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Ano XI - São Paulo, 7 de setembro de 2010
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A DERROCADA FINANCEIRA NORTE-AMERICANA

A DERROCADA FINANCEIRA NORTE-AMERICANA

PRIVATIZAÇÃO DOS LUCROS E SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

São Paulo, 20 de setembro de 2008 (revisado em 15/11/2008)

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750

Referências: A Especulação nas Bolsas de Valores e no Mercado Imobiliário norte-americano, Balanço de Pagamentos, Reservas Monetárias, Contas Nacionais,  Balança Comercial, Os Países e suas Reservas Minerais Estratégicas, Risco Brasil x Risco USA, Risco Sistêmico, Bancarrota - Falência do Estado como Nação Politicamente Constituída. Privatização, Terceirização. O Anarquismo dos Neoliberais (anarquistas) e a Função das Multinacionais diante da Teoria Anárquica da Auto-regulação dos Mercados (Autorregulação).

ESPECULAÇÃO NO MERCADO IMOBILIÁRIO

As grandes quedas especulativas (sem verdadeiras razões lógicas) ocorridas nas Bolsas de Valores em todo o mundo estiveram entre as principais manchetes dos jornais televisivos. Segundo os “especialistas” sustentados pelos especuladores, essas quedas bruscas tiveram como motivo a instabilidade financeira nos Estados Unidos, provocada pela forte especulação imobiliária verificada nos últimos dois anos, que redundou na recente quebra de instituições financeiras especializadas no financiamento imobiliário.

No Jornal da Record do dia 18/09/2008 o que mais me chamou a atenção foi a frase pronunciada pela locutora ao mencionar algo que Joelmir Betting sempre repetiu na TV Bandeirantes antes e depois de passar pela TV Globo. Trata-se da “Privatização dos Lucros” e da “Socialização dos Prejuízos”.

O que significa Privatização dos Lucros e Socialização dos Prejuízos?

No Brasil, por exemplo, a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos aconteceram quando foram “vendidas” as empresas estatais. Ou seja, o prejuízo acumulado pelas empresas governamentais foi assumido pelo Governo (o povo) porque a elas não era permitido o reajuste dos preços dos seus produtos vendidos ou dos seus serviços prestados (“para evitar a inflação”).

Mas, depois de realizadas as privatizações, sem que os governantes e os gestores da política econômica da época se importassem com o retorno da inflação, os aumentos de preço foram liberados. Essa liberação da majoração de preços possibilitou a obtenção de grandes lucros pelos “PRIVATAS” que, segundo o jornalista Elio Gaspari (site Observatório da Imprensa), são os que se beneficiaram financeiramente com as privatizações, pois ficaram com os altíssimos lucros obtidos depois dos aumentos de preços ao consumidor autorizados pelas Agências Nacionais Reguladoras criadas pelos neoliberais (anarquistas) durante o Governo FHC. Veja mais informações nos textos sobre Governo Paralelo.

Por que Anarquista? O Dicionário Aurélio explica:

ANARQUISMO - "Teoria política fundada na convicção de que todas as formas de governo interferem injustamente na liberdade individual, e que preconiza a substituição do Estado pela cooperação de grupos [econômicos] associados".

Foi o que fizeram os neoliberais: transferiram a administração estatal do patrimônio público para mãos privadas (TERCEIRIZAÇÃO da administração do Estado, inclusive através de Agências Nacionais Reguladoras), transferindo para os PRIVATAS o patrimonial nacional e os rendimentos dele oriundos.

Acho que Elio Gaspari os chamou de PRIVATAS considerando-os como PIRATAS modernos, tais como os antigos CORSÁRIOS.

Depois do século XV o CORSO era a ação praticada por CORSÁRIOS na "caça a navios mercantes do inimigo, efetuada por navio armado por particular [os "privatas", digo, os piratas], com a devida autorização de um governo [geralmente monárquico, já naquela época privatizante, além de] beligerante" tal como os Estados Unidos da América.

