fabricados com mão-de-obra barata, naquela década de 1970 o dólar sofreu forte desvalorização. Ou melhor, foi o ouro quem valorizou. Vejamos.

O preço da onça-ouro (equivalente a 28,35 gramas de ouro) durante muito tempo ficou em torno de US$ 32. Mas, quando os governantes norte-americanos resolveram abandonar o padrão-ouro, a onça do metal já custava mais US$ 200 e com a crise do petróleo da década de 1970 chegou a custar mais de US$ 800. Diante dessa valorização do ouro, em média a moeda norte-americana passou a valer aproximadamente 10% do seu valor original em ouro.

Para voltarmos ao padrão-ouro, teríamos que dividir a quantidade de dólares em circulação pela quantidade de ouro estocado nos Estados Unidos. Como resultado, provavelmente cada onça-ouro valeria o equivalente a uns US$ 10 mil ou talvez muito mais, dependendo do cálculo feito pelos positivistas ou pelos negativistas.

Isto significa que, em relação ao padrão-ouro, aquele “metal nobre” atualmente está desvalorizado no mercado internacional. Então, para aproveitar a baixa cotação do ouro, os países detentores de reservas monetárias em dólares poderiam comprar o metal como forma de aproveitar o seu atual preço baixo. Se isto acontecer, o preço do ouro voltará a subir vertiginosamente porque sobrariam dólares e faltaria ouro para ser comprado.

O preço do ouro é tão baixo que, a partir da década de 1970 e principalmente agora, no novo milênio, as tradicionais joalherias espalhadas por aí fecharam suas portas e os pequenos joalheiros passaram a vender jóias para o povo. Compram o grama de ouro a aproximadamente US$ 25 (vinte e cinco dólares) e o vendem ao povo na forma de jóias de baixo requinte a US$ 250 (duzentos e cinquenta dólares) o grama. Assim sendo, podemos dizer que comprar ouro na forma de jóias não é um bom investimento. Mas, se ouro tiver astronômica valorização, quem comprou as jóias poderá ter lucro.

PADRÃO-COMMODITIES

Na tentativa de resolver o citado problema da falta de lastro da moeda-padrão, surgiu a idéia de se lastrear o papel moeda também em commodities (mercadorias ou matérias primas negociadas nas Bolsas de Mercadorias e Futuros).

São negociados nas referidas bolsas na qualidade de commodities: ouro e pedras preciosas, produtos agrícolas e pecuários (incluindo alguns semi-industrializados)  e minérios (incluindo o petróleo). Nelas ainda podem ser negociados contratos futuros de moedas estrangeiras e de índices que servem como hedge (proteção) para evitar grandes oscilações de preços das commodities, as oscilações na liquidação de ativos e passivos como as carteiras de ações, as variações monetárias das contas a receber ou a pagar indexadas e as oscilações das taxas de juros de empréstimos ou investimentos.

Mas, a implantação do padrão commodities enfrentou grave problema estrutural e conjuntural, que resultou na não aprovação dessa medida paliativa. Os principais produtores das commodities exportáveis como matéria prima são os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, que dessa forma passariam a ser mais importantes no cenário mundial. Ou seja, o novo padrão monetário sugerido não foi aceito porque os países desenvolvidos não queriam perder a sua hegemonia.

Assim, os desenvolvidos continuam recebendo as matérias primas necessárias à manutenção dessa hegemonia por preços subavaliados e em troca os países hegemônicos apenas oferecem aos subdesenvolvidos um papelzinho verde sem valor, porque não tem lastro.

É uma operação do tipo devo não nego, pagarei quando puder, se de fato algum dia puder pagar.

CESTA DE MOEDAS

Em 2009, durante a reunião do G-20 (os 20 países mais desenvolvidos) chegou a ser discutida uma nova realidade para o sistema monetário internacional que seria introduzida mediante a criação de uma "Cesta de Moedas" de diversos países com a finalidade de substituir o Padrão Dólar.

Essa cesta de moedas seria composta, entre outras, pelo Euro [moeda dos países europeus], pelo Yuan [moeda chinesa], pela Libra Esterlina [moeda inglesa] e até pelo Real [moeda brasileira], obviamente em razão da firmeza de seu lastro em ouro, em reservas monetária e em produtos exportáveis.

Desde a criação do FMI somente a partir de 2005, depois da extinção do Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes, o Brasil teve uma moeda realmente forte.

Veja os textos A Unificação dos Mercados de Câmbio e Evasão Cambial e de Divisas.

A DÍVIDA IMPAGÁVEL DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS

A única forma dos países desenvolvidos pagarem pela compra das matérias primas e dos alimentos adquiridos dos subdesenvolvidos seria mediante a venda de produtos industrializados. Mas, como o consumo interno dos desenvolvidos é excessivamente elevado, praticamente inexistem excedentes para exportação. A produção é pequena para consumo interno, significando, em tese, que a produtividade nesses países é muito baixa. Na realidade (na prática) não há quem queira trabalhar nos setores insalubres e nos demais em que os salários são baixos. Por isso, nesses países é necessária a contratação de imigrantes para realizar as "tarefas menos nobres", os quais se sujeitam ao recebimento de salários insuficientes para levar vida digna semelhante a dos nativos.

Tendo como motivo principal a baixa distribuição da renda nos países subdesenvolvidos, por causa do baixo salário médio, são poucos os consumidores com substancial poder aquisitivo. Portanto, só resta às multinacionais vender bugigangas aos subdesenvolvidos. Essas bugigangas geralmente são bens de consumo de vida curta e de necessidade duvidosa, que são lançados anualmente como novos ou mais avançados, embora na realidade não sejam (propaganda enganosa).

