CONTABILIDADE GERENCIAL
ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
Usuária do Cosife perguntou em 14/08/2006:
Gostaria de saber de que modo a alavancagem financeira e operacional pode influenciar na tomada de decisões?
Resposta do Cosife:
Alavancagem, segundo o dicionário Aurélio é o ato ou efeito de alavancar. Segundo as ciências econômicas seria a utilização de recursos de terceiros no capital de uma empresa, com a finalidade de aumentar os lucros com conseqüente aumento da rentabilidade do capital próprio. A alavancagem, ainda na área econômica, também pode ser definida como importante ou elevada parcela de recursos financeiros de terceiros, utilizada na estrutura de capital de uma empresa, tal como a captação de recursos no mercado de capitais efetuado pelas sociedades anônimas de capital aberto.
Optar pela alavancagem financeira e operacional é passo decisivo no gerenciamento de qualquer tipo de empreendimento. Essa decisão pode ser perigosa, porque tanto pode levar ao crescimento lucrativo como à falência.
A alavancagem operacional inicialmente reivindica capital próprio. Ou seja, para que se possa aumentar a produção é preciso investimentos em bens móveis e imóveis ou em recursos humanos. Para que se faça esse investimento, não basta querer crescer, é preciso ter mercado. É preciso que existam consumidores querendo o produto que se está fabricando e que só não está sendo produzido porque se encontra esgotada a capacidade de produção da unidade fabril, a capacidade de venda da unidade comercial ou a capacidade de atendimento da unidade prestadora de serviço.
Quando não há capital próprio e não se consegue os sócios capitalistas necessários à alavancagem do empreendimento é preciso buscar dinheiro no sistema financeiro nacional e internacional. Mas, os grandes empresários não cometem essa loucura. Eles geralmente procuram empréstimos governamentais, que são mais baratos. Até os ditos investidores que compraram as empresas estatais privatizadas fizeram isto: pegaram dinheiro do governo brasileiro e não dos banqueiros. É aquela máxima da privatização dos lucros e da socialização dos prejuízos. Se o negócio der certo, o lucro é dos empresários "investidores"; se der errado, o prejuízo é assumido pelo governo.
Por isso podemos dizer que a alavancagem financeira e operacional é uma faca de dois gumes. Tanto pode trazer o sucesso como a falência. O principal exemplo desse insucesso oriundo da alavancagem financeira e operacional é a VARIG. Outro exemplo foi o Banco Santos (Veja o texto intitulado "A Megalomania e a Irresponsabilidade das Agências de Rating"). A maioria das pequenas e médias empresas fecham nos seus dois primeiros anos de vida justamente por essa razão de inconseqüente alavancagem financeira e operacional sem os necessários controles contábeis para se saber se o negócio está dando lucro ou impingindo prejuízo.
Porém, muitos aventureiros, que iniciaram seus negócios sem dinheiro, pedindo emprestado, ficaram ricos. Estes são minoria. Desses aventureiros, os que faliram, deixaram o prejuízo para quem lhe emprestou o dinheiro. É o que está acontecendo com algumas empresas estatais privatizadas, que em pouco tempo mudaram de proprietários várias vezes e algumas estão sobrevivendo com a obtenção de recursos governamentais.