IMPORTAÇÃO X EXPORTAÇÃO - http://www.cosif.com.br/
Ano XV - São Paulo, 23 de agosto de 2014



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IMPORTAÇÃO X EXPORTAÇÃO

IMPORTAÇÃO X EXPORTAÇÃO

BALANÇA COMERCIAL - BALANÇO DE PAGAMENTOS

São Paulo, 18/10/2010

Referências: Déficit no Orçamento Nacional (interno) e no Balanço de Pagamentos (externo) - Déficit em Conta Corrente - Balança Comercial - Importação e Exportação. Criação Artificial de Desemprego para Redução dos Salários dos Trabalhadores. Redução dos Custos de Produção para Aumento das Exportações. Redução dos Salários mediante a Exploração do Trabalhador em Regime de Semi-Escravidão. Lucratividade e Rentabilidade. Trabalho Escravo e Contabilidade de Custos.

Produtos importados já respondem por um quinto do consumo nacional

Por Raquel Landim, estadao.com.br. Publicado por MSN/Estadão em 17/10/2010. Com anotações e comentários [em vermelho] por Americo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750.

A indústria brasileira está, velozmente, perdendo espaço para as importações, que já respondem por um quinto de tudo que é consumido no País. O processo de substituição de matérias-primas e produtos acabados nacionais por estrangeiros, que vinha em um ritmo controlado, se acelerou nos últimos meses.

A participação dos produtos importados no consumo saltou de 15,7% no início de 2009 para 17,7% no primeiro trimestre deste ano e chegou ao recorde de 20% no terceiro - uma alta total de 4,3 pontos no período, conforme cálculo da LCA Consultores. Entre 2002 e 2008, o ritmo de crescimento era de 1,1% ao ano.

O Brasil se tornou alvo não só dos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, que tentam sair da crise elevando suas exportações, [conforme já foi comentado em outros textos publicados neste site do Cosife], mas também de outros emergentes, como a China, que perderam clientes importantes com a recessão nos mercados americano e europeu.

Nota do Cosife: Os governantes dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos da Europa estão esperando que a recessão, provocada pela Crise Mundial de 2008 iniciada nos "states", cause desemprego em nível suficiente para que os trabalhadores passem a aceitar empregos com salários menores. A drástica redução dos salários no primeiro mundo (desenvolvido) é a única forma de reduzir os custos da produção naqueles países. Somente a redução desses custos aumentará suas exportações até se tornarem maiores que as importações, o que em tese tirará tais países do buraco em que se encontram. Esse buraco econômico-financeiro existe em razão do déficit no Orçamento Nacional (déficit interno = receitas de impostos inferiores aos gastos públicos) e do déficit no Balanço de Pagamentos (déficit externo = importações maiores que as exportações).

A valorização do Real tornou mais fácil a tarefa dos estrangeiros, porque reduziu o preço dos produtos importados. O efeito benéfico das importações para o País [Brasil] é [em tese o de] ajudar no controle da inflação, mas o fenômeno também começa a prejudicar as empresas [e os trabalhadores porque gera desemprego], apesar do forte desempenho do mercado doméstico [brasileiro]. [Felizmente, o elevado consumo no mercado interno provocado pelo Governo Lula impede que haja grande massa de desempregados. Por sua vez, os controladores e os executivos das grandes empresas nunca se referem aos danos causados aos trabalhadores, exatamente porque pleiteiam a extinção dos direitos sociais - trabalhistas e previdenciários - conforme está na tese dos laureados com o Prêmio Nobel de Economia de 2010].

Nota do Cosife: Durante o governo FHC, a manutenção artificial do dólar a preço baixo foi a tática utilizada para geração de desemprego com a consequente redução do consumo interno, pois os gestores de nossa política econômica acreditavam que esta seria a única forma de combater a inflação. Com o sacrifício dos trabalhadores, o dólar a preço baixo estimulou as importações pelas classes sociais superiores e prejudicou as exportações gerando o desemprego nas classes sociais inferiores (classes operárias). A privatização das empresas estatais gerou desemprego na classe média mediante os programas de demissão voluntária. A Crise de Desemprego, naquela época incrementada pelo governo, reduziu os salários daqueles trabalhadores que conseguiram novos empregos. Os trabalhadores que continuaram desempregados e os que não aceitaram trabalhar com salários menores guindaram para o submundo da economia informal e, assim, aumentou o contrabando, a pirataria, o narcotráfico com o consequente aumento da criminalidade. Estes serão os problemas a serem enfrentados pelos países desenvolvidos em razão do desemprego gerado pela recessão provocada pela bancarrota norte-americana de 2008. Veja o texto A Economia Informal e a Autorregulação dos Mercados

[Em 2010, no Brasil,] a produção industrial está estagnada desde março, enquanto as importações já ultrapassaram o nível do pré-crise. 'Existe um vazamento de demanda para o exterior', disse Flávio Castelo Branco, economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os empresários [neoliberais brasileiros filiados à CNI, que nada conseguem fazer sem o amparo governamental,] reclamam do governo [gerido pelo torneiro mecânico sindicalista] e pedem proteção, com o argumento de que a invasão dos importados provocou queda nas vendas, elevação dos estoques e redução da rentabilidade [redução dos ganhos com o investimento do capital]. Entre os setores mais afetados estão têxteis, máquinas, eletrônicos, carros e siderurgia.