Nas monarquias até que era justificável essa privatização ou terceirização (delegação de poderes) porque, segundo consta: "rei reina, mas, não governa". Por isso os monarcas se utilizavam de mercenários e da delegação de poderes à nobreza (Barões, Viscondes, Condes e  Duques - senhores feudais ou "coronéis" no Brasil) cujo papel ou cuja função seria agora desempenhada pelos grupos econômicos da atualidade, especialmente chamados de MULTINACIONAIS, que têm seus donos e patrimônios escondidos em paraísos fiscais.

SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

Do exposto podemos concluir que neste caso das privatizações houve a SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS porque os governantes da época “venderam” (entregaram a grupos econômicos previamente escolhidos), por preços bem inferiores aos seus respectivos valores patrimoniais, as empresas governamentais totalmente saneadas (o governo assumiu suas dívidas e a parte produtiva das mesmas que era considerada “podre”, não lucrativa).

Isto significa que ficou para o Governo (para o povo mediante a cobrança de tributos - impostos) o ônus do pagamento das dívidas daquelas empresas estatais. Essas dívidas foram assumidas em razão dos prejuízos acumulados pela impossibilidade de aumentar o preço dos produtos e serviços por elas fornecidos e também foram motivados pela proposital má administração que justificaria a privatização sob o lema anárquico de que "o governo é mau administrador".

Segundo as teorias anarquistas (liberalizantes), se o governo administra mal deve ser extinto e suas funções devem ser transferidas para grupos econômicos organizados, também conhecidos como Máfia.

Todos já devem ter ouvido falar nos antigos mafiosos norte-americanos tão mostrados em filmes, na Máfia Italiana e na Máfia Russa que se organizou depois da extinta URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e conseguiu se apossar das principais empresas russas que eram estatais. Essa máfia é composta de pouco mais de 70 famílias que nesse pequeno espaço de tempo conseguiram acumular quase um trilhão de dólares devidamente escondidos e protegidos no paraíso fiscal denominado CHIPRE (país ilhéu situado no Mar Mediterrâneo próximo aos litorais da Turquia, Síria e Líbano).

PRIVATIZAÇÃO DOS LUCROS

Do outro lado da questão, com a privatização das empresas estatais também houve a PRIVATIZAÇÃO DOS LUCROS porque esses lucros que pertenceriam ao Governo (ao povo) foram transferidos para os “PRIVATAS”, aqueles grupos econômicos escolhidos pelos anarquistas mentores das privatizações. Somente esses grupos econômicos tiveram o privilégio de comprar as empresas estatais por preços subavaliados (preços bem inferiores ao verdadeiro valor patrimonial das empresas). Veja maiores explicações no texto sobre a Privatização da Companhia Vale do Rio Doce.

Isto é, o povo que em tese era o dono das empresas governamentais, individualmente não pôde participar dos “leilões” de privatização, dos quais somente podia participar aquele pequeno número de grupos econômicos privilegiados (“os mafiosos”ou "privatas"). Assim, tais grupos econômicos passaram a ser os donos do patrimônio que antes pertencia ao Povo.

Qualquer semelhança dos procedimentos dos nossos ex-dirigentes privatizantes com os procedimentos de Gorbachev, quando desmantelou a URSS, é mera coincidência.

SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS É COISA ANTIGA

Essa Socialização dos Prejuízos também aconteceu em outras épocas. Vejamos.

No final do ano de 1964 foi instituído o Banco Central do Brasil em substituição à SUMOC - Superintendência da Moeda e do Crédito. Desde aquela época até o dia 19 de novembro de 1985 a correção monetária não era cobrada dos banqueiros, incluindo os falidos. Eles podiam obter empréstimos no Banco Central mediante o pagamento de juros de no máximo 6% ao ano com vários anos de carência (para início do pagamento) sem a cobrança de correção monetária. Pelos citados motivos aquelas dívidas dos banqueiros praticamente se tornaram nulas em razão dos altos índices de inflação provocados pelos próprios empresários, entre eles os banqueiros.