De outro lado, os altos salários dos trabalhadores dos países desenvolvidos impedem que exportem para os subdesenvolvidos onde a mão de obra é até 10 vezes mais barata. Assim sendo, somente a pequena quantidade de ricos dos países subdesenvolvidos e dos em desenvolvimento têm condições financeiras para comprar os verdadeiros produtos de alto padrão fornecidos pelos desenvolvidos.

Foi por essa razão que os governantes dos países pobres passaram a substituir as importações pela produção em seu próprio território. Esse é o motivo pelo qual os países ricos tentam impedir que os demais (os pobres) desenvolvam sua própria tecnologia.

Isto significa que os países subdesenvolvidos têm condições de produzir para o seu próprio consumo e também para o consumo dos desenvolvidos, como vem fazendo vários países asiáticos. E os desenvolvidos dependem das matérias produzidas pelos subdesenvolvidos para produzir para o seu próprio consumo e também para exportação.

Mas, essas exportações feitas pelos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento estão altamente sujeitas a inadimplência dos países desenvolvidos que não terão como pagá-las, tal como vem acontecendo com os Estados Unidos.

Vejamos a situação de alguns países nesse cenário internacional:

  • Rússia e Brasil - Exportam Matérias Primas e Importam Produtos Acabados
  • Japão e China - Importam Matérias Primas e Exportam Produtos Acabados
  • Estados Unidos - Não há matérias primas para exportar; os altos salários dos trabalhadores provocaram altos custos de produção; a concorrência dos preços menores dos produtos estrangeiros aumentou as importações e reduziu a exportações provocando o déficit crônico no Balanço de Pagamentos; com a transferência da sede de suas empresas para paraísos fiscais, o EUA deixou de ser exportador de capital, deixando de receber de juros e dividendos; embora em pequeno percentual, passou a pagar juros mediante a emissão de títulos públicos.

Outro fato interessante: Nos países subdesenvolvidos as pessoas que mais tentam impedir o desenvolvimento de tecnologia própria são aquelas que sofrem do chamado “complexo de vira-latas” tão apregoado pelo jornalista, cronista esportivo, escritor, dramaturgo e teatrólogo Nelson Rodrigues.

As pessoas com complexo de vira-latas geralmente acham que os estrangeiros e os produtos importados são sempre melhores que os brasileiros, mesmo quando são criminosamente falsificados no exterior.

O ALTO SALÁRIO DO TRABALHADOR NORTE-AMERICANO

O que mais influenciou para que ocorressem as conflitantes alterações sofridas pela economia mundial a partir da extinção do padrão-ouro foi inegavelmente o alto salário recebido pelo trabalhador nativo nos países desenvolvidos ou, inversamente, o baixo salário do trabalhador dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.

Esse fato nos ajudou a perceber que o excesso de consumo não é o causador da inflação, porque naqueles países em que o consumo é excessivamente elevado, e os salários também são muito altos, não existe inflação ou, quando existe, ela é insignificante.

Portanto, para que haja a redução do salário médio nos Estado Unidos é preciso gerar uma grande massa de desempregados que depois aceitem trabalhar com salário menor em substituição àqueles que ainda estejam ganhando salários elevados.

Foi essa política econômica de provocar artificialmente o desemprego a utilizada durante os oito anos do governo FHC  para que fosse evitada a inflação mediante a redução do consumo interno e para evitar crescente reivindicação de aumentos salariais pelos trabalhadores através dos seus sindicatos. Com o alto índice de desemprego, obviamente os sindicatos ficaram automaticamente enfraquecidos, pois não havia o que reivindicar.

O que mais contribuiu para o desemprego no Brasil foi a paridade (igualdade) entre o dólar e o real. Essa paridade artificiosa foi sustentada até 2002 mediante a venda incontrolável de dólar para os responsáveis pela lavagem de dinheiro obtido na informalidade, o que  incentivou as importações pelas classes sociais de alto padrão, desestimulando, assim, as exportações por falta de competitividade em preços no mercado internacional, o que causou o desemprego em massa.

A COMPETITIVIDADE ENTRE EMPRESAS NORTE-AMERICANAS

- O que fizeram algumas empresas norte-americanas para concorrer com as grandiosas do seu país?

Considerando que o pagamento de altos salários implica em maior custo para o produto final, vendido ao consumidor, muitas empresas transferiram suas fábricas para países subdesenvolvidos. Entretanto, em alguns deles, como no Brasil, a legislação trabalhista e previdenciária impede a exploração de mão de obra de forma escrava ou em regime de semiescravidão.

Melhor explicando: nos países que não permitem a escravidão ou a semiescravidão existem limites de horas trabalhadas, existe salário mínimo, existem encargos trabalhistas e previdenciários, existem sindicatos de trabalhadores e existe legislação para proteção da saúde e da integridade física do trabalhador.

Foi assim que várias empresas descobriram os excessivamente populosos paraísos fiscais asiáticos. Eles têm menor tributação e ainda permitem a livre exploração do trabalho escravo (trabalho sem regulamentação trabalhista e previdenciária).

Para não serem acusadas de explorar a escravidão, muitas empresas norte-americanas terceirizaram a sua produção nos citados países. Assim, os empresários locais (terceirizados) são os únicos responsáveis pela miséria causada pela escravidão reinante, como acontece em Bangladesh, “país com maior índice de pobreza do mundo”, que é o principal exportador do famoso chá consumido com pompa e circunstância na Inglaterra.