'Hoje quem se beneficia do crescimento do Brasil não é a indústria brasileira', diz Sérgio Leite, vice-presidente de novos negócios da Usiminas [ex-estatal = privatizada]. As vendas da siderúrgica caíram 20% do segundo trimestre para o terceiro (historicamente, o melhor do ano). A empresa informa que opera hoje com 80% da capacidade instalada, o que é considerado abaixo do ideal.

Efeito em cadeia

A substituição de produtos importados por nacionais [queria dizer: "A substituição dos produtos nacionais pelos importados"] está afetando toda a cadeia produtiva: máquinas, insumos e produtos acabados. Os carros importados, por exemplo, já respondem por 18% dos licenciamentos no Brasil (comparado com 13% em 2008).

As importações de veículos não estão mais restritas aos modelos de luxo [frequentemente comprados pelas classes sociais superiores]. Também chegam carros médios [adquiridos pela classe média trabalhadora], que concorrem diretamente com modelos feitos localmente. Segundo Rogelio Golfarb, diretor de assuntos corporativos da Ford, as margens de lucro estão comprimidas e nem mesmo a tarifa de importação de 35% (o máximo permitido ao Brasil na OMC) é suficiente para barrar a importação.

'É claro que o Real valorizado também ajuda, mas não dá para colocar tudo na conta do câmbio', disse Golfarb. 'Temos de fazer um esforço para aumentar nossa competitividade'. [Esta declaração significa que os grandes empresários e seus executivos estão querendo a redução dos direitos sociais dos trabalhadores das classe inferiores = operários, como forma de reduzir os custos de produção]

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, chama a atenção para outro fator que 'empurra' as empresas para a importação: o aumento do custo da mão-de-obra [acontecido durante do Governo Lula], principalmente por causa da falta de pessoal qualificado no País. [Na realidade, as grandes empresas não querem investir na qualificação dos trabalhadores brasileiros, não querem pagar salários justos aos já qualificados e ainda querem tirar dos trabalhadores os seus direitos trabalhistas]

O ciclo se torna vicioso, porque um dos remédios das empresas para reduzir custos é exatamente aumentar a importação de insumos. [Os insumos vindos do continente asiático são baratos porque são produzidos mediante a utilização de trabalho em regime de semi-escravidão.]

É o caso da RTS Válvulas Industriais. A fabricante de máquinas e equipamentos opera hoje com metade da sua capacidade, porque seus clientes evitam investir antes do resultado das eleições e por causa da concorrência dos produtos chineses.

Nota do Cosife: Esta última frase nos leva a crer que o fabricante e seus clientes estão preocupados com a eventual eleição do candidato do partido de oposição ao do torneiro mecânico sindicalista. Naturalmente supõem que, vencendo o candidato de oposição, o Brasil regredirá no cenário mundial, como aconteceu durante o período de 1995 a 2002 em que tal facção política governava. Naquele período o Brasil regrediu da posição de 8ª potencial mundial em PIB para a 15ª posição (sempre necessitando das reservas monetárias emergenciais fornecidas pelo FMI - Fundo Monetário Internacional). Os déficits internos e externos aconteciam porque naquela época as importações eram superiores às exportações, como está acontecendo agora com os países desenvolvidos da Europa que estão perdendo posições no cenário mundial.]

Para reduzir seus custos, a RTS também decidiu aproveitar o câmbio barato e começou a importar aço inoxidável, seu principal insumo produtivo. 'Se eu for utilizar o aço local, fico 100% fora do mercado', conta Pedro Lúcio, presidente da companhia.

Descompasso

A invasão de importados e o acúmulo de estoques pela indústria no início do ano provocaram um descompasso significativo entre a indústria e o varejo, que continua apresentando resultados espetaculares. Entre junho e agosto, comparados com os três meses anteriores, o varejo cresceu 7,5% e a produção industrial caiu 4,6%.

Os especialistas acreditam que a produção industrial vai se recuperar nos próximos meses, à medida que os estoques se normalizarem, mas estão preocupados com os efeitos da invasão dos importados.

'Não dá para negar que o setor externo provocou um dreno na economia, mas não dá para saber quanto tempo isso vai durar', disse Júlio Callegari, economista do JP Morgan. 'Estamos em uma linha divisória'.

Conclusão

Como solução para o problema enfrentado pelos exportadores brasileiros, a CNI poderia promover propaganda institucional para convencer a sociedade civil brasileira (as classes superiores e a classe média a ela subalterna) a deixar de comprar os produtos supérfluos geralmente importados pelas citadas classes sociais. Justamente nessas classes sociais estão os empresários e os executivos que estão reclamando da presente distorção. Ou seja, se o problema de fato existe, os causadores da distorção são eles mesmos.







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