Na época parecia óbvio que alguns banqueiros tinham falido porque paulatinamente transformaram seus lucros em dólares e os remeteram para o exterior (paraísos fiscais). Essa trama só foi possível comprovar incontestavelmente depois da extinção das operações financeiras “ao portador”, determinada pela Lei 8.021/1990, com adição do contido no artigo 19 da Lei 8.088/1990.

Depois dos lucros transferidos para o exterior e da “falência” do banco brasileiro, um banco estrangeiro, em que estava depositado o dinheiro daquele banqueiro brasileiro “falido de forma fraudulenta”, habilitava-se a assumir a administração da parte não apodrecida do banco em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. Assim, mediante uma cisão, a parte podre do banco falido continuava sendo administrada pelo liquidante nomeado pelo governo e a parte boa (lucrativa) era assumida pelo banco estrangeiro por conta e ordem do seu antigo proprietário "falido".

Observe que fato semelhante pode estar acontecendo nos Estados Unidos da América.

Veja mais explicações sobre os empréstimos concedidos a banqueiros no texto intitulado “A Sangria dos Cofres Públicos”.

É importante salientar neste contexto que a partir da criação do BNH - Banco Nacional da Habitação, os mutuários do SFH - Sistema Financeiro da Habitação pagavam 12% de juros ao ano, mais a taxa de administração para o banqueiro intermediário (repassador) do financiamento e ainda tinham que pagar a correção monetária, que não era cobrada nos empréstimos fornecidos pelo Banco Central aos banqueiros.

E até hoje muitos mutuários do SFH, apesar de terem efetuado o pagamento da correção monetária sobre o empréstimo recebido para compra da casa própria, ainda brigam na justiça para receber a correção monetária sobre os saldos que tinham na Caderneta de Poupança e no FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Mesmo assim o SFH faliu, o BNH foi extinto e suas atribuições foram transferidas para o Banco Central e para a Caixa Econômica Federal.

É importante destacar também que nunca foram dados incentivos fiscais aos mutuários do SFH. Os incentivos fiscais e empréstimos com juros subsidiados pelo governo sempre foram fornecidos aos mais ricos empresários brasileiros, principalmente os do Norte e Nordeste.

BUSH FILHO E A PRIVATIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

Agora em 2008 o presidente BUSH e seus asseclas, digo, assessores, ao que parece, ouviram falar nesse antigo sistema brasileiro de transferir para o povo os prejuízos dos capitalistas selvagens e especuladores e assim resolveram fazer o mesmo por aquelas bandas.

Depois que os banqueiros e demais capitalistas norte-americanos quase se cansaram de tanto usufruir dos seus altíssimos lucros com a especulação financeira e imobiliária, o sistema financeiro norte-americano quebrou. Faliu.

Idêntica falência ocorreu em 1929 quando as Bolsas de Valores americanas quebraram.

Semelhante falência aconteceu na BOVERJA - Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em razão do rumoroso caso NAHAS. Ele obviamente ganhou e todas as suas contrapartes perderam. Por isso a BOVERJA faliu e algumas corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários fecharam principalmente depois das privatizações, quando a movimentação financeira nas Bolsas diminuiu assustadoramente porque as estatais eram companhias abertas (verdadeiramente privadas - acessíveis ao povo) e seus novos proprietários a tornaram empresas fechadas (não acessíveis a terceiros - o povo).

Mesmo depois de ter confiscado todas as ações que o mega-investidor possuía em custódia naquela Bolsa do Rio de Janeiro, segundo se lê na internet, o dinheiro arrecadado não foi suficiente para tirá-la da falência. A Bolsa faliu porque teve que pagar aos credores daquele "mega-investidor", como são chamados todos os "mega-especuladores". Melhor explicando: A Bolsa faliu porque teve que assumir (pagar) o rombo deixado pelo "mega-especulador", que não pagou o montante devido às suas contrapartes nas operações especulativas realizadas no momento em que a jogatina lhe foi desfavorável.