OS PARAÍSOS FISCAIS E A COMPETITIVIDADE ENTRE EMPRESAS

Alguns paraísos fiscais (os pouco populosos, também chamados de "ilhas do inconfessável") não permitem a real instalação das empresas em seu território, por isso elas são do tipo OFFSHORE. Para seu registro num cartório de títulos e documentos apenas é cobrada uma taxa de registro de empresas, que pode ser maior que a paga no Brasil para registro de contrato social ou estatuto na junta comercial ou num cartório de registro civil das pessoas jurídicas. Nesses pequenos países as empresas são apenas registradas com a finalidade de contabilização de lucros que não serão tributados se obtidos no exterior.

Então, o produto que sai de um país realmente produtor por US$ 10, chega aos Estados Unidos por US$ 50. A diferença de US$ 40 é absorvida como lucro por uma empresa intermediária (offshore), sediada em paraíso fiscal. Essa empresa intermediária pertence ao grupo empresarial que fabrica produto em determinado país com mão de obra barata (subdesenvolvido) e o distribui ou vende em outro com mão de obra cara (desenvolvido).

Mesmo com o desvio do citado lucro para o paraíso fiscal, aquele produto ainda chega aos Estados Unidos, por exemplo, por preço inferior ao de um similar produzido no território ianque que, neste exemplo, teria o preço de US$ 75 ou mais.

A exploração da semiescravidão nos países asiáticos possibilitou essa desleal competitividade entre empresas. Por esse motivo as empresas que exploram esse tipo de trabalhador sem direitos trabalhistas e previdenciário e sem assistência à saúde e à integridade física puderam concorrer com menores preços ao consumidor, tornando os Estados Unidos um país meramente importador e sem condição de exportar em razão dos altos salários de seu povo.

O PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO E A COMPETITIVIDADE

Diante dessa realidade, podemos concluir que as grandes empresas norte-americanas passaram a produzir no exterior também para deixar de pagar os impostos incidentes sobre seus lucros que ficam escondidos em paraísos fiscais (as “ilhas do inconfessável”). A falta de lucros em território estadunidense reduziu a arrecadação, provocando os elevados déficits orçamentários norte-americanos. Ajustando os Balanços Patrimoniais pelo sistema de equivalência patrimonial, as empresas norte-americanas apresentam apenas aumentos patrimoniais em subsidiárias em paraísos fiscais, utilizando-os para cobrir prejuízos internos.

Observe que, se a matriz daquele grupo empresarial dissidente (expatriado) continuasse nos Estados Unidos, os lucros desviados por intermédio da mencionada rotina, apesar de contabilizados no exterior, seriam tributados nos EUA (tributação em bases universas), como também acontece no Brasil porque nosso país a partir de 1996 adota esse mesmo sistema de tributação dos lucros obtidos no exterior por empresas brasileiras (sediadas no Brasil). Mas, se a empresa no Brasil tiver prejuízo no exercício fiscal em curso em montante equivalente, os lucros obtidos no exterior ficarão sem tributação.

Contudo, estando a matriz do grupo empresarial estabelecida no paraíso fiscal, somente o lucro da filial em território norte-americano seria tributado, assim como também acontece no Brasil.

Foi com essa finalidade de reduzir seus custos com mão de obra e de sonegar tributos que muitas empresas norte-americanas transferiram suas sedes para os paraísos fiscais. Nos asiáticos foram instaladas as fábricas e nas ilhas do inconfessável foram instaladas sedes virtuais (que não existem fisicamente). Talvez esse seja o motivo pelo qual tais empresas são chamadas de multinacionais ou apátridas (sem pátria), porque, segundo os neoliberais anarquistas, “capital não tem pátria”.

Nesse novo esquema de operações internacionais, a filial no território norte-americano e a fábrica no território escravo não têm lucros, portanto não há tributação no país produtor nem no consumidor. Ou seja, não há lucro a tributar nas duas pontas citadas porque o lucro ficou no paraíso fiscal intermediário, onde esse lucro não é tributado se for obtido no exterior (fora dos limites territoriais do paraíso fiscal, por isso a empresa é offshore - só pode lucrar no exterior para que não seja tributada no paraíso fiscal).

Esses artificiosos esquemas de redução dos custos e dos tributos mediante a utilização do trabalho escravo e da sonegação fiscal transformaram os Estados Unidos. Foi assim que, de maior exportador mundial, o EUA passou a ser o maior importador e de antigo maior credor dos países filiados ao FMI, passou a ser a agora o maior devedor daqueles países, incluindo o Brasil.

Devido ao elevado custo interno (Custo USA, bem maior que o Custo Brasil) as exportações se tornaram menores que as importações, motivando os constantes e crescentes déficits no Balanço de Pagamentos norte-americano.

Isto é, aqueles países que viviam pedindo empréstimos ao FMI para pagar suas dívidas, depois que passaram a ser bem administrados pelos seus governantes, foram aos poucos se transformando em credores, como também aconteceu com Brasil. E, do outro lado, como devedor das reservas monetárias contabilizadas nos Balanços de Pagamentos dos países filiados ao FMI está os Estados Unidos da América porque essas reservas monetárias são principalmente em dólares, que é a moeda-padrão do sistema monetário internacional.

EMPRESAS LUCRAM MAIS NO EXTERIOR

Depois que as chamadas de multinacionais transferiram suas matrizes para paraísos fiscais, estes se transformaram nos principais credores dos demais países, entre eles o Brasil. Como consequência, os investimentos feitos nas empresas de diversos países pelo mundo afora agora são provenientes dessas offshore.

O interessante dessa questão é que os paraísos fiscais credores do Brasil, por exemplo, não apresentam esses créditos em seus respectivos Balanços de Pagamentos. Vejamos como isso ocorre.