Se considerarmos que naquela época vigorava o antigo Código Civil (artigo 1477 a 1480) onde se lia que o dinheiro ganho no jogo não podia ser cobrado, obviamente o mega-especulador estava certo em não pagar aquela dívida oriunda da jogatina que se realiza nas Bolsas de Valores. Mas, o novo Código Civil que começou a vigorar em janeiro de 2003 passou a dizer o mesmo em seus artigos 814 e 815 com a seguinte ressalva constante do seu artigo 816:

Art. 816. As disposições dos arts. 814 e 815 não se aplicam aos contratos sobre títulos de bolsa, mercadorias ou valores, em que se estipulem a liquidação exclusivamente pela diferença entre o preço ajustado e a cotação que eles tiverem no vencimento do ajuste.

Isto significa que a jogatina nas Bolsas de Valores (incluindo nas de Mercadorias e Futuros) e no Mercado de Balcão (fora das Bolsas) foi legalizada somente a partir de janeiro de 2003, significando também que os LOBISTAS a serviço dos especuladores atuaram com eficácia ao convencerem os "representantes do povo" no Congresso Nacional a colocarem tal dispositivo no Código Civil Brasileiro.

Entretanto, aquele mega-especulador foi automaticamente absolvido dessas práticas especulativas nocivas ao sistema financeiro por prescrição do prazo para abertura de novo processo, pois o processo original, que o condenou por tais práticas, foi considerado nulo por ter tramitado na esfera federal quando devia ter tramitado na esfera estadual. Na Lei 7.913/1989 está relação dos principais crimes praticados. Acho que o processo estava na alçada certa porque os crimes contra o SFN - Sistema Financeiro Nacional sempre são julgados na esfera federal. Então, essa prescrição passou a impedir que seja instaurado novo processo para ratificar aquela condenação. Parece coisa de filme tal como a exibida naquele denominado "O Golpe de Mestre".

Então, o que fazer? Deve ter perguntado BUSH a seus assessores econômicos.

Simples (naturalmente responderam os gestores da política econômica norte-americana). Devemos fazer como fizeram os gestores brasileiros. Vamos socializar os prejuízos dos "PRIVATAS" (capitalistas especuladores e os demais criminosos do “colarinho branco” que se aproveitaram da ingenuidade dos incautos para ganhar dinheiro fácil e rapidamente).

Veja a relação dos crimes já praticados no Sistema Financeiro Brasileiro na Lei 7.492/1986 (Lei do Colarinho Branco)

Como é possível socializar os prejuízos? Obviamente perguntou BUSH.

Simplesmente vamos transferir esses prejuízos dos capitalistas especuladores para o povo mediante a cobrança de tributos.

Foi nesse sentido que a locutora do Jornal da Record lançou a manchete em que deixava claro que o país símbolo do capitalismo (os Estados Unidos) ia socializar os prejuízos sofridos pelos banqueiros que financiaram os imóveis vendidos pelos especuladores do mercado imobiliário norte-americano. Isto significa que os governantes norte-americanos resolveram abandonar as teorias básicas do capitalismo (a da iniciativa privada por sua conta e risco) para substituí-las por políticas socialistas de estatização (só dos prejuízos). Assim como no Brasil dos neoliberais privatizantes, vão aplicar o “socialismo selvagem” (socialismo invertido), aquele em que, no lugar de dar ao povo, tira-se do povo. Isto é: O povo não tem direito de receber os dividendos ou lucros quando o capitalista ganha, mas tem a obrigação de pagar os prejuízos quando o capitalista perde. Como sempre diz Joelmir Beting "é o tal do capitalismo sem risco": Se eu ganhar, o lucro é meu; se eu perder, o prejuízo é deles (o povo).

Ou seja, de um lado os especuladores estão podres de ricos e do outro lado os incautos compradores dos imóveis quebraram, pois não estão podendo pagar as altíssimas prestações cobradas sobre os imóveis adquiridos por preços exorbitantes, bem superiores aos que deveriam ser pagos.

Como muitos compradores de imóveis ficaram inadimplentes porque perderam o emprego em razão de uma alardeada (possível) recessão, os banqueiros ficaram insolventes. Ao não receberem os valores das prestações que deveriam ser pagas pelos compradores dos imóveis, essas Companhias de Crédito Imobiliário não puderam pagar os juros sobre o dinheiro captado dos investidores também incautos, que investiram naqueles bancos imobiliários porque ficaram deslumbrados com as elevadas taxas de juros por eles oferecidas.

Nós já vimos a versão original desse filme produzido aqui mesmo no Brasil e com direito a muitas reprises (reapresentações).

RISCO SISTÊMICO

Como base nos fatos noticiados podemos concluir que também nos Estados Unidos está havendo o chamado “RISCO SISTÊMICO” tal como aquele que aconteceu no Brasil em 1999 quando os dirigentes do Banco Central, sem solicitar a aprovação do Congresso Nacional e sem quaisquer garantias de recebimento, “emprestaram” mais de um bilhão de dólares para o banqueiro Salvadore Cacciola. Este, por sua vez, como todos sabem devido às notícias amplamente veiculadas pelos meios de comunicação, em 2008 foi extraditado do Principado de Mônaco para o Brasil para cumprir a pena que lhe foi imputada pelo poder judiciário e para responder por outras acusações e indiciamentos.

É importante relembrar que foram condenados vários dirigentes do Banco Central do Brasil que participaram de tal desfalque nos cofres públicos e também dos crimes de lavagem de dinheiro apurados pela CPI do BANESTADO.

Então, o RISCO SISTÊMICO significa que pode haver uma quebra (falência) em cadeia (de forma encadeada). Melhor explicando e tomando-se como exemplo o que está ocorrendo nos Estados Unidos: Os compradores de imóveis não conseguiram pagar suas prestações, o que levou as Companhias de Crédito Imobiliário a não pagar os juros das Letras Imobiliárias emitidas. Assim, os investidores que compraram as Letras Imobiliárias não puderam pagar os seus credores, que também deixaram de pagar seus fornecedores e assim sucessivamente.

Em razão do tal “RISCO SISTÊMICO”, o presidente BUSH FILHO, naturalmente sob a orientação de seus gestores da política econômica locados no Federal Reserve (o Banco Central norte-americano), resolveu destinar aos infelizes banqueiros, e indiretamente aos demais inconseqüentes especuladores, alguns trilhões de dólares que serão tirados do povo norte-americano e também do mundo afora. Por isso muitos “pessimistas” acreditam que a crise norte-americana vai passar também pelo Brasil.

Onde o Governo norte-americano vai arranjar todo esse dinheiro?

Este é o maior problema. É exatamente em razão da necessidade de captação desse dinheiro que o “RISCO SISTÊMICO” pode se espalhar pelo mundo afora. Vejamos:

Primeiramente devemos considerar que os Estados Unidos não têm lastro para emissão de papel moeda nesse montante, nem para fornecer tal empréstimo aos banqueiros falidos.

O papel moeda em qualquer país filiado ao FMI - Fundo Monetário Internacional deve ser emitido tendo como lastro as Reservas Monetárias que efetivamente aquele país símbolo do capitalismo não tem em razão dos constantes déficits no seu Balanço de Pagamentos ocorridos durante as últimas décadas.

Esses déficits no Balanço de Pagamentos norte-americano estão diretamente ligados às Reservas Monetárias de outros países. Exemplo: se o Brasil tem reservas monetárias no valor de aproximadamente US$ 100 bilhões de dólares norte-americanos, isto significa em tese que os Estados Unidos terão que pagar US$ 100 bilhões de dólares ao Brasil que serão pagos com produtos, matérias primas ou tecnologia. E assim acontecerá com todos os demais países que tenham reservas monetárias em dólares dos "States".

No texto intitulado Risco Brasil versus Risco USA, escrito nos primeiros meses de 2005, quando já se previa o que está acontecendo agora, são comentadas reportagens publicadas no final de 2004 e no início de 2005 pelas revistas Veja e Carta Capital. As reportagens publicadas vieram confirmar o que foi escrito em textos anteriores publicados neste site do Cosife. Nessas reportagens o leitor pode perceber que muitos países, especialmente os asiáticos, têm elevadas reservas monetárias em dólares norte-americanos bem superiores as do Brasil, inclusive a Rússia.