Sendo as empresas constituídas em paraísos fiscais do tipo OFFSHORE, em tese elas podem operar em qualquer país exceto naquele em que está registrada. Nessa forma de constituição, a offshore não apresenta balanço, nem declarações e outras informações econômico-financeiras àquele país que a registrou como empresa. Mas, quando essa empresa offshore efetua determinado investimento em algum país, ela faz questão de registrar o seu direito sobre aqueles créditos.

Assim sendo, de um lado o país recebedor do investimento apresenta em seu Balanço de Pagamentos o crédito daquele paraíso fiscal em que está registrada a offshore, mas, aquele pequeno país não sabe que é credor do valor investido pela offshore.

Portanto, o verdadeiro credor do país que recebeu o investimento não é o paraíso fiscal e sim a empresa fantasma que nele está registrada.

Diz-se que aquela empresa offshore é fantasma exatamente porque o governo do paraíso fiscal não sabe se ela está realmente operando ou apenas está praticando a lavagem de dinheiro e a ocultação de bens, direito e valores obtidos na clandestinidade (informalidade), cuja prática no Brasil é considerada criminosa pela Lei 9.613/1998.

Outro detalhe: os paraísos fiscais geralmente não sabem de onde veio nem para onde foi o dinheiro das empresas offshore, porque na verdade o numerário não passa pelo seu território. Isto é, o dinheiro das offshore obviamente não circula no insipiente sistema financeiro da maioria dos paraísos fiscais que foram chamados de “ilhas do inconfessável”.

Veja no texto O Perigo dos Paraísos Fiscais a Instrução Normativa SRF 1.037/2010 onde está a "Lista Negra dos Paraísos Fiscais" ou "Lista das Ilhas do Inconfessável".

Na verdade, por tais paraísos fiscais não passam os produtos importados por outros países, entre eles o Brasil. Os importadores apenas dizem que o produto importado veio daquele determinado paraíso fiscal para que possa remeter ao exterior os lucros que deviam ser contabilizados no país importador (superfaturamento das importações).

Do mesmo modo, não passam pelos paraísos fiscais os produtos exportados pelos países. Os exportadores dizem que tais produtos estão indo para determinado paraíso fiscal somente para que o lucro seja remetido para o exterior mediante o subfaturamento das exportações.

OS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E A EVASÃO CAMBIAL OU DE DIVISAS

Portanto, para evitar sonegação fiscal sofrida com essas práticas do superfaturamento e do subfaturamento das importações e do subfaturamento das exportações, no Brasil foi sancionada a legislação e as normas regulamentares para possibilitar a fiscalização dos “preços de transferência” (preços reais de mercado das exportações e das importações). Essa fiscalização deve abranger principalmente os produtos idos e vindos dos paraísos fiscais, inclusive com o indispensável rastreamento do fluxo monetário (para onde foi e de onde veio o dinheiro dessas transações internacionais). Ou seja, é preciso verificar em que país o produto realmente chegou ou de onde ele realmente veio.

Há grande possibilidade que determinados produtos ditos como vindos da China, por exemplo, na realidade sejam produzidos clandestinamente aqui no Brasil. Essa seria uma forma de lavagem de dinheiro ou de evasão cambial ou de divisas principalmente depois da implantação do RMCCI - Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais ocorrida em março de 2005.

CONSOLIDAÇÃO DOS BALANÇOS DE PAGAMENTOS

Assim como os conglomerados empresariais efetuam a consolidação dos seus Balanços Patrimoniais, podemos efetuar a consolidação dos Balanços de Pagamentos dos países membros do FMI.

Depois de feita a consolidação, anulando-se os créditos de uns contra os respectivos débitos dos outros e corrigidas as eventuais diferenças encontradas, chegaremos a determinado valor que será o CRÉDITO dos paraísos fiscais e dos demais países não filiados ao FMI.

Créditos ou Débitos? Acrescentaria o leitor.

De fato também poderiam ser débitos. Entretanto, aparecerão somente créditos em razão do que já foi explicado acima, quando foi mencionado que os lucros das multinacionais ficam nos paraísos fiscais para que não sejam tributados. E as multinacionais aplicam esse dinheiro pelo mundo afora como provenientes do paraíso fiscal.

A acumulação desse dinheiro nas empresas offshore acontece porque são subfaturadas as exportações efetuadas por qualquer país com destino a qualquer paraíso fiscal, assim como as importações vindas daqueles são superfaturadas.

Repetindo, podemos dizer que, através de importações vindas de paraísos fiscais e de exportações idas para eles, acontece respectivamente o superfaturamento das importações e o subfaturamento das exportações. Em ambos os casos uma parte do dinheiro utilizado na operação cambial fica no paraíso fiscal na qualidade de evasão cambial ou de divisas do país que importou ou exportou.

DÉFICIT NOS BALANÇOS DE PAGAMENTOS

Do exposto podemos concluir que o déficit no Balanço de Pagamentos de um país significa que essa deficiência monetária está direta ou indiretamente ligada à existência de reservas monetárias em outros países. Neste caso o país deficitário (com deficiência monetária) precisa obter empréstimos junto ao FMI ou a grupos de banqueiros internacionais que são contratados para o lançamento de Títulos Públicos emitidos pelos países deficitários. Existe também um grupo de países que é chamado de "Clube de Paris".

Segundo o site Wikipédia em português, o Clube de Paris é uma instituição informal constituída por 19 países considerados como desenvolvidos cuja missão seria a de ajudar países com dificuldades econômico-financeiras. O primeiro encontro do "Clube de Paris" aconteceu em 1956, quando a Argentina reuniu-se com seus credores na cidade de Paris - França. Atualmente ocorrem cerca de 10 a 11 encontros por ano dos membros desse clube informal. O Brasil já realizou desde 1961 seis acordos com o Clube. Essas dívidas foram totalmente quitadas em janeiro de 2006, quando o governo federal despendeu cerca de R$ 2,6 bilhões para pagamento antecipado das duas últimas parcelas do compromisso firmado em 1992 e que venceriam em dezembro de 2006. São membros do Clube de Paris: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Japão, Noruega, Reino Unido (Inglaterra), Rússia, Suécia e Suíça.

EMISSÃO DE TÍTULOS PARA CAPTAR RESERVAS MONETÁRIAS

Por sua vez, o EUA foge a essa regra básica. O EUA não pede dinheiro emprestado ao FMI porque estaria tomando emprestado o seu próprio dinheiro. Por isso, emite títulos para captar os dólares das reservas monetárias dos demais países dos quais importou mais do que exportou. Assim fazendo, paga menos juros do que é pago pelos demais países membros ao FMI.

Repetindo, para que não seja esquecido: Os déficits norte-americanos vêm ocorrendo desde muito antes de 1971, quando foi extinto do padrão-ouro ao qual estava ligado o dólar. Ou seja, desde aquela época os Estado Unidos vem acumulando déficits no Balanço de Pagamentos porque de maior exportador e consequentemente maior credor mundial antes de 1971, agora é o maior importador e o maior devedor mundial.

PAGAMENTO DA DÍVIDA NORTE-AMERICANA

Para pagamento de sua dívida, os Estados Unidos poderiam vender tecnologia, mas eles não querem repassá-la aos países credores. Poderiam vender empresas, mas eles não têm empresas porque todas elas são privadas e transferiram suas sedes para paraísos fiscais.

Somente as empresas insolventes que ainda estão sediadas no território norte-americano poderiam ser estatizadas e depois vendidas aos credores internacionais.

Por outro lado, o EUA não pode pagar sua dívida com matérias primas porque consome mais do que produz. E também não consegue exportar produtos industrializados porque os custos de produção (Custo USA) em seu território são muito elevados em razão dos altos salários recebidos pelos trabalhadores estadunidenses.

Atualmente o EUA não recebe juros de empréstimos como no passado porque agora não há dinheiro para emprestar. Como as principais empresas agora lucram em paraísos fiscais, não há impostos a arrecadar e também não são recebidos dividendos e lucros de participações societárias no exterior nem juros de empréstimos a empresas subsidiárias no exterior.

Eis a questão: Como resolver esse indecifrável impasse norte-americano?

Veremos mais adiante.

A MEGALOMANIA DOS MEGA ESPECULADORES

Foi nesse praticamente irreversível panorama desfavorável que os irresponsáveis mega especuladores atolaram os Estados Unidos ao enganarem os ingênuos ou incautos investidores. Os mega especuladores provocaram o desmoronamento do frágil castelo de cartas marcadas em que estava alicerçada a também frágil economia do país símbolo do capitalismo selvagem. Por esse motivo o presidente da Bolsa de Valores norte-americana foi condenado a 150 anos de prisão, pela prática de fraudes contra investidores e sonegação de impostos.

E foi assim que os incautos perderam suas economias num jogo de pôquer cheio de blefes que se realizava nas filiais do Cassino Global vulgarmente conhecidas como "Bolsas de Valores, de Mercadorias e Futuros", que tem suas operações facilitadas pela crescente “integração dos mercados” através do sistema financeiro internacional. E tudo começou a ruir exatamente no sistema financeiro imobiliário que se julgava protegido por “bens de raiz”. Esse sistema de financiamento foi fortemente afetado pela artificial elevação dos preços de mercado dos imóveis efetuada pelos especuladores, que cometeram os crimes enumerados na nossa Lei 7.913/1989.

Também contribuíram para tal desmoronamento as constantes e escandalosas fraudes contábeis praticadas pelas multinacionais, capitaneadas pelos também irresponsáveis e megalomaníacos executivos das mesmas.

RISCO BRASIL X RISCO USA

Considerando-se que o EUA sempre conseguiu postergar a data de vencimento de seus títulos, sem necessidade de renegociação de sua dívida, talvez não aconteça por lá o que aconteceu no Brasil e em outros países que foram obrigados a declarar a moratória - o não pagamento da dívida e dos respectivos juros durante determinado tempo.

Na década de 1980 (“a década perdida”) os militares que governavam o Brasil, ao sentirem que nosso país estava quebrado (houve moratória em 1983), logo tiveram a ideia de promover a urgente transferência do governo para os civis.

Com muita falta de sorte, em razão da morte do indiretamente eleito presidente Tancredo Neves, o vice-presidente José Sarney assumiu o governo e teve que “descascar o abacaxi” ao decretar duas moratórias - o não pagamento da dívida.

O interessante foi que o Brasil tinha dívidas vencidas e não pagas, mas, os brasileiros tomadores dos empréstimos no exterior tinham liquidado suas dívidas entregando o respectivo dinheiro ao Banco Central do Brasil. A dívida continuava registrada no BACEN porque os credores estrangeiros não a vieram receber ou não quiseram reinvestir o dinheiro nas empresas brasileiras.

Nos registros de nossa autoridade monetária foi verificado que boa parte dos credores era paraíso fiscal e que no Balanço de Pagamentos daqueles pequenos países não constava tais créditos.

Como seria possível matar dois coelhos de uma só cajadada?

Melhor explicando: Como seria possível anular essa dívida não cobrada pelos paraísos fiscais?

Acho que os créditos de todos os paraísos fiscais deviam ser confiscados (anulados), porque em tese não existe país credor, conforme já foi explicado.

Provavelmente é o que também está acontecendo atualmente nos EUA, visto que no Balanço de Pagamentos dos Paraísos Fiscais continua inexistindo créditos junto ao Brasil e a outros países, incluindo os Estados Unidos. Contudo, no site do Banco Central do Brasil podemos ver que os paraísos fiscais são os nossos principais credores.

Mas, não foi essa sugerida solução a utilizada pelo nosso Governo naquela época.

Os gestores da nossa política econômica e monetária preferiram arranjar um “jeitinho” de trazer de volta ao Brasil o dinheiro de brasileiros que tinha sido transferido para o exterior por intermédio da evasão cambial ou de divisas.

Essa parecia uma solução diplomática, sem choques econômicos como o feito pelo Presidente Collor em 1990, quando confiscou o dinheiro daqueles que o mantiveram no Brasil, mas, não confiscou os créditos das empresas fantasmas constituídas em paraísos fiscais. Para realização desse confisco bastava retirar esses créditos do nosso Balanço de Pagamentos, anulando os seus respectivos registros no Banco Central.

Na realidade, durante o Governo Sarney foi reconhecido que de fato existia grande quantidade de brasileiros com muito dinheiro no exterior, que podia estar representado por aqueles falsos créditos dos paraísos fiscais.

Parecia que muitos credores não se apresentavam para receber o dinheiro com medo do eventual processo por sonegação fiscal (Lei 4.729/1965) e por evasão cambial e de divisas (Lei 7.492/1986).

Isto também aconteceu com o dinheiro confiscado no Governo Collor, principalmente com o que estava depositado em Fundos de Investimento “ao portador” (não identificado).

LAVAGEM DE DINHEIRO E EVASÃO CAMBIAL OU DE DIVISAS

A lavagem de dinheiro e a evasão cambial ou de divisas estão entre os principais crimes praticados pelas empresas constituídas como offshore que mantinham contas correntes bancárias no Brasil, conhecidas como “CC5”. E essa evasão se institucionalizou depois que os dirigentes do Banco Central em 1993, durante o Governo Itamar Franco, editaram a cartilha intitulada “O Regime Cambial Brasileiro”.

Embora sem muito alarde, porque os fiscalizadores não sabiam exatamente o que estava ocorrendo, as remessas ilegais para o exterior e a lavagem dinheiro começaram a ser investigadas por volta de 1980.

Somente depois de 1990 (dez anos depois) foi possível comprovar esses fatos, porque foram extintas pela Lei 8.021/1990 as operações “ao portador” (sem identificação das contrapartes), que ocorriam normalmente até a posse do presidente Collor de Mello.

No entanto, já em meados da década de 1980, acreditava-se que aqueles investimentos vindos de paraísos fiscais eram de brasileiros, que estavam lavando seu dinheiro obtido na informalidade (sem tributação), ocultando assim a verdadeira identidade dos proprietários de bens, direitos e valores existentes no Brasil, que estavam em nome daquelas empresas offshore.

Aliás, é necessário informar que somente a partir de 2003 tornou-se obrigatória a identificação dos residentes ou domiciliados no exterior, proprietários de bens no Brasil.

Cinco anos antes, em 1998, foi sancionada a lei de combate à lavagem de dinheiro, que também criou o COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Lei 9.613/1998).

Em 2001 foi sancionada a legislação complementar que flexibilizou os sigilos bancário e fiscal, possibilitando a plena fiscalização e o rastreamento do fluxo financeiro pelos agentes fazendários brasileiros. Veja a Lei Complementar 104/2001 e a Lei Complementar 105/2001.

Isto significa que antes de 2001 era muito difícil fiscalizar, comprovar e punir a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas, que se tornou definitivamente possível com a extinção do Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes ocorrida no início de 2005.

A CONVERSÃO DA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA

Depois dessas elucidações, voltemos ao Governo Sarney para relembramos como foi feita a conversão daquela citada dívida externa brasileira.

Numa espécie de anistia aos que tinham remetido dinheiro ilegalmente para o exterior, o governo brasileiro ofereceu em moeda brasileira da época o valor correspondente a 70% da dívida em moeda estrangeira para quem apresentasse os documentos relativos aos investimentos ou empréstimos registrados no Banco Central do Brasil.

Os 30% de deságio na realidade era a tributação que estava sendo cobrada. Porém, não bastava pagar o tributo. Como regra ou condição complementar, os 70% pagos pelo governo brasileiro só poderia ser aplicado no Brasil para constituição ou aumento de capital de empresas e a empresa devia aplicar o dinheiro na compra de maquinarias fabricadas no Brasil  e na compra de bens imóveis necessários ao aumento da produção interna.

Essa medida tornou-se necessária porque ninguém queria produzir no Brasil. A oligarquia só queria exportar matérias primas "in natura" e importar produtos acabados para não gerar emprego para os descendentes dos escravos do seus antepassados. Portanto, essa foi uma das formas encontradas para incrementar a produção nacional e para repatriar o capital nacional desviado para o exterior, obrigando a iniciativa privada brasileira e estrangeira a investir no Brasil.

Em razão dessa ojeriza aos investimentos no Brasil, os governos militares foram obrigados a continuar com a política de estatização da economia que vinha sendo aplicada pelo Governo de João Goulart, deposto em 1964. Foi principalmente esse tipo de política econômica que motivou o Golpe Militar porque a estatização era tida como uma das formas de implantação de um regime comunista ou socialista no Brasil.

Então, no Governo Sarney foi significativa a quantidade de pessoas ou grupos empresariais que se apresentou como procurador e detentor dos créditos das empresas constituídas em paraísos fiscais. E assim significativa parte da dívida externa foi anulada mediante a sua transformação em investimento de brasileiros (residentes ou domiciliados no Brasil). Para evitar a falta de origem tributada para os recursos financeiros utilizados, tais brasileiros declaravam que a dívida externa registrada no Banco Central foi comprada por no máximo 30% de seu valor. Entretanto, esse ganho de capital não era tributado porque houve o deságio de 30%.

Depois de efetuada a fiscalização para verificação do efetivo cumprimento da regulamentação em vigor, constatou-se que em aproximadamente 100% dos casos havia irregularidade. Verificou-se que o dinheiro foi aplicado em outras finalidades que não era a compra de bens de produção.

Incontestavelmente foi possível concluir que os capitalistas brasileiros e estrangeiros de fato não queriam produzir no Brasil. Queriam apenas viver da especulação financeira, das respectivas mordomias e da exportação de minérios e de outros produtos sem nenhum beneficiamento industrial.

Sendo esse o jeito tacanho de pensar dos capitalistas brasileiros, mais uma vez só restava ao governo brasileiro emitir títulos em dólares para captar o dinheiro desses falsos capitalistas estrangeiros e investi-lo nas Empresas Estatais.

Diante dos fatos expostos, podemos dizer sem medo de errar que as empresas estatais foram as molas-mestras do desenvolvimento brasileiro. Depois que quase tudo estava funcionando, vieram as privatizações transferindo para mãos privadas o patrimônio nacional que pertencia ao povo. Este acreditou que o governo poderia fazer tudo sozinho, porque os capitalistas privados nada queriam fazer.

O mesmo problema de descaso dos capitalistas, que preferem a ciranda financeira e a especulação, está acontecendo nos Estados Unidos da América. Por tais motivos Bush e Obama preferiram apelar para a estatização. Isto é, preferiram aumentar o controle sobre a economia, controlando direta ou indiretamente as grandes empresas que estavam falidas, talvez fraudulentamente. Assim, tentam evitar a formação de grande massa de desempregados com a consequente queda vertiginosa do PIB norte-americano.

Veja outros comentários sobre a Conversão da Dívida Brasileira no Governo Sarney

A ANULAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PARAÍSOS FISCAIS

A não anulação dos créditos de paraísos fiscais ainda no Governo Sarney possibilitou a remessa ilegal de dólares ao exterior, estimada em pelo menos US$ 4 bilhões.

Mediante um esquema bem engendrado com falsificação de documentos e de escriturações contábeis, um deputado já falecido, que tinha uma offshore em Colón - Panamá, efetuou centenas de remessas mediante a obtenção de procurações e documentos de registro de capital estrangeiro no Banco Central.

Na esfera administrativa, depois de condenado a ressarcir o prejuízo causado com multa de 100%, recorreu ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, foi dispensado do ressarcimento e recebeu somente a pena de “advertência”.

Depois, só no ano de 1991, uma única offshore constituída nas Bahamas, pertencente a um brigadeiro brasileiro associado a um uruguaio, remeteu mais de US$ 2,5 bilhões por intermédio das contas CC5 de não residentes.

Naquele mesmo período, fatos idênticos estariam acontecendo nos Estados Unidos e em outros países. Era a internacionalização do capital nacional que depois em grande parte dos casos voltava ao país de origem como capital estrangeiro proveniente de paraísos fiscais.

OS ESTADOS UNIDOS E A CONVERSÃO DE SUA DÍVIDA

Para que o país denominado Estados Unidos da América possa resolver o seu problema de insolvência (bancarrota) também deve fazer algo parecido com o que foi feito no Brasil durante o Governo Sarney.

Por quê?

Porque na realidade os governantes ianques precisam repatriar as matrizes das empresas norte-americanas que estão sediadas em paraísos fiscais. Isto é, precisam trazê-las de volta ao seu território nacional. Precisam trazer de voltar ao seu país o capital nacional internacionalizado (que se tornou estrangeiro ou, segundo os dirigentes do Banco Central do Brasil, tornou-se internacional).

O que está realmente acontecendo no mundo?

Uma significativa parte das empresas que estão produzindo na China, por exemplo, na verdade são americanas ou têm capital norte-americano ou europeu que foi desviado para paraísos fiscais. Isto significa que na prática as reservas monetárias chinesas não foram geradas pelas empresas chinesas e sim pelos ianques e europeus.

Logo, de conformidade com o sistema monetário vigente, se os controladores das empresas norte-americanas venderem seu patrimônio em território chinês para o governo daquele país (mediante a estatização), podem repatriar para os Estados Unidos os dólares obtidos na venda, desde que as matrizes das empresas vendidas estejam oficialmente nos Estados Unidos.

Para eliminação da dívida norte-americana em reservas monetárias, o mesmo processo deve ser feito com todos os países credores dessas reservas em dólares. Os países credores devem usar suas reservas para comprar (encampar, estatizar) as empresas norte-americanas estabelecidas em seus respectivos territórios nacionais.

Vejamos como atualmente ocorre essa rotina monetária como medida paliativa para obtenção dos dólares necessários para cobertura do déficit no Balanço de Pagamentos norte-americano.

Como os Estados Unidos não têm reservas monetárias, em razão do crônico déficit acumulado, emite títulos que são comprados pela China (e outros países credores) e assim as reservas voltam aos Estados Unidos, que fica devendo à China agora com lastro em títulos públicos para pagamento no futuro.

A estatização das empresas norte-americanas pelos países credores dos Estados Unidos, entre eles o Brasil, romperia esse círculo vicioso no sistema monetário internacional.

Depois de efetuada essa estatização (encampação), tal como acontecia no Brasil até realização das privatizações, parte das ações das estatais poderia ser vendida ao povo e aos capitalistas, que também poderiam investir em títulos públicos, cujos valores captados pelo governo poderiam ser investidos nas empresas estatais.

Portanto, para solucionar o problema enfrentado pelos norte-americanos só resta aos países detentores de reservas monetárias em dólares a estatização das empresas estrangeiras estabelecidas em seus respectivos territórios. Se esperarem por outra forma de pagamentos, não vão conseguir receber seus créditos em dólares.

A EXTINÇÃO DO SISTEMA MONETÁRIO INTERNACIONAL

Agora vem a parte hilariante da questão, mediante a apresentação de uma solução deveras radical para nos divertirmos com a incapacidade administrativa dos arrogantes governantes de nossos "brothers" (ianques). Para salvar os Estados Unidos de sua elevada dívida em Reservas Monetárias (dólares) seria necessária a extinção do Sistema Monetário Internacional.

A extinção desse sistema monetário gerido pelo FMI acabaria com a necessidade de levantamento de Balanços de Pagamentos nos países como Estados (Nações politicamente organizadas). Dessa forma seria definitivamente implantado um sistema anárquico como o pretendido pelos neoliberais. Não mais existiriam os débitos e créditos entre países. Passariam a existir apenas débitos e créditos entre empresas, que assumiriam definitivamente o livre comércio internacional, quando passaria a imperar a autorregulação dos mercados.

Ou seja, não mais existiriam as contas nacionais entre países. Assim, nenhum país seria credor dos Estados Unidos e este também não seria devedor das reservas monetárias dos demais. O FMI não mais poderia interferir na economia de qualquer país, assim como não interfere na economia norte-americana. No máximo, como uma espécie de auditor independente internacional, o FMI poderia ser incumbido de exercer idêntico controle monetário sobre as grandes empresas (as multinacionais e as demais empresas constituídas em paraísos fiscais).

Com a implantação desse sistema anárquico internacional, os créditos e as dívidas externas seriam apenas entre empresas privadas e estatais, que negociariam tais créditos no sistema financeiro internacional. Mas, para garantir o funcionamento desse novo sistema talvez fosse necessário criar um título de crédito universal (ou direito de saque) que seria comprado pelas empresas com seus créditos em moeda de cada país.

Diante desse sistema neoliberal, os países credores dos Estados Unidos perderiam todas as suas reservas se não encampassem as empresas norte-americanas, entre outras "multinacionais", estabelecidas em seu território. A partir daí os países continuariam controlando apenas o seu orçamento interno (receitas, despesas e investimentos) e suas empresas estatais e as demais estabelecidas em seus territórios nacionais. Se os países necessitassem dos “direitos de saque” teriam que comprá-lo diretamente de suas empresas exportadoras ou através do sistema financeiro internacional.

É claro que os governos continuariam controlando as importações e exportações para efeito de arrecadação de tributos e de controle do fluxo internacional, como normalmente é feito no seu território nacional por qualquer país.

Somente assim os Estados Unidos deixaria de ter essa elevada dívida em dólares. Entretanto, eles estão pouco preocupados com isso. Afinal, o não pagamento da dívida externa pelos ianques seria uma espécie de socialização dos prejuízos. Ou seja, os países, digo, os povos credores ficarão com o prejuízo (trabalharam em vão; foram meros escravos do capitalismo selvagem norte-americano).

Portanto, para evitar a perda de suas reservas monetárias, a melhor solução para os países credores é a estatização das empresas estrangeiras em seus territórios. Para os Estados Unidos a melhor solução é essa da extinção do sistema monetário internacional, do FMI e dos Balanços de Pagamentos com a consequente extinção de sua dívida externa.

CONCLUSÃO

Assim resolveríamos definitivamente o problema de insolvência dos nossos pobres, mas, queridos irmãos ianques.

Enquanto estamos aqui tentando solucionar os problemas deles, fingindo-se de importantes, lá estão matutando como fazer para reativar as guerras no Oriente Médio, estendendo-as até o Irã, passando pelo Tibete (na China) e chegando até a Coreia do Norte. Qualquer semelhança com os imperialistas romanos de a.C. (antes de Cristo) é mera coincidência.

E os imperadores ianques agora querem aumentar o seu poderio bélico na Colômbia porque é a posição estratégica para uma possível invasão da Amazônia (brasileira, venezuelana, peruana, equatoriana e boliviana). Evidentemente que é mentirosa a alegação de que querem combater as FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Se de fato quisessem já teriam dizimado a Colômbia a exemplo do que fizeram no Vietnam, embora tenham perdido a guerra. Porém, o insano interesse dos políticos e empresários norte-americanos em ganhar dinheiro comercializando ou usando as drogas está acima de qualquer sentimento nacionalista ou patriótico.

São uns "Caras de Pau"! Estão falidos e ainda querem gastar mais dinheiro com guerras. Vai acontecer economicamente com eles o que aconteceu com a Alemanha de Hitler. Os credores da massa falida (os demais países do mundo) vão ser obrigados a intervir na administração daquele país de inconsequentes executivos e governantes.







Atendimento
Central do Assinante
Licença de Uso
Política de Privacidade
Suporte - Helpdesk
Suporte ao Usuário
Busca Avançada
Ajuda
Mapa do Site
FAQ
Comercial
Assine Já
Anuncie Aqui
Estatisticas
Institucional
Coordenação
Editoração
Expediente
Contato
twitter.com youtube.com google.com rss antispam.br
©1997-2014   Megale Mídia Interativa.   Todos os direitos reservados para Américo Garcia Parada Filho.