Assim sendo, se os Estados Unidos falir (for à bancarrota - falência do Estado com suspensão de pagamento da dívida por parte do falido, motivada por falência fraudulenta, ruína ou decadência) todos os demais países com reservas monetárias em dólares as perderão, tal como aconteceu depois da primeira guerra mundial (de 1914 a 1918) quando a Alemanha também faliu.

Essa perda das Reservas Monetárias acontecerá se os Estados Unidos deixar de pagar a sua dívida. A Alemanha, por sua vez, nunca pagou aos seus credores e nem pretende pagar.

Somente os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento pagam suas dívidas religiosamente porque são os únicos que têm reservas minerais, muitas ainda virgens, para serem "exploradas" pelos países desenvolvidos, na plena acepção da palavra "explorar", tanto em relação às minas quanto aos países que as têm.

Em 1929, quando ocorreu o “Crash” (quebra) do mercado de ações nas Bolsas de Valores norte-americanas, muitos investidores perderam todas as suas economias acumuladas durante anos de grande sacrifício, levando alguns a cometer o suicídio. É claro que somente os incautos perderam. Do outro lado das operações (as contrapartes) alguém ganhou ou alguns ganharam.

Pelos motivos expostos, estão dizendo que o Brasil pode ser afetado pela ruína (derrocada) norte-americana, embora o Presidente Lula tenha dito que isto não acontecerá conosco.

Esse desmoronamento financeiro norte-americano, que era iminente e se tornou fatal (inevitável), agora esclarece as razões ou preocupações que tiveram de alguns artistas e empresários e algumas modelos internacionais brasileiras em trocar a moeda de pagamento em seus contratos. Estes e estas estão formulando esses contratos em Euros (moeda oficial da União Européia). Entretanto, é necessário explicar que tais países europeus também não têm lastro em reservas monetárias ou reservas minerais para pagamento de suas eventuais divisas assumidas (Veja o texto Os Países e suas Reservas Estratégicas).

A única forma de pagamento das dívidas assumidas pelos países desenvolvidos será mediante o fornecimento (venda) de seus recursos tecnológicos.

Na verdade a maior parte desses recursos tecnológicos nem precisa ser comprada porque quase todos os países em desenvolvimento estão aptos a consegui-los, desenvolvendo os seus próprios projetos.

Como exemplo, podemos citar o Irã, que desenvolve projetos de uso pacífico de energia nuclear assim como também está fazendo o Brasil. Por sua vez, os norte-americanos estão super preocupados com a perda dessa sua hegemonia tecnológica, por isso querem proibir ou impedir que outros países a obtenham.

Outro exemplo é o fato do Brasil ser o líder mundial na tecnologia de prospecção de petróleo em águas profundas, que já está sendo utilizada no Golfo do México e no Mar do Norte por empresas petrolíferas "multinacionais" americanas e inglesas.

Além desses fatos, o Brasil ainda tem a tecnologia e a matéria prima mais barata para produção e utilização de biocombustíveis. O Brasil e os países subdesenvolvidos africanos situados abaixo do Deserto de Saara, além de ricos em minérios, ainda têm a possibilidade de aumentar enormemente a produção de alimentos, que os países desenvolvidos do hemisfério norte não têm por razões climáticas e por terem exaurido suas pequenas reservas minerais.

A INSENSATEZ DA TEORIA ANÁRQUICA DA AUTORREGULAMENTAÇÃO DOS MERCADOS

A 63ª Assembléia Geral da ONU realizada em setembro de 2008, ocasião em que vários mandatários das nações fizeram seus discursos, mostrou como regra geral que todos aqueles oradores, exceto Bush, estão deveras preocupados com a insensatez da teoria da "auto-regulamentação dos mercados" em razão dos inegáveis efeitos negativos que tem feito o mundo suportar em razão de ser fundamentada na doutrina básica ou teoria política do Anarquismo.

O francês Sarkozy com outras palavras destacou que o sistema capitalista deve ser melhor regulamentado para que as instituições financeiras passem a financiar somente o real desenvolvimento econômico, deixando de lado o mero financiamento da especulação financeira e imobiliária, como está acontecendo nos Estados Unidos e também já aconteceu no Brasil, razão pela qual foram tentados sucessivos e mirabolantes Planos Econômicos que quase deixaram o Brasil falido tal como agora estão os nossos irmãos ianques.

Por sua vez, o brasileiro Lula deixou claro, também com outras palavras, que a crise financeira pré-falimentar agora vivida pelos Estados Unidos, que chamou de crise financeira global, tal como o francês Sarkozy, exige que sejam elaboradas regras para melhoramento dos sistemas de controle das instituições financeiras pelas respectivas autoridades monetárias de cada país. Na verdade quis dizer que a chamada “auto-regulação dos mercados”, tão preconizada pelos anarquistas (chamados de neoliberais), foi a grande culpada pelos constantes escândalos desencadeados pelas empresas norte-americanas que inegavelmente foram provados pelas falcatruas por elas realizadas.

Já o Bush Filho, como nunca tem nada de consistente a dizer, mesmo porque não tem capacidade intelectual para realmente entender e explicar o que está acontecendo em seu país, preferiu falar sobre o “terrorismo”. Parecia não saber que o verdadeiro terrorismo está sendo espalhado pelo mundo em razão da crise financeira pré-falimentar vivida por seu país, o que tem provocado muitas preocupações aos demais governantes e incertezas nos setores produtivos e nos improdutivos como são as Bolsas de Valores e os demais mercados financeiros globais meramente especulativos.

CONCLUSÃO

O importante no momento presente, diante dessa derrocada financeira norte-americana, seria urgentemente usar as reservas monetárias em dólares para a compra de alguma tecnologia norte-americana que não seja possível imediatamente produzir no Brasil.

Outra opção seria a recompra (encampação, estatização) de empresas brasileiras privatizadas ou a compra de outras empresas estabelecidas no Brasil que estejam sob o controle de grupos norte-americanos, antes que elas também quebrem ou sejam vendidas para outrem.

Manifestadas essas opções de utilização das Reservas Monetárias em dólares, fatalmente aconteceria outro problema. Nenhum controlador de empresas ou que tenha sob seu domínio tecnologias de ponta venderia seus direitos mediante o pagamento em dólares.

Aí sim aconteceria a derrocada fatal da moeda norte-americana (maxi-desvalorização), pois não mais teria valor como meio circulante ou como meio de pagamento. Não mais teria “poder liberatório” (poder de quitação de bem adquirido ou poder de extinção de uma dívida ou obrigação). Foi exatamente isto o que aconteceu com a moeda e os títulos alemães após a primeira guerra mundial e com as ações adquiridas por preços exorbitantes na Bolsa de Nova York até 1929.

O mesmo está acontecendo agora com os compradores de imóveis nos Estados Unidos. Em razão dos altíssimos preços pelos quais foram negociados, não há como pagar as dívidas, nem como vender os imóveis sem amargar volumosos prejuízos.

No Brasil isto também aconteceu com os pequenos investidores do mercado de capitais depois que a CMV - Comissão de Valores Mobiliários expediu a Instrução CVM 56/1986 (Veja o texto intitulado O Maior dos Crimes Contra os Pequenos Investidores). Como os prejudicados foram apenas os investidores minoritários, aqueles que deveriam ter optado pela Caderneta de Poupança e não pelos investimentos em ações, tal crime não foi devidamente alardeado.

Diante do exposto, é melhor ficar quieto. E, como disse Lula, fazer de conta que aquela crise norte-americana é insignificante ou que ela realmente não está acontecendo ou, ainda, que a crise não nos afetará. O melhor é não tentar jogar merda no ventilador porque, se assim fizermos, eles quebram meeeeesmo.